Caso Maddie – O crime perfeito?

Setembro 12, 2019 Atualidade, Concelho, Cultura, Mundo, Opinião

Capítulo 3 – As perguntas

Iara Brito

A investigação criminal designa-se como o “conjunto de diligências que, nos termos da lei processual penal, se destinam a averiguar a existência de um crime, determinar os seus agentes e a sua responsabilidade, descobrir e recolher as provas, no âmbito do processo”, de acordo com o artigo 1º da Lei 49/2008 de 27 de agosto.



As teorias acerca do que terá acontecido à pequena Maddie são muitas: rapto por um casal sem filhos, rapto para tráfico infantil, rapto por um pedófilo local, acidente, overdose e encobrimento da morte pelos pais, entre outras. A verdade é que, em concreto, nada se sabe da criança, nem existe uma pista de investigação material para ser seguida.

Este desaparecimento foi dos casos mais mediatizados, que mais chocaram os portugueses, que fizeram correr muita tinta e processos em tribunais. Vários meios noticiosos televisivos portugueses apontam que o relacionamento entre os pais de Maddie e o primeiro-ministro britânico possa estar por trás duma imensa campanha politizada, que implicou até audiência papal (Francisco Moita Flores, na RTP a 8 de setembro de 2007). A agência de investigação norte-americana Oakley recebeu 300.000 libras para a investigação e nada de relevante encontrou. Apenas encontrou um feirante com características idênticas às do retrato robot, vindo-se a verificar mais tarde que afinal não era o homem que se procurava. A agência espanhola, Método 3, também não quis ficar de fora. Apesar de o seu Diretor afirmar estar perto da resolução do caso, o passar do tempo veio demonstrar que era tudo uma falácia.

Todo este caso é marcado por singularidades desde a particular mediatização, envolvimento político, angariação de dinheiro, lançamento de livros e consequente proibição de venda…enfim.

Nos últimos capítulos apontei eventuais falhas de investigação como a não preservação da cena do crime, os discursos variados das testemunhas e sobretudo dos pais, as pistas intrigantes e as questões que ficaram no ar. A Scotland Yard continua a investigar este caso, dando-lhe o nome de “Operação Grange”. Aguardamos que a famosa SY traga conclusões mais elucidativas do que aconteceu a esta vítima ao contrário dos “polícias gordos e malvestidos” portugueses (assim descritos pelos britânicos mais críticos).

Sintetizo esta exposição de 3 capítulos nas seguintes questões:

  • Por que as listas entregues pelos amigos britânicos foram alteradas? (na primeira lista, o apartamento 5A não foi vigiado durante 45 minutos (desde as 21:15h às 22:00h), situação alterada na segunda lista)
  • Como, após entrada e saída de tantas pessoas do apartamento 5A, não há marcas de calçado?
  • Porque a cena do crime foi alterada?
  • Por que razão um amigo dos McCann, a certa altura, acusa Murat de ser o homem que viu na noite dos factos a levar uma criança? Será que se pretende acusar alguém para desviar atenções?
  • Por que razão não foram efetuadas análises hemáticas aos gémeos?
  • Quanto a reação de Kate: será que não seria mais provável agarrar-se aos gémeos verificando se se encontravam bem e gritar por ajuda nesse mesmo local ou pedir auxílio por chamada telefónica, não os abandonando, novamente?
  • O casal McCann possui duas versões acerca do que acreditam acontecer com a filha. Ora dizem que a menina está viva, ora pedem às autoridades portuguesas para trazer Krugel ao Algarve em busca do cadáver e dizem que os media “não respeitam uma mãe em luto”;
  • As autoridades inglesas querem que a investigação se socorra de cães, dadas as suas qualidades na deteção de vestígios hemáticos e identificação de odor a cadáver. Mas, mais tarde, quando os resultados da intervenção canina são apresentados, afinal este não é um meio de obtenção de prova tão viável assim;

Pois bem, dizem os leitores que só trouxe perguntas e nada de respostas. E têm razão. Se me perguntam se acredito que a menina está viva? Não. Que foi morta propositadamente? Também não. Que os pais efetivamente acreditam/sabem que a menina está morta? Sim. Que os pais sabem mais do que o que dizem? Sem dúvida! Que há poderes políticos e religiosos envolvidos? Acredito que sim.

Resta agora o leitor colocar a si as questões e refletir. Pessoalmente, um sonho meu seria que fosse dedicado um terço, apenas um terço, dos recursos aos outros casos de desaparecimento como foi dedicado a este.

116 000 – Linha Europeia para Crianças Desaparecidas: quando os pais percebem que seu filho está desaparecido, entram em pânico e o caos instala-se. Este pânico é agravado quando se está num país estrangeiro, longe da sua família e amigos e não se sabe a quem procurar/pedir assistência. Ao contactar a linha 116 000, vão estar em contacto imediato com a organização que oferece apoio e assistência em casos de desaparecimento de crianças nesse país.

Por: Iara Brito*.

Bibliografia

https://nit.pt/coolt/televisao/documentario-da-netflix-insinua-que-os-raptores-de-maddie-sao-os-mesmos-de-joana

Amaral Dias, Gonçalo. 2008. A verdade da mentira. Editora Guerra & Paz.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

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