Barcelenses Inspiradores: Nuno Calçada Loureiro

Janeiro 11, 2020 Atualidade, Concelho, Cultura, Entrevistas, Opinião

Em 2020, iniciamos a 2ª edição da rubrica com um convidado de enorme mérito pessoal, curricular e profissional. Falamos do músico, maestro, professor e investigador Nuno Calçada Loureiro.

Se tiver interesse em participar ou em sugerir alguém inspirador para esta rubrica, escreva para o e-mail: barcelensesinspiradores@outlook.pt.

Nesta 2ª edição, temos várias novidades, entre elas, na entrevista, que conta com novas perguntas e secções, com uma pergunta mistério do convidado da semana anterior e, ainda, uma grande surpresa.



Esta rubrica foi um dos projetos selecionados pelo Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Barcelos com o título “Barcelenses Inspiradores – do papel para o palco”. Para saber mais detalhes, aceda a este link: https://participe.cm-barcelos.pt/projetos/opb-ref-06-2019/. Este projeto será sujeito a votação, por isso, para nos apoiar, terá que se inscrever até 31 de janeiro na plataforma online, seguindo-se o período de votação online de 7 a 21 de fevereiro. Para esses procedimentos, entre e inscreva-se em https://participe.cm-barcelos.pt/inscricao-no-op-barcelos/.



Nuno Calçada Loureiro nasceu no Porto, em 1976, é casado e tem 2 filhos. Reside em Barcelos desde o seu casamento, em 2009.

Licenciou-se em Engenharia Mecânica pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, instituição onde obteve também o grau de Mestre em Design Industrial. Através do Programa MIT-Portugal doutorou-se em Líderes para Indústrias Tecnológicas pela Universidade do Porto, Universidade do Minho e Universidade de Lisboa.

Atualmente, é docente do Instituto Superior de Entre Douro e Vouga (ISVOUGA), onde é coordenador da Licenciatura em Engenharia de Produção Industrial e Presidente do Conselho Técnico-Científico. É, também, investigador integrado no Laboratório Associado de Energia, Transportes e Aeronáutica, onde se dedica ao I&D de materiais e tecnologias sustentáveis. Membro Sénior da Ordem dos Engenheiros; atualmente, é membro diretivo do Colégio Regional de Engenharia Mecânica.

Desde novo, iniciou o estudo de música. Primeiro, na escola de música LAMIRÉ, onde estudou piano, flauta de bisel e percussão orff, prosseguindo os seus estudos no Conservatório de Música do Porto, onde estudou Flauta Transversal, Piano, História da Música e Acústica Musical. No Conservatório, integrou a Big Band de Jazz e a Orquestra Clássica, onde chegou a ser solista.  Prosseguiu os estudos de música, ingressando na Escola Diocesana de Ministérios Litúrgicos, transferindo-se posteriormente para o III Curso Nacional de Música Litúrgica, onde estudou direção coral.

Participou em várias master classes, nomeadamente, de Flauta Transversal (Prof. Jorge Caryevchi), Música Natural (Maestro David Porcelijn), Direção de Orquestra (Maestro Florin Totan), Canto Gregoriano (Prof. Dr. Johannes Göeschl) e Direção Coral (Maestro Jorge Matta).

Pertenceu ao Orfeão Universitário do Porto, à Tuna de Engenharia da Universidade do Porto e ao Coral de Engenharia da Universidade do Porto. Com o Coral de Engenharia, obtém o 3º lugar no 50º Festival Internacional de Música para Jovens em Neerpelt – Bélgica.

Foi diretor fundador do Coro da Catequese da Igreja Paroquial de Santo Ildefonso e diretor do Coro da Igreja de Santo Ildefonso. Foi também o Diretor Artístico dos Jovens Flautistas do Porto.

É o diretor do Coro da Colegiada de Barcelos desde a sua fundação, em 2016.



Quem és tu? Conta-nos quem és apenas como tu te conheces.

Eu sou o Nuno Loureiro. Desde novo que me dividi entre duas paixões: a ciência e a música. Considero-me uma pessoa simples, honesta, otimista e facilmente crio empatia com as pessoas com quem convivo (em parte, fruto dos 22 anos em que fui escuteiro). Adoro esta dicotomia ciência/música, que me permite deslocar-me de uma área matemática e objetiva para uma área artística e subjetiva. Sou um sonhador e detesto quando existe a falha aos compromissos e às responsabilidades, quer minhas, quer das pessoas que me rodeiam. Tento sempre encontrar e desenvolver o melhor das pessoas.

O que fazes é uma extensão de quem és e do teu propósito de vida?

Obrigatoriamente. O ensino, a ciência e a música mantêm a minha vida equilibrada e proporcionaram-me momentos de grande alegria que recordo regularmente.

Encontro a realização quando vejo o sucesso dos meus alunos, a aplicação da minha investigação ou quando o coro que dirijo faz alguém sentir-se tocado pelas sensações transmitidas.

