A Globalização na Educação

Junho 18, 2017 Atualidade, Concelho, Educação, Mundo, Opinião
Dr.ª Maria José Amaral Neco
Dr.ª Maria José Amaral Neco

Parte I

Quando nos referimos à Globalização, automaticamente associamos este conceito às inovações técnicas nas áreas das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Como é do conhecimento geral, estas facilitam as relações culturais, sociais e até económicas, a todos os níveis, facto este, que se deve à facilidade de acesso à informação e à velocidade de difusão e disseminação do conhecimento. Conseguimos afirmar que a globalização interfere em todos os setores da sociedade e, consequentemente, na vida das pessoas. Cada vez mais, este conceito emerge no nosso quotidiano, transmitindo a ideia da homogeneização e uniformização.

No entanto, no que respeita à influência que a globalização exerce no contexto da Educação/Formação, não devemos atribuir-lhe o mesmo significado e finalidade. É importante termos em conta uma questão fundamental, o objeto de estudo e os contextos em que estão inseridos, isto porque, é antagónico falarmos de padrões/referências únicas, quando sabemos que eles não são aplicáveis em todos os contextos.




Com a Europeização, assistimos a um fenómeno, em que, cada vez mais, os processos e práticas de Educação/Formação são, igualmente, integrados em agendas globalmente estruturadas por instâncias supranacionais. Que por sua vez, são definidas num quadro comum das políticas da União Europeia, submetidas a imposições exteriores, em que a formação está sujeita a parâmetros de qualificação, oriundos do QEQ – quadro de referência comum que permite estabelecer uma correspondência de sistemas de qualificação de vários países. Este, funciona como um dispositivo de fácil compreensão, de modo a tornar as qualificações mais claras e compreensíveis entre os diferentes países. Todavia, saliente-se como um fator importante que este tipo de dipositivo favorece a dimensão competitiva, gerencialista, economicista em prol da dimensão mais humanística e democrática.

É neste quadro que se insere a problemática atual da certificação das competências, em que o desdobramento do processo de avaliação e validação das mesmas e sua certificação, passa a ser uma exigência internacional. A inclusão social passa, agora, pela carteira de competências, em que cada sujeito tem que gerir o seu próprio percurso.

 

Por: Dr.ª Maria José Amaral Neco*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do/a autor/a)

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