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Não paguei as minhas dívidas – o que faço agora?

Maio 27, 2020 em Atualidade, Concelho, Economia, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora

No quadro de Pandemia provocada pelo COVID-19, muitos consumidores e suas famílias ficaram com o seu rendimento reduzido e deixaram de pagar os seus empréstimos, face a outras prioridades, como sejam a alimentação e os fornecimentos de eletricidade, gás ou água, que, em muitos casos, foram também ficando por pagar.



Para minimizar o impacto negativo da crise provocada pela Pandemia, nomeadamente no orçamento das famílias, surgiram um conjunto de medidas governamentais que visaram a mitigação deste choque. Ainda assim, muitas famílias não conseguiram assegurar os seus compromissos financeiros e vivem agora uma situação de maior fragilidade, com dívidas que se acumulam.

O que fazer

Muitas vezes, o consumidor, insistentemente pressionado para pagar, acaba, não raras vezes, por aceitar uma renegociação malfeita, que mais tarde também não conseguirá cumprir. Será uma solução a evitar.

Face à perspetiva de incumprimento e demonstrando boa-fé, o primeiro passo a dar será o de procurar uma solução conjunta, no novo quadro orçamental.

Ao tomar consciência do risco de incumprimento, o credor deverá dar início a um procedimento legal, o PARI – Plano de Ação para o Risco de Incumprimento e propor ao devedor um plano de pagamento que se ajuste às circunstâncias que vivencia. Se, porventura, já houver incumprimento, deverá proceder à abertura do PERSI – Procedimento Extrajudicial de Regularização de Situações de Incumprimento, não podendo o credor, desde logo, avançar para via judicial.

O incumprimento contratual acarretará um registo negativo no Mapa de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal, passando a ser considerado cliente de risco e incorrendo ainda em comissões de atraso e juros de mora.

Finalmente, poderá também sofrer de cobrança por parte de terceiros, primeiramente extrajudicial, através de entidade de recuperação de créditos, e depois coerciva, via judicial, ficando sujeito a penhoras, nomeadamente de rendimentos e património.

O que deve evitar

Deve evitar ofertas milagrosas de crédito fácil, do tipo “limpe o seu nome sem pagar as dívidas” ou “resolvemos o seu problema financeiro, mesmo com o seu nome sujo”, pois consubstanciam práticas ilegais e fraudulentas em que não deverá incorrer.

Não ceda também à tentação de pedir dinheiro a agiotas, que costumam fazer uso de meios ilegais para cobrar os juros exorbitantes que aplicam.

Onde pode pedir ajuda

Procure o Gabinete de Proteção Financeira da DECO, que poderá ajudar na mediação com os credores e a procurar o equilíbrio das suas finanças pessoais, ou na informação e orientação económica sobre os créditos*.

A DECO Associação está mais próxima e digital.
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Fotos: DR.

* (* A redação do artigo é única e exclusivamente da responsabilidade da DECO)

Marisa Matias e José Gusmão defendem universalidade e gratuitidade das vacinas para COVID-19

Maio 27, 2020 em Atualidade, Concelho, Mundo, Política port barcelosnahorabarcelosnahora

Eurodeputados questionam Comissão Europeia

A União Europeia associou-se a parceiros mundiais para lançar uma iniciativa de angariação de fundos, denominada Resposta Mundial ao Coronavírus, com vista ao desenvolvimento de testes de diagnóstico, tratamentos e vacinas para a COVID-19.



No entanto, de acordo com Marisa Matias e José Gusmão, eurodeputados do Bloco de Esquerda, “a Comissão Europeia não clarificou se os eventuais resultados desta iniciativa estarão disponíveis, de forma universal e gratuita, a todos os países e cidadãos do Mundo, como se impõe”.

Assim, Marisa Matias e José Gusmão, questionam se “a Comissão Europeia garante que todas as vacinas, tratamentos e testes que venham a resultar da iniciativa de angariação de fundos estarão isentos de patentes e serão disponibilizados a todas as pessoas de todos os países de forma gratuita”. De igual modo, “que medidas tomou a Comissão junto dos parceiros, empresas e instituições participantes para acautelar a universalidade e gratuitidade das vacinas, tratamentos e testes”.

Estes eurodeputados interrogam se “caso esta questão não esteja acautelada, de que forma pretende a Comissão ultrapassar os entraves relativos aos direitos de propriedade industrial”, assim como, “o que foi proposto às entidades participantes na iniciativa” e “em que termos serão compensadas as entidades privadas envolvidas, de forma a não comprometer o princípio do acesso universal.

Por fim, deixam a perguntam sobre “de que forma serão aplicados e distribuídos os fundos obtidos e como serão selecionadas as entidades participantes”.

Foto: DR.

Movimento Doentes Pela Vacinação alerta para a quebra acentuada na vacinação contra doenças graves

Maio 27, 2020 em Atualidade, Concelho, Mundo, Política port barcelosnahorabarcelosnahora

Apesar do Comunicado da Direção-