Barcelenses Inspiradores: Cátia Cardoso

Setembro 7, 2019 Atualidade, Concelho, Cultura, Entrevistas, Opinião

A rubrica Barcelenses Inspiradores tem dado a conhecer figuras barcelenses que, pelo seu modo de vida, ideações, conquistas, trabalho e talento, deixam-nos a todos orgulhosos. Esta semana damos a conhecer a investigadora Cátia Cardoso.

Se tiver interesse em participar ou em sugerir alguém inspirador para esta rubrica, escreva para o e-mail: barcelensesinspiradores@outlook.pt.



Cátia Cardoso nasceu em 1994 e é natural de Barcelos. Licenciada em Gestão do Património (2016) pela Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto. Pós-graduada em Comunicação, Arte e Cultura (2017) pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho. Em 2019, terminou o Ciclo de Mestrado em Património, Artes e Turismo Cultural pela Escola Superior de Educação do P. Porto com a tese cujo o tema era “Memória e Identidade: Novos Paradigmas da Olaria e Figurado de Barcelos”. Em 2018, integrou a equipa de Investigadores Estudantes do INED – Centro de Investigação & Inovação em Educação da ESE|P.PORTO num projeto dedicado à cerâmica – “Cerâmica: Memórias, Matérias e Modos – património material e imaterial” (Grupo de investigação: Cultura, Artes e Educação). Tem desenvolvido os seus trabalhos de investigação e dissertação em temas relacionados com a Olaria e o Figurado de Barcelos, os meios tecnológicos e sociais. Hoje prepara-se para se candidatar a Doutoramento na mesma área de intervenção: a Olaria como um símbolo de identidade nacional.



Quem és tu? Conta-nos quem és apenas como tu te conheces.

Quem sou? Como me conheço? Sou uma amante das artes, da cultura, das cores, da pintura, da escultura, das paisagens, do património, da natureza. Reinvento-me todos os dias…sinto que sou uma Cátia diferente todos os dias! Por vezes, questiono o meu próprio conhecimento, mas sei que a minha essência continua lá. Tem dias que sinto que posso ser tudo. No meu círculo familiar e de amizades sou dedicada e atenta. Comigo própria sou sempre alerta, perfecionista e exigente – mas faço disso um ideal de vida. Deposito um pouco de mim em tudo o que faço.

O que fazes é uma extensão de quem és?

Claro que sim, sem qualquer dúvida – como disse, sou sempre eu em todas as minhas tarefas, sejam elas a nível profissional, pessoal ou académico. Pretendo deixar uma marca, quanto mais não seja de “uma chamada de atenção” para o que realmente é importante. Sei que as pessoas me veem exatamente assim, por extensões (e acho que as separo muito bem), em diferentes situações e momentos, no entanto, quero que me reconheçam como sendo sempre eu própria. É difícil adaptarmo-nos a todas as situações e por isso sei que a vida é um processo de descoberta, de aprendizagem, diria mesmo.

De que forma impactas a vida do próximo?

Isso de impactar pode ser entendido de várias formas, será sempre trabalhoso impactar a vida dos outros, principalmente de outros que me possam ser mais distantes. De qualquer forma, trabalho para isso – o próprio trabalho que realizo em relação ao Figurado de Barcelos e à Olaria é sempre visto, por mim, como uma forma de chegar à sociedade, ao próximo, aos próximos recetores de um legado Barcelense tão precioso e “recentemente” classificado e reconhecido. É isso que quero que entendam, que a cultura e o património cultural, em constante mudança, influenciam a nossa identidade.

Se pudesses ter a atenção do mundo durante 5 minutos, o que dirias ou farias?

Em cinco minutos podemos dizer muita coisa e certamente alertaria para a consciencialização cultural, para a sustentabilidade da Cultura (a sustentabilidade não está só associada ao meio ambiente), para a preservação da cultura e das tradições que definem o nosso País e a nossa Cidade. É para isso que tenho trabalhado ao longo do meu percurso académico – é preciso que mais gente se preocupe com o que é realmente nosso, com o que é de Barcelos e com o que é de Portugal. A nossa Cidade (que cresce todos os dias ao nível dos eventos, por exemplo), precisa de mais quem a valorize, de mais quem a viva e a entenda em todas as suas dimensões. Menosprezamos o nosso património “sem dó, nem piedade”. O que será da nossa história sem as nossas marcas, sem o nosso trabalho, sem o nosso interesse, sem a tradição, o popular e o cultural? Fica a questão…

Ao longo da tua vida, quem foram algumas das pessoas que mais te influenciaram?

Em 25 anos…destaco a minha família! Pelo apoio e, claramente, pelo incentivo em seguir os meus sonhos. Recordo-os a eles por não me julgarem por não ter feito a Faculdade em Direito, Engenharia ou Medicina e optar por um curso que me preenche e que sei que um dia me dará voz – esta foi uma escolha que sempre entenderam e sei que da qual têm muito orgulho. Alguns professores, que ao longo do meu caminho acreditaram em mim e me fizeram crescer a todos os níveis. E a alguns amigos, que apesar de poucos, estão (e estiveram) presentes em todas as minhas conquistas.

Atualmente, que figuras de influência tomas como exemplo?

Tantas…é quase impossível escolher uma – gosto de personalidades fortes e que me inspirem a ser melhor. Em Portugal, admiro o trabalho de alguns artistas plásticos, curadores, o trabalho de alguns profissionais da museologia e das artes…

Diz-nos um barcelense que te inspire e porquê.

Tal como na questão anterior, será difícil escolher só um…no geral e dado o meu último trabalho de investigação, todos os artesãos de Barcelos, os do Figurado, principalmente, pela inspiração que são, pelo trabalho que desenvolvem…e se tivesse de eleger um ou dois…claro que Júlia Côta é uma figura incontornável no ponto de vista da produção e do conhecimento que carrega, apesar de nunca ter estudado; mas, pelas histórias com que me cruzei, Júlio Alonso e João Ferreira são realmente duas pessoas das quais dificilmente me esquecerei.

O trabalho dos artesãos de Barcelos é importantíssimo, na medida em que são eles que guardam a tradição, carregam-na, prontos a transmiti-la. Mas falta ainda muito quem se possa interessar por ela. O trabalho que desenvolvem, certificado em muitos casos, comporta a história de uma região, assim como as vivências que lhe estão associadas…Temos bons Barcelenses “guardiões” de Tradição e Cultura.

Como gostarias de ser recordada?

Como alguém feliz! Como alguém que lutou para fazer a diferença por aquilo que também é seu por direito, por sucessão – o legado do Artesanato Barcelense e os seus enredos. A imaterialidade é de quem a vive e eu sei que tive a sorte de a ter vivido. A matéria ficará por cá para contar novas histórias no futuro. Gostava de ser recordada como alguém que sempre fez e faz o que gosta, como uma lutadora atenta! Mas mais do que ser recordada, gostava que se recordassem da emergência em preservar o nosso Património .

Por: Sandra Santos (Poeta e Tradutora) e Iara Brito (Criminóloga)*.

(* A redação do artigo é única e exclusivamente da responsabilidade das autoras)

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