Barcelenses Inspiradores: Cristiana Sá

Outubro 5, 2019 Atualidade, Concelho, Cultura, Entrevistas, Opinião

É a vez de conhecermos o trajeto pessoal e profissional da professora Cristiana Sá, que tem privilegiado a Arte no seu serviço de docência.

Se tiver interesse em participar ou em sugerir um barcelense inspirador para esta rubrica, escreva para o email: barcelensesinspiradores@outlook.pt.



Cristiana Sá nasceu a 22 de setembro de 1980. Licenciou-se na área de Professores do 1º e 2º ciclo do Ensino Básico, variante Educação Visual e Tecnológica, e tirou o mestrado em Gestão Artística e Cultural pela Escola Superior de Educação de Viana do Castelo.

Iniciou o seu percurso profissional no ensino regular e, nos últimos anos, tem desenvolvido projetos na promoção da inclusão social de grupos mais vulneráveis na sociedade através da Arte. Neste momento, é professora de Artes Plásticas no CAO da APAC (Associação de Pais e Amigos das Crianças) e é coordenadora do Projeto “Artes Sénior”. desenvolvido através do Pelouro da Ação Social do Município de Barcelos.



Quem és tu? Conta-nos quem és apenas como tu te conheces.

Para mim é difícil definir-me exatamente como sou. Sinto que, mediante diferentes situações, tenho reações e formas de estar distintas. Contudo, há caraterísticas que identifico como mais vincadas.  Sou uma pessoa muito emotiva e reservada, no entanto, sou muito determinada e persistente nos meus objetivos e convicta relativamente aos valores em que acredito e que defendo. Sou um ser humano com qualidades e defeitos como qualquer outro, mas faço por sobrepor o meu lado positivo ao negativo.

O que fazes é uma extensão de quem és?

Naturalmente, tudo o que faço é uma extensão daquilo que sei e sinto, tanto no plano profissional, como pessoal. O meu conhecimento e os meus sentimentos estão intimamente ligados à minha forma de estar, às minhas criações e, no fundo, a todo o trabalho que desenvolvo. A Arte em todas as suas formas de expressão tem o poder de espelhar a essência da alma, exprimir sensações, emoções, ideias, e neste sentido tudo o que faço será sempre o reflexo daquilo que sou e sinto naquele momento.

De que forma impactas a vida do próximo?

Nos últimos anos, tenho desenvolvido vários projetos de intervenção na área social através da Arte, nomeadamente, com pessoas com deficiência e seniores. Sinto que a partir destes trabalhos, a questão do “Outro” está muito presente e é o foco onde incido a minha maior preocupação. O que posso fazer para melhorar a vida destas pessoas? Tenho cada vez mais consciência de que tudo o que faço só faz sentido se trouxer mais-valia à vida do “Outro”. Mais do que colocar a minha “Arte” ao serviço dos “Outros”, coloco a minha pessoa ao serviço do “Outro” através do respeito, da amizade, do carinho e da dedicação na esperança de fazer a diferença com pequenos gestos.

Se pudesses ter a atenção do mundo durante 5 minutos, o que dirias ou farias?

É um pouco difícil não cair no clichê de apelar para a Paz, mas penso que com pequenos gestos diários e vontades políticas todos temos o poder de modificar a sociedade e, consequentemente, ter um mundo melhor. Alertaria para as questões sociais e culturais e para a aliança que se pode fazer entre elas no combate às desigualdades, pobreza e exclusão. A Arte possui um poder incrível de aproximação das pessoas e, pela minha experiência profissional com grupos mais vulneráveis da nossa comunidade, tenho verificado que projetos e iniciativas de inclusão pela arte são uma mais-valia na vida de muita gente que está em situações de vulnerabilidade económica, social e educacional. Criar oportunidades de participação para todos é, sem dúvida, uma emergência social que temos de ter presente. A dignificação da vida humana pela vertente cultural é o meu ponto de ordem e é o que me impulsiona para o desenvolvimento do meu trabalho.

Ao longo da tua vida, quem foram algumas das pessoas que mais te influenciaram?

Todas as pessoas que passam na minha vida me influenciam. A minha família, os meus amigos, os meus alunos e todas as pessoas que interagem comigo, todas me influenciam em diferentes situações e todas elas são importantes na minha formação enquanto pessoa. Nos últimos anos tenho conhecido pessoas simplesmente maravilhosas que me incentivam e influenciam para fazer cada vez melhor. Os meus alunos seniores e os meus alunos da APAC são, sem sombra de dúvida, as pessoas que mais me influenciam neste momento, no sentido de constantemente me desafiarem a superar barreiras e a constantemente me reinventar como pessoa e profissional. Mais do que ensinar, tenho aprendido imenso e sinto que descobri capacidades e fragilidades que me fizeram crescer em todos os aspetos.

Atualmente que figuras de influência tomas como exemplo?

São várias as pessoas que tomo como exemplo pelo seu trabalho, impacto social e ações que desenvolvem em diferentes áreas. Confesso que não tenho uma admiração concreta por nenhuma pessoa, extraio o que me chama à atenção e assimilo o que me pode servir como linha orientadora no meu percurso, tanto profissional, como pessoal. Contudo, a história de vida de Frida Kahlo é simplesmente inspiradora…As barreiras que se lhe colocaram na vida não foram obstáculo para realizar uma obra notável!

Diz-nos um barcelense que te inspire e porquê?

Não me posso limitar a referir somente um nome, porque seria injusta. Confesso que toda a nossa comunidade artística popular é uma fonte de inspiração. Nos últimos anos, tenho-me focado mais na nossa cultura e no nosso património e essa inspiração revela-se nos trabalhos que desenvolvo, principalmente, nos projetos que desenvolvo. Neste momento, sinto que todos os artesãos barcelenses têm sido uma grande inspiração e têm contribuído para o desenvolvimento do meu trabalho. A minha abordagem à cultura local nos projetos que desenvolvo advém do orgulho que nutro pelo que é nosso e pelo que nos identifica e carateriza. Penso que devemos começar por valorizar as nossas raízes e tradições e dar-lhes visibilidade para valorização da nossa cultura e identidade. Temos de começar pela sua divulgação e valorização e é esse o meu principal objetivo profissional: contribuir para a preservação da nossa identidade local.

Como gostarias de ser recordada?

Não tenho qualquer pretensão sobre a forma como serei recordada. Apenas serei recordada como as pessoas me conseguiram percecionar, poderá ou não corresponder à realidade, mas isso fica à responsabilidade de quem avaliar o meu percurso. Apenas pretendo fazer o meu caminho e dar o meu contributo de forma significativa para a valorização da nossa cultura e cooperar no combate às desigualdades sociais, contribuindo para uma sociedade melhor. Apenas faço o melhor que posso e sei; a forma como serei recordada…logo se verá! Mas sem dúvida que se tiver contribuído para divulgar a nossa cultura e tiver contribuído para melhorar a nossa sociedade, irei daqui satisfeita.

Por: Sandra Santos (Poeta e Tradutora) e Iara Brito (Criminóloga)*.

(* A redação do artigo é única e exclusivamente da responsabilidade das autoras)

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