Capítulo 11 – Glúten: afinal o que é?

Maio 9, 2018 Atualidade, Concelho, Cultura, Educação, Opinião
Sara Barbosa

Atualmente, são cada vez mais as pessoas que preferem não incluir o glúten na sua alimentação diária. Mas porquê? Haverá algum motivo credível que as leve a tomar esta decisão? Antes de mais, vou explicar o que é o glúten e onde podemos encontrá-lo.



O glúten é o conjunto das proteínas insolúveis em água que constitui o endosperma da semente de cereais da família das gramíneas. O glúten está presente nos cereais, como o trigo, o centeio, a aveia e a cevada. O milho e o arroz, por exemplo, não o contêm.

A permanente sensibilidade ao glúten é designada por Doença Celíaca, que se traduz numa doença autoimune que ocorre em indivíduos com predisposição genética.

Nesta situação, a ingestão de glúten, mesmo em pequenas quantidades, leva o organismo a desenvolver uma reação imunológica contra o próprio intestino delgado, provocando lesões na sua mucosa que se traduzem pela diminuição da capacidade de absorção dos nutrientes. Apenas a eliminação do glúten da alimentação permite que o intestino regenere por completo da lesão e o organismo recupere. Contudo, se houver reintrodução do glúten, as inflamações regressam e os sintomas reaparecem.

O único tratamento aceite, hoje em dia, consiste numa dieta isenta de glúten (DIG) para toda a vida. A mesma deve ser saudável, diversificada e equilibrada, devendo os alimentos que contêm glúten ser eliminados. Atualmente, existem cada vez mais alternativas culinárias aos alimentos com glúten. Existem algumas farinhas e féculas que podem substituir o glúten como a farinha de amaranto, a farinha de arroz, a farinha de linhaça, a fécula de batata, a fécula de mandioca e a tapioca.

Caso tenha Doença Celíaca, deve procurar alimentos isentos de glúten, prestando muita atenção à leitura do rótulo. Para simplificar consulte a lista de ingredientes permitidos/proibidos facultada pela APC.

Porém, embora se possa fazer uma vida completamente normal, reconhecemos que esta dieta nem sempre é fácil, uma vez que estes alimentos fazem parte do quotidiano de todos e que, apesar de existirem no mercado muitos produtos sem glúten, estes são geralmente mais caros. Mas este problema é perfeitamente superado com alguns ajustes culinários.

Acima de tudo é importante a compreensão e colaboração de todos os membros da família, de forma a dispor soluções práticas para problemas como a alimentação na escola, nas festas de anos, nas viagens, nos restaurantes e noutras situações.

 

Fonte: Associação Portuguesa de Celíacos (APC)

Por: Sara Barbosa*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

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