Barcelenses Inspiradores: Ricardo Campos

Junho 13, 2019 Atualidade, Concelho, Cultura, Entrevistas

Eu sou a Sandra Santos, uma jovem barcelense inquieta, que tem como paixões a poesia, a arte, a cultura, a natureza, a espiritualidade e a vida. O meu maior objetivo é evoluir como consciência humana e espiritual, de forma a poder influenciar positivamente o mundo.

O meu nome é Iara Brito, sou barcelense e apaixonada por viagens e desvendar novos locais e culturas. Aprecio a leitura e gosto de observar e aprender sobre o comportamento humano. Como criminóloga, sou uma irremediável questionadora.

Na semana passada, apresentámos a profissional Lurdes Costa, que nos partilhou como a sua história de vida tem gerado um grande e positivo impacto social no concelho de Barcelos. Esta semana será a vez de conhecermos o psicólogo Ricardo Campos.

Se tiver interesse em participar ou em sugerir alguém inspirador para esta rubrica, escreva para o email: barcelensesinspiradores@outlook.pt.



Ricardo Campos nasceu em Gamil, freguesia do Concelho de Barcelos, a 4 de fevereiro de 1975.

Com 7 anos, foi viver um ano para o Egito juntamente com a família, porque o pai dele trabalhava lá na construção civil por intermédio da empresa Soares da Costa.

Voltou e permaneceu em Barcelos até entrar para o ensino superior em 1993, altura em que foi para Coimbra estudar Psicologia.

Após terminar a licenciatura em 1998, regressou a Barcelos e concorreu a uma vaga para o primeiro psicólogo da Casa de Saúde S. João de Deus.

Em 1999, iniciou o Mestrado em Psiquiatria e Saúde Mental na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Já em 2001, foi transferido para a Casa de Saúde S. José, também como primeiro psicólogo e aí iniciou-se um novo projeto de Reabilitação Psicossocial do qual foi o primeiro Coordenador, cargo que desempenha até aos dias de hoje.

Em 2006, integrou o curso de doutoramento em Psicologia Clínica na Faculdade de Psicologia da Universidade de Santiago de Compostela em Espanha.

Há aproximadamente 3 anos foi convidado pelo António Ribeiro para integrar a Comissão Política da Concelhia de Barcelos do CDS-PP, convite que muito o honra e orgulha.

Desde 2003 que faz parte da Comissão de Ética do Instituto S. João de Deus.

Quem és tu? Conta-nos quem és apenas como tu te conheces.

Conhecem-me por Ricardo, um barcelense de gema, nascido e criado na freguesia de Gamil. Aliás, quando me perguntam de onde sou, refiro: de Gamil, Barcelos. Foi nesta aldeia que vivi a minha infância até aos 9 anos e da qual guardo as melhores recordações, não só dos lugares como também das pessoas. Fiz todo o meu ensino inicial em Barcelos. De Gamil fui para a escola Gonçalo Pereira, Escola Gonçalo Nunes, “Escola Comercial” (Alcaides de Faria), Escola do Rio (Secundária de Barcelos) e, posteriormente, fiz o ensino superior em Coimbra, tendo depois seguido os estudos universitários por outras áreas e escolas. Como pessoa, descrevo-me como um indivíduo tranquilo, de gostos simples, que valoriza acima de tudo a família e a sua terra. Sou uma pessoa perseverante, resiliente, de trato fácil, linguagem simples e frontal.

O que fazes é uma extensão de quem és?

Profissionalmente, a minha vida divide-se entre a Casa de Saúde S. José (Instituto S. João de Deus), onde exerço a função de Coordenador do Serviço de Reabilitação Psicossocial, e a prática privada de psicologia clínica em Barcelos. Faço parte da Comissão de Ética do Instituto S. João de Deus, dou um singelo contributo na Comissão Política da Concelhia do CDS-PP de Barcelos e integro a Comissão Alargada da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Barcelos. Estas atividades diversificadas e, por vezes, díspares obrigam-me a manter uma perceção crítica e conhecimento sobre o meio em que me insiro e incentivam-me a ter um sentido ético e científico sobre as coisas. Julgo que estas atividades e interesses se conjugam e complementam e fazem de mim a pessoa que sou. Mais do que serem uma extensão de mim próprio, foram oportunidades que surgiram ao longo da vida e que me enriqueceram como pessoa.

