Fevereiro 19, 2017 Atualidade, Educação, Opinião
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Gila Sousa Rocha

O emblema da Ordem dos Solicitadores é constituído pela figuração plena da esfera armilar, com escudo de armas de Portugal, tendo sobreposta a balança da justiça e entrelaçada uma fita com a legenda “Labor improbus omnia vincit”, que traduzido para português, deverá significar “O trabalho incessante tudo vence”.

Esta legenda, transformada em provérbio, é resultante de fragmentos dos versos do primeiro livro das “Geórgicas” de Virgílio, “Tum varie venere artes, labor/omnia vincit Improbus et duris/orgens in rebus egestas…”.

A adoção de uma “legenda” foi desde sempre, e continua a ser, um ato comum pelas mais variadas instituições e grupos, pessoas coletivas dos mais diversos quadrantes sociais – religiosos, académicos, ecologistas, militares, culturais, artísticos, desportivos, profissionais –, funcionando como um “feixe” que une todos os seus membros.

Designada, também, mais vulgarmente como “lema”, é uma frase (em regra de origem latina) de motivação anímica, que condensa o espírito da instituição ou grupo, e que mostra aos membros a direção a seguir e o apoio que nela podem e devem buscar todas as vezes em que se lhes manifestar o desânimo ou tiverem de tomar uma decisão na qualidade de partes daquele coletivo. “Lema” serve de farol na escuridão dos nossos atos e para nos corrigirmos e prosseguirmos na direção que assumimos como rumo ideal.

A legenda (ou lema) dos Solicitadores, hoje também inscrita no artigo 2º do Estatuto da Ordem, é, pois, a de que “labor improbus omnia vincit”, também encontrada traduzida como significando que “nas situações difíceis, o trabalho persistente e a necessidade, que ameaça, vencem todas as coisas”.

Somente o labor, mesmo que exija esforço, fadiga e seja penoso, fornece harmonia, bem-estar e autoestima para nos realizarmos na vida. Por isso, o poeta usou o adjetivo improbus, isto é, árduo, espinhoso e perseverante.

E é esse apelo que cada um deve sentir e assumir no nobre e espinhoso caminho da Solicitadoria, preenchendo a cada instante, e com atos concretos, a mensagem emblemática da sua legenda, como substrato primeiro de todas as previsões abstratas da sua legenda, como substrato primeiro de todas as previsões abstratas das regras deontológicas, que, por sua vez, tratam do probus.

Uma legenda ou um lema é, como se disse, essencialmente uma matriz e um estímulo: O trabalho incessante tudo vence,…mas não pode vencer todos.

A distinção não é, nem pode ser, só subtil e de estilo; tem de se traduzir numa assunção plena de modo de vida, pois só assim se vence tudo sem vencer todos.

(excerto de trabalho científico apresentado no âmbito do meu estágio)

Por: Gila Sousa Rocha (licenciada em Solicitadoria).

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