Se pudesses ter a atenção do mundo durante 5 minutos, o que dirias ou farias?

Na nossa sociedade que cada vez mais se transforma numa sociedade egocêntrica e sem valores humanos, 5 minutos seria pouco tempo para dizer tudo o que penso.

Precisamos de olhar para nós próprios e encontrar o dom da gratuidade.

Hoje em dia, tudo tem um preço. Até o voluntariado tem um preço. Temos de ser recompensados por tudo. Queremos fama, reconhecimento, status social, dinheiro, poder ou influência.

Torna-se difícil encontrar quem coloque o que sabe fazer em prol da sociedade, sem pedir algo em troca.

Precisamos de ser mais auxiliadores….

Também precisamos de não ter vergonha em defender de uma forma consciente os nossos valores que são originários de uma matriz cristã de respeito pela vida, pela diferença e pela igualdade, e também de não ter vergonha de afirmar publicamente que são estes valores pelos quais orientamos a nossa vida.

Qual foi o acontecimento que mais te marcou até hoje?

É difícil de elencar um único acontecimento. Existem alguns…No campo pessoal, o meu casamento e o nascimento dos meus filhos…No campo profissional, a conclusão do meu doutoramento, que foi o culminar de uma longa jornada…

Curiosidades do Convidado

Qual é o teu livro preferido? E o teu filme?

Livro: A “fórmula de Deus”, de José Rodrigues dos Santos.

Filme: Toda a Saga Star Wars.

Qual foi a viagem que mais te marcou?

As várias que fiz a Roma. A primeira como membro da delegação do Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Católico Português à Canonização de S. Nuno de Santa Maria. As restantes, levaram-me a conhecer os túmulos de S. Pedro e de S. Paulo, as Basílicas Papais, os jardins do Vaticano, a Capela Sistina e Castel Gandolfo.

Que viagem de sonho ainda pretendes realizar?

Ir à Terra Santa visitando os lugares sagrados.

Qual é a tua atividade de tempo livre preferida?

Sem dúvida, a música.

Qual é a tua maior habilidade?

A capacidade de gerir o tempo.

O que seria para ti um dia perfeito?

Todos os meus dias, na sua diferença, são perfeitos, pois são construídos desde o momento em que acordo até ao momento em que me deito de experiências únicas e irrepetíveis.



Diz-nos um barcelense e um não barcelense que te inspirem e porquê.

Existem muitas pessoas que me inspiram pelo que escolher uma vai ser uma tarefa ingrata.

Em primeiro, indico os meus dois filhos que me fazem dar o meu melhor todos os dias.

Como barcelense, destaco o Prof. Doutor António Tomé Pereira. Dono de uma humildade notável, genuíno, é um médico extremamente competente, calmo, atencioso e dedicado. Amante das artes, conjuga em si a ciência, a arte e o amor desinteressado ao próximo, características que o tornam influente sem o querer ser. Não é, portanto, de estranhar todas as instituições e causas de cariz social, humano, artístico e religioso com as quais se encontra envolvido.

Como não barcelense vou destacar o Prof. Doutor José Luís Esteves. Foi meu professor durante a minha formação em Engenharia e acompanhou-me desde que entrei na Universidade do Porto (como caloiro) até que de lá saí (com o grau de doutor). É o meu modelo de professor, próximo, atento, disponível e pronto para transformar uma sala de aula num espaço de discussão e aprendizagem. O professor passou a colega e depois a amigo. Já passámos por muitos episódios juntos (uns bons, outros menos bons), mas em todos eles, desde logo, ressalta a humanidade deste colega, que a todos trata por igual e que desde cedo tomei como modelo para a minha forma de lecionar e de me relacionar com alunos e colegas.

Pergunta mistério do convidado da semana anterior, Sérgio Garrido:

Qual a tua principal virtude e o teu principal “defeito”?

A minha principal virtude: nunca desistir.

O meu principal “defeito”: Pensar que quem está à minha volta está disponível para fazer os mesmos sacrifícios e ter a mesma atitude perante a responsabilidade que eu tenho.

Uma mensagem* inspiradora…

No filme “O Clube dos Poetas Mortos”, o Prof. John Keating abre a aula de literatura inglesa com a célebre frase “Carpe diem. Aproveitem o dia, rapazes. Façam das vossas vidas uma coisa extraordinária.”

É esta a mensagem que deixo a todos os leitores. Façam da vossa vida uma coisa extraordinária, sejam honestos convosco próprios. Divirtam-se, sejam úteis, gratuitos…Não se escondam atrás de preconceitos, vaidades, raivas ou ilusões…

Sejam vocês próprios…deem o melhor de vós em cada situação da vossa vida…E não tenham medo de se comprometerem e de serem felizes e autênticos…

* Nota: Mensagem, em latim, significa mens agitat molem, ou seja, “o espírito agita a matéria”.

Por: Sandra Santos (Poeta e Tradutora) e Iara Brito (Criminóloga)*.

(* A redação do artigo é única e exclusivamente da responsabilidade das autoras)

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