De que forma impactas a vida do próximo?

Como Psicólogo Clínico, o meu grande objetivo é capacitar as pessoas de competências e habilidades que lhes permitam promover mudanças positivas nas suas vidas. É fundamental que as pessoas percebam como os pensamentos, sentimentos, emoções e comportamentos influenciam o dia a dia e as suas vivências. Por outro lado, sempre manifestei interesse pela investigação e, ao longo dos anos, tenho procurado desenvolver estudos na área das perturbações psiquiátricas, na área da reabilitação psicossocial e, na última década, tenho-me dedicado ao estudo do impacto da Fibromialgia na qualidade de vida dos pacientes. Apesar da prática clínica potenciar um impacto direto na vida das pessoas que procuram apoio psicológico, a investigação tem ganhos mais indiretos e diferidos no tempo.

Se pudesses ter a atenção do mundo durante 5 minutos, o que dirias ou farias?

Deixem os vossos egos e necessidades narcísicas de parte e procurem um sentido do bem-comum. A liberdade, a igualdade e a fraternidade serviram de base para a Revolução Francesa mas, em pleno Século XXI, parece estar a ocorrer um retrocesso civilizacional. Fala-se muito em produtividade e pouco em solidariedade, exige-se do Homem aquilo que ele poderá não estar preparado para fazer. Desvaloriza-se o conhecimento científico em prol da dita evolução tecnológica. Os valores civilizacionais atuais centram-se no ter e pouco no ser. Esta poderá ser uma boa altura para refletirmos em conjunto e para fazermos uma inflexão do caminho, caso contrário, restar-nos-á cada vez mais pessoas infelizes, revoltadas e perturbadas.

Ao longo da tua vida, quem foram algumas das pessoas que mais te influenciaram?

Em primeiro lugar, os meus pais. Ambos transmitiram a importância dos valores como o respeito, a humildade, a seriedade e dignidade e a importância do trabalho. O Joaquim e a Lúcia abdicaram de muito de si para proporcionar aos seus filhos uma vida melhor, principalmente, ao nível da formação académica, que eles consideravam ser fundamental.

Em segundo lugar, a minha esposa Alexandra. Sempre foi uma lutadora e sempre procurou fazer o que lhe trazia alegria independentemente do que os outros pudessem pensar. Formou-se em Direito, pós-graduou-se em Fiscalidade, sem nunca ter exercido a Advocacia, tornou-se gestora de uma das maiores carteiras de conselheiras de beleza da Yves Rocher e da Avon a nível nacional, é maquilhadora profissional e faz pinturas faciais. E se amanhã descobrir uma outra vertente/área que lhe traga satisfação pessoal e profissional, então lá a teremos em mais um projeto de sucesso.

Por último, o meu filho Tiago. Na minha formação em Coimbra tive um professor (Vaz Serra) que dizia que um profissional que trabalhasse na área da saúde mental deveria ter 3 grandes qualidades: PACIÊNCIA, PACIÊNCIA e PACIÊNCIA. Assim sendo, o meu filho contribui diariamente para que eu me torne um melhor profissional. Com o seu nascimento, devo reconhecer que me descentrei mais de mim e passei a ver o Mundo com outros olhos. Passei a ter a responsabilidade de deixar um filho melhor para o Mundo.

Atualmente, que figuras de influência tomas como exemplo?

Nenhuma. As pessoas que tomo como exemplo estão próximas de mim e não são influentes.

Diz-nos um barcelense que te inspire e porquê.

Mário Vale Lima. Foi meu professor de Psiquiatria e Saúde Mental na Universidade de Coimbra. Um erudito discreto, um psiquiatra extraordinário e um ser humano ainda melhor.

Como gostarias de ser recordado?

Não gostaria de ser recordado. Não tenho essa pretensão. O meu caminho é para ser feito neste mundo e o meu contributo, pequeno, médio ou grande, é para ser dado enquanto por cá ando. Na hora da morte, seremos todos boas pessoas…

Por: Sandra Santos (Poeta e Tradutora) e Iara Brito(Criminóloga)*.

(* A redação do artigo é única e exclusivamente da responsabilidade das autoras)

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