Barcelenses Inspiradores: Bruno Lopes

Janeiro 18, 2020 Atualidade, Concelho, Cultura, Entrevistas, Mundo

O segundo convidado da 2ª edição da rubrica é o músico e professor Bruno Lopes.

Se tiver interesse em participar ou em sugerir alguém inspirador para esta rubrica, escreva para o e-mail: barcelensesinspiradores@outlook.pt.

Nesta 2ª edição, temos várias novidades, entre elas, na entrevista, que conta com novas perguntas e secções, com uma pergunta mistério do convidado da semana anterior e, ainda, uma grande surpresa.

Esta rubrica foi um dos projetos selecionados pelo Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Barcelos com o título “Barcelenses Inspiradores – do papel para o palco”. Para saber mais detalhes, aceda a este link: https://participe.cm-barcelos.pt/projetos/opb-ref-06-2019/. Este projeto será sujeito a votação, por isso, para nos apoiar, terá que se inscrever até 31 de janeiro na plataforma online, seguindo-se o período de votação online de 7 a 21 de fevereiro. Para esses procedimentos, entre e inscreva-se em https://participe.cm-barcelos.pt/inscricao-no-op-barcelos/.



Bruno Lopes é um músico nascido em Lisboa no ano de 1978, tendo mudado, pouco tempo depois, para a cidade de Barcelos.

Desde cedo se começou a interessar pelas artes, principalmente, pela literatura. Estas fortes influências literárias acompanharam as musicais, na área do Folk, Rock e Blues.

Por volta de 1995, forma os “The Pisces”, grupo com o qual grava dois trabalhos: “Oceans”, editado em 1998, e “Inner Truth”, editado em 2001.

A banda permite a Bruno Lopes o primeiro contacto com o meio musical português. Em 2001, lança doze poemas numa obra intitulada “Escritos”, obra essa que será, mais tarde, gravada em disco no álbum “Escritos”, em 2007. Em 2003, inicia o projeto a solo High Flying Bird, tendo lançado a seguinte discografia: “Songs of freedom” (2003); “Autumn” (2004); “Backyard Desert” (2005); “Escritos” (2007); “Ruas” (2010); “O desassossego” (2013).

Em 10 anos dá cerca de 150 concertos por todo o país nas variadas tours de promoção dos respetivos discos.

Em 2010, com o apoio da Associação Desportiva e Cultural de Manhente e da Junta de Freguesia de Manhente, cria o projeto Guitarras de Manhente: Escola de Rock. Escola de Música localizada na freguesia de Manhente com o objetivo de promover o ensino da música na nossa região e junto das pessoas de todas as faixas etárias e de diferentes classes sociais. Ao tornar o ensino da música mais acessível, ajuda a uma melhor integração social e cultural. As suas aulas são dadas nas instalações da antiga Escola Primária de Manhente. Atualmente, conta com mais de 100 alunos das mais variadas freguesias do concelho de Barcelos, possibilitando a aprendizagem de vários instrumentos, entre os quais, o Canto, Guitarra, Bateria, Baixo, Piano, Violino, Cavaquinho e Ukelele.

A escola rapidamente se tornou uma referência em Barcelos, onde são efetuados concertos regulares, workshops e várias apresentações de cariz social nas escolas do conselho.

Em 2016, cria, com alunos formados nas Guitarras de Manhente, a banda L-Blues. O Folk, Country, Blues e Rock caminham lado a lado na ideologia desta banda. O seu nome faz uma homenagem à mitologia do pacto com o diabo, de Robert Johnson, e da encruzilhada (crossroads) dos Blues. O CD de estreia “L-Blues” foi editado em 2016, o que permitiu à banda percorrer o país durante dois anos.

Em 2018, a banda lançou o novo disco “Vol.2” que foi gravado no AMP Studio com a produção do Paulo Miranda. É um disco de puro Rock N’ Roll e Blues e tem distribuição digital mundial nas principais lojas online: Spotify, Amazon, Itunes, Hmv digital, Googleplay e Soundcloud. O CD físico poderá ser comprado nas lojas Fnac.

Os singles “Outono” e “Ódio de amor” tiveram honras de entrar em muitas playlists de várias rádios nacionais.

A banda vai lançar este ano o 3º disco.



Quem és tu? Conta-nos quem és apenas como tu te conheces.

Eu sou o Bruno. Casado e pai de dois filhos, músico e professor na Escola Guitarras de Manhente: Escola de Rock.

Uma pessoa que gosta de arte, principalmente, de música e de tudo o que a envolve, desde a criação, desenvolvimento e promoção da mesma. Gosto sempre de ter o tempo ocupado, seja a trabalhar, a criar, fazer música, a dar aulas e passar tempo com a minha família.

O que fazes é uma extensão de quem és e do teu propósito de vida?

Sim. O que nos define é aquilo que fazemos por nós e pelos outros.

