Barcelos na visão de três voluntárias

Junho 27, 2018 Atualidade, Concelho, Cultura, Mundo, Opinião

Já há muitos meses que moramos aqui, na linda “cidadezinha” de Barcelos. Observamos muitas coisas: as pessoas, a vida urbana, a cultura, os hábitos populares…Eis aqui a nossa opinião sobre algumas características dos barcelenses!



Anete: Todas as vezes que vejo os pares idosos dançar no centro de Barcelos, isso faz-me sorrir e dá-me a sensação que o amor está no ar. Estava à espera de que também os jovens fossem dançar ativamente aos bares, à noite. Mas quando fomos ao Concilium Bar, onde o DJ toca boa música, o local estava cheio de gente e todos estavam de pé, parados, na frente do DJ! Só umas mulheres estavam mover-se um bocado! Eu senti-me como um extraterrestre numa floresta cheia de “homens-árvores”, que não se podiam mover! Por que não dançam?! Por que não se sentem livres de se expressar?! Esta é um síndrome da cidade pequena, onde todos se conhecem e ninguém quer parecer estúpido à frente dos outros? É muito comum, em todos os lados, que os homens sejam mais tímidos para dançar. Ou estarão eles a guardar as energias para o próximo festival ou celebração? Os Portugueses celebram muito aqui! E aquilo de ficar lá parados e mover os olhos já é muito! Só encontrei um rapaz que dançava breakdance e fez uma “batalha de dança” comigo. Eu, pessoalmente, prefiro cooperar com as pessoas que estão a dançar, não fazer uma competição. É tão lindo quando estamos a gostar da música e do movimento do nosso corpo à nossa maneira pessoal.

Apesar disso, os pares idosos inspiram-me muito. Podemos aprender muito com eles. Aquela é a maneira linda de se conhecer um ao outro. Eu vi, também, que os Portugueses expressam-se mesmo através das palavras. Às vezes, falamos muito mas dizemos muito pouco. Um toque pequeno pode ser tudo o que precisamos para demonstrar o que queremos dos outros e resolver os problemas no ar. Com uma dança, articulamos muito mais sentimentos do que o que pode ser colocado em palavras.

Tenho um projeto na cabeça, onde um par, que dançou uma dança de casamento na cerimónia do seu casamento, vai partilhar as suas memórias daquela dança numa entrevista e vai tentar recriá-la uma vez mais. Melhor cenário possível: o par vai poder ser documentado enquanto dançar uma vez por ano.

Se é par casado e gostaria de dançar a vossa dança de casamento, uma vez mais, não perca esta oportunidade e contactem-me pelo e-mail: anete.tambaka@gmail.com.

Gabriella: Até os 19 anos de idade, vivi na minha pequena comuna. Chama-se Monasterace, no sul de Itália, e logo mudei-me para Roma, com uma pausa de 3 meses em Barcelona, e agora estou Barcelos, desde de outubro passado. Depois de tantos anos numa grande cidade, a primeira reflexão que tive foi: “Então, tenho demasiado tempo livre e não estou acostumada. E agora, como é que vou lidar com isso?” Depois, passo a passo, tudo começou a tomar forma. A cidade acabou por ser familiar ao meu olhar, até sentir-me em casa. O tempo é todo necessário, não sobra! É para aprofundar o conhecimento de mim mesma, até fazê-lo devagar, com o meu tempo. Isso é algo que nunca tinha feito, por causa do ritmo rápido da grande cidade, onde, sem querer, acabei por ser contagiada. E, da mesma forma, uma vida mais calma foi essencial para entrar em contacto com Barcelos, a sua gente, as atividades que oferece.

Há uma coisa que sempre adorei: o rio! Acho que é uma das coisas mais lindas e positivas de Barcelos! É um lugar íntimo, calmo, de extrema beleza, um lugar mágico, natural! Aliás, é o lugar perfeito para fugir da cidade e, ao mesmo tempo, ficar e conetar-se a ela. Para já, obrigada Barcelos!

Laura: Quando cheguei a Barcelos, estava cansada das grandes cidades e feliz por morar numa cidade pequena, mas ainda bastante perto de uma linda cidade como o Porto. Morar numa grande cidade, como Milão ou Roma, significa que sair do ponto A e chegar ao ponto B vai demorar, no mínimo, uma meia hora. Significa que as pessoas ao teu redor andam depressa e têm tantas coisas na cabeça, que ser simpático com quem está à beira deles é ainda mais um esforço no dia. Para não falar dos preços das coisas da vida quotidiana.

Em Barcelos, tudo me parece fácil: a cidade é pequena, limpa e linda; posso chegar a qualquer lugar em pouco tempo; encontrei atividades que adoro e consigo fazer, a um preço normal; e consigo, facilmente, decidir o que fazer à noite, porque não há muitas opções entre as quais escolher…

…E é aqui que o sonho da cidade pequenina começa a ser um bocado menos sonho. Eventos culturais e concertos há, mas não acontecem todos os dias. Sem carro, ver um filme no cinema fica um “bocado impossível”. E, a coisa pior, ser vegetariana numa cidade que tem uma cultura culinária muito “carnívora”, não é nada de fácil!

Realmente, ser vegetariana em Portugal não é nada fácil: cada vez que pedes para comer algo sem carne, a maioria das pessoas olha para ti como se fosses uma pessoa “meia louca”, que não tem a consciência das coisas boas da vida. Mas, pelo menos, há restaurantes vegetarianos e vegan em muitas cidades! A opção vegetariana “tristinha” que têm muitos restaurantes aqui em Barcelos não nos dá muita variedade entre a qual escolher! E quando vais a um bar ou ao padeiro, nunca encontras uma “coisinha” salgada que não tem carne, nem peixe (se não queres mais um pão com queijo, que é muito bom mas, depois de um certo tempo, já chega)!

Portanto, querida Barcelos, abre um restaurante vegetariano para todos os turistas e voluntários “meio loucos” que vêm visitar-te!

Por: Anete Tambaka, Laura Truffarelli e Gabriella Riglia*.

(Voluntárias do Serviço Voluntário Europeu em ação no Colégio La Salle e na SOPRO)

* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade das autoras

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