A “Tribo”

Maio 1, 2020 Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião
Pedro Soares de Sousa

Caros leitores,

Devido ao confinamento caseiro e ao excessivo ócio que este provoca, as pessoas veem-se forçadas a encontrar novas formas de combater a pausa em demasia, com todos os malefícios que isso traz para o seu corpo e saúde.



No entanto, enquadrado no Decreto nº 2-A/2020, de 20 de março, que executava a declaração do estado de emergência efetuada pelo Decreto do Presidente da República nº 14-A/2020, de 18 de março, e sem alteração nas subsequentes renovações, eram permitidas aos cidadãos “Deslocações de curta duração para efeitos de atividade física, sendo proibido o exercício de atividade física coletiva” (in: https://covid19estamoson.gov.pt/estado-de-emergencia-nacional/pacote-de-medidas/), se bem que essa atividade física não podia ser realizada por mais do que duas pessoas em conjunto. Muito se falou sobre este pormenor, muito se criticou, muito se aconselhou. Notava-se muito receio nas pessoas, muito abuso por parte de quem aproveitava, então, para andar a correr pelos passeios e matas, quando antes não o fazia ou fazia pouco. Notava-se muito moralismo e alguma hipocrisia. Enfim, havia de tudo um pouco! Agora, com a declaração de Estado de Calamidade de ontem, a situação tende a normalizar, pelo menos no que concerne às “corridinhas” com mais algumas (não muitas) pessoas.

Mas o intuito deste artigo não é o de nos debruçarmos sobre estas atividades, mas sim, o de falar das saudades de fazermos exercício, como o atletismo, o running (street, trail, entre outros), as caminhadas, as simples corridinhas para aquecer e “desenferrujar os músculos”, o BTT, a Orientação, entre outras novas “modas” que nos levam a percorrer vias, passeios, tracks e caminhos por estas nossas terras.

Há um par de anos, comecei a correr e a fazer uns treininhos de final de tarde, início de noite. Já costumava correr anteriormente, mas por essa altura comecei a fazê-lo mais frequentemente, sempre em boa companhia. Por isso, as “saudades” a que me refiro, eu também as sinto!

Tal como eu, os aficionados destas modalidades devem estar, por esta altura, cheios de saudades do burburinho do início das provas, dos speakers a incentivarem, dos relógios e programas de treino, do aquecimento ou da conversa antes da partida. Mas também das paisagens e pormenores que se veem ao passar nos trilhos, dos abastecimentos durante as provas, da bifaninha e do fininho no final, do convívio com aquelas pessoas das quais, na esmagadora maioria das vezes, nem sabemos os nomes, mas já conhecemos “de vista”, dos tracks, dos obstáculos ou da aglomeração na meta. Até do “esquerda…direita”, para deixar passar os mais rápidos e desejosos de vitória!

A esmagadora maioria das pessoas que participam nestas provas tem como objetivo concluí-las, ultrapassar os seus limites, exceder as suas expectativas. Poder chegar ao final e receber um prémio de finisher (por norma, uma medalha). Não para se vangloriar, mas como recordação de que conseguiu chegar ao fim, conseguiu terminar aquela prova. É verdade que durante a mesma, os trail runners ou mesmo os betetistas, passam por momentos de maior tensão, principalmente quando têm obstáculos difíceis de ultrapassar e transpor, quando se encontram presos em lama, em riachos ou a lutarem contra cãibras, cansaço e intempéries tais que lhes entra na mente que não irão conseguir e a luta passa a não ser apenas física, para ser, igualmente, psicológica.

É a estas pessoas, quando isoladas ou em grupo, que gosto de chamar – carinhosamente –  de “A Tribo”!

Agora que a “vida” vai recomeçando a normalizar, dentro do que se poderá considerar “normal” nesta altura de pandemia, as pessoas também vão recomeçando a praticar o seu desporto, que se aconselha, possa ser da forma o mais segura e protegida possível.

Em breve, tudo terá passado e estaremos de volta aos trails, às caminhadas, ao BTT, Orientação, ciclismo, futebol…enfim, à nossa “rotina” desportiva! E que bom será…

Não posso terminar sem deixar as minhas palavras de apreço e dedicar este meu artigo a um amigo de longa data, o Paulo Costa (Alvarelhos – Trofa), que, soube-o há dias, voltou a correr depois de 13 meses de inatividade devido a lesão e outras complicações! Também ele aficionado dos trails longos!!  Caro Paulo, a Vida pode colocar-nos obstáculos e podemos achar que não conseguimos transpô-los, mas, com força e esperança, o “Sol” volta a “sorrir-nos” (sabes do que falo)! Sê bem-vindo (mesmo que ainda limitadamente) à “rotina”…sê bem-vindo de volta à “Tribo”!!

Por: Pedro Soares de Sousa* (Professor e Diretor do Barcelos na Hora)

Fotos: Eugénia Faria-Faria Joaquim (alterada) e DR.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

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