Fazer música é deixar um legado aos meus filhos e a todos os que me rodeiam de que devem sempre até ao fim acreditar em nós mesmos, nos nossos sonhos e lutar pelos nossos objetivos. Vamos ter sempre, ao longo da nossa vida, pessoas que nos dizem que é difícil fazer algo, mas devemos pegar nessa adversidade e a tornar no nosso objetivo de vida.

Se pudesses ter a atenção do mundo durante 5 minutos, o que dirias ou farias?

Acho que compunha uma canção sobre a paz interior! Acredito plenamente que se não formos felizes com nós mesmos também não fazemos os outros felizes.

A vida é curta demais para não ser partilhada com o resto do mundo.

Qual foi o acontecimento que mais te marcou até hoje?

São muitos, porque o meu percurso de vida sempre foi uma luta e um caminho.

Que não foi feito sozinho, por isso, agradeço à minha esposa por acreditar em mim e por me dar o espaço necessário para ser eu mesmo.

Agradeço também a todas as pessoas que encontrei ao longo da minha vida e que contribuíram para eu ser o que sou hoje.

Mas há três momentos específicos que me marcaram e foram um ponto de viragem na minha vida! Passo a numerar:

– A primeira vez que tomei consciência do poder da música. Foi aos 6 anos, ao assistir na televisão, com a minha mãe, ao filme “Hard´s Day Night”, dos Beatles, e de lhe perguntar porque as pessoas gritavam tanto.

– O nascimento dos meus filhos!

– A criação e o desenvolvimento das Guitarras de Manhente: Escola de Rock.

Curiosidades do Convidado

Qual é o teu livro preferido? E o teu filme?

Livro: “No One Here Gets Out Alive”. A primeira biografia de Jim Morrison, vocalista e letrista da banda rock norte-americana The Doors.

Filme: “Forrest Gump”, um filme norte-americano de 1994, dirigido por Robert Zemeckis, com Tom Hanks.

Qual foi a viagem que mais te marcou?

A viagem de Lua de Mel à Madeira.

Que viagem de sonho ainda pretendes realizar?

Adorava ir aos Estados Unidos da América. “Home of the free and the brave”.

Qual é a tua atividade de tempo livre preferida?

Ler, escrever música e ver filmes.

Qual é a tua maior habilidade?

Tocar Guitarra!

O que seria para ti um dia perfeito?

Um dia perfeito seria fazer a minha família feliz e compor a música perfeita.

Diz-nos um barcelense e um não barcelense que te inspirem e porquê.

Na verdade, quem me inspirou e ainda me inspira em Barcelos são todos os músicos Barcelenses da minha geração e da nova geração. Porque é preciso força e coragem para fazer arte na nossa cidade, e, quanto mais os artistas forem apoiados, mais a nossa cidade enriquece e se desenvolve.

De igual modo e muito sinceramente, quando vejo alguém que luta em prol da arte essa pessoa me inspira, por isso, faço a minha homenagem aos poetas, músicos, agentes culturais, promotores artísticos e políticos que apoiam o desenvolvimento artístico no nosso país.

Pergunta mistério do convidado da semana anterior, Nuno Calçada Loureiro

Se tivesse a possibilidade de alterar as coisas, tendo em conta a cidade e/ou sociedade barcelense, o que alteraria de imediato e o que ficaria imutável no tempo?

Tentaria descentralizar culturalmente a nossa cidade. É um processo que acredito que está a ser feito e deve ser feito aos poucos, porque é preciso educar as pessoas a irem aos teatros, aos eventos musicais e culturais. Acredito que há muitas pessoas com vontade em fazer muitas coisas a nível artístico e cultural nas suas freguesias, mas que, por vezes, não são apoiadas, por falta de conhecimento ou vontade, tanto pelas suas entidades locais, quer pela população geral. Em Manhente, por exemplo, tive a sorte de ter um apoio incondicional da população, da Junta de Freguesia e da nossa Associação Cultural e Desportiva de Manhente.  Leva tempo e dedicação, mas os resultados aparecem. E é esse desenvolvimento que tornaria imutável. Uma sociedade rica culturalmente é uma sociedade desenvolvida.

Uma mensagem* inspiradora…

Deixo o poema da Florbela Espanca, “O Que Alguém Disse”, do livro “Livro de Soror Saudade“.

“Refugia-te na Arte”, diz-me Alguém

“Eleva-te num voo espiritual,

Esquece o teu amor, ri do teu mal,

Olhando-te a ti própria com desdém.

.

Só é grande e perfeito o que nos vem

Do que em nós é Divino e imortal!

Cega de luz e tonta de ideal

Busca em ti a Verdade e em mais ninguém!”

.

No poente doirado como a chama

Estas palavras morrem… E n’Aquele

Que é triste, como eu, fico a pensar…

.

O poente tem alma: sente e ama!

E, porque o Sol é cor dos olhos d’Ele,

Eu fico olhando o Sol, a soluçar…

.

* Nota: Mensagem em latim significa mens agitat molem, ou seja, “o espírito agita a matéria”.

Por: Sandra Santos (Poeta e Tradutora) e Iara Brito (Criminóloga)*.

(* A redação do artigo é única e exclusivamente da responsabilidade das autoras)

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