Barcelenses Inspiradores: João Henrique Correia

Setembro 13, 2019 Atualidade, Concelho, Cultura, Entrevistas, Mundo, Opinião

A semana passada apresentámos a investigadora Cátia Cardoso. Esta semana será a vez de conhecermos João Henrique Correia, o conhecido músico barcelense. Se tiver interesse em participar ou em sugerir alguém inspirador para esta rubrica, escreva para o email: barcelensesinspiradores@outlook.pt.



João Henrique Correia, também conhecido como Art Breaker, tem 29 anos e nasceu em Barcelos. Técnico de Planeamento de profissão e apaixonado pela música. Já foi atleta sénior do Basquete Clube de Barcelos e, na música, trabalhou com alguns dos nomes mais altos do Rap em Portugal, tendo já pisado os maiores palcos da música portuguesa.



Quem és tu? Conta-nos quem és apenas como tu te conheces.

Nascido a 12 de fevereiro de 1990, um jovem que sempre teve objetivos claros onde quer que passou e por onde a vida me levou, tanto no desporto, como na música. Sou uma pessoa descontraída, apaixonada pela vida, solidário com quem realmente necessita, entre muitas outras virtudes e, claro, defeitos.

O que fazes é uma extensão de quem és?

Concordo. Tudo que nos acontece na vida vem sempre com um propósito! Em 2005, o meu avô faleceu e nunca consegui seguir em frente, sentindo sempre a ausência dele, levando comigo para todo o lado. No pensamento, no nome, no rosto, no coração e até em duas tatuagens. Em 2012, a vida também me pôs à prova para saber se era de “matéria forte”: dois dias depois de ter doado medula óssea, a 15 de dezembro, é-me diagnosticada uma doença autoimune no sistema neurológico, chamada esclerose múltipla. Muitas vezes me perguntam se tenho dores, se consigo viver com ela e até como lido com ela. Que remédio tenho eu que lidar bem com ela, não é? Já se tornou parte da família. 

De que forma impactas a vida do próximo?

Desde muito jovem, olhava sempre para os mais velhos como exemplos a seguir. Olhava para o meu avô materno, que veio de famílias humildes e o pai falecendo muito novo, teve que lutar pelos seus sonhos, construindo uma carreira de sucesso, profissionalmente, e uma família de valores com mulher e duas filhas, ou até mesmo o meu pai, um jovem que com 18 anos se manda para Beja, para a Força Aérea, e hoje em dia é uma das pessoas mais influentes da justiça nacional, tendo já sido aclamado de “Cristiano Ronaldo da Anticorrupção” pelo Correio da Manhã. Não poderia ter melhores valores, não é? Levei os valores que ambos me ensinaram para todo o lado, tanto no desporto, enquanto atleta do Basquete Clube de Barcelos, como na música, como sendo o “Art Breaker”. Cruzei-me com grandes jogadores, muitos deles eram meus ídolos quando mais jovem, mas mantive sempre a humildade que me ensinaram. Assim como na estrada, nos concertos com os mais diversos artistas! Desde Sam The Kid, Dealema, Richie Campbell, Valete, entre muitos, muitos outros. Foi uma caminhada muito bonita enquanto durou…

Se pudesses ter a atenção do mundo durante 5 minutos, o que dirias ou farias?

Dizia para aproveitarem a vida ao máximo, cada minuto, cada segundo, da melhor maneira! Arrependo-me de bastante coisa no meu passado, de coisas que não fiz, de coisas que não disse e a quem não disse! Apercebi-me disso aquando do diagnóstico da minha doença. Encontrei muitos “amigos”, que em vez de me ajudar, deitavam-me abaixo. Patrões que não souberam lidar com a minha doença, nem tão pouco saber entendê-la…a esclerose múltipla nunca foi, nem é, nem nunca será, um problema para mim. Mudar, mudaria a mentalidade das pessoas!

Ao longo da tua vida, quem foram algumas das pessoas que mais te influenciaram?

Na minha família, o meu avô materno e o meu pai. E para quem me conhece bem, o amor da minha vida…a minha avó materna! Na música, a vida fez-me juntar, tanto profissionalmente, como na amizade, três grandes pessoas: Fuse, dos Dealema; Zulu, dos Quartel 469; e o DJ Flip, também dos Quartel 469! O Nuno (ou Fuse, como preferirem), é como se fosse um irmão mais velho! Tive o prazer de ter trabalhado e acompanhado na sua “Caixa de Pandora”! O Zulu é, basicamente, como se fosse o meu “Guru”, tanto no Rap, como na vida do dia a dia, tendo sempre bons conselhos e palavras que irei levar para toda a vida! O Flip, como um irmão! Um grande DJ, um grande fotógrafo, mas acima de tudo, um coração do tamanho do universo!

Atualmente, que figuras de influência tomas como exemplo?

Atualmente, tenho como figura a minha avó! Uma mulher com 79 anos que já percorreu meio mundo e nunca pára! Desde Rússia aos Estados Unidos, passando pela Índia, Síria, Israel, entre muitos outros países pelo mundo fora. É um exemplo para os mais novos e deixa aquele sentimento de “quando for mais velho quero ser como ela…”

Diz-nos um barcelense que te inspire e porquê.

Hugo Vieira! Não tenho dúvidas disso! Um jovem de uma família humilde, vindo de Galegos, que já passou por muito, mas tem sempre aquele sorriso na cara que o caracteriza! Já tive o prazer de me cruzar e de estar algumas vezes com ele, e reparar que tem um coração tão, mas tão grande, que não há como descrever!

Como gostarias de ser recordado?

Como um gajo porreiro! Não pedia mais que isso…

Por: Sandra Santos (Poeta e Tradutora) e Iara Brito (Criminóloga)*.

(* A redação do artigo é única e exclusivamente da responsabilidade das autoras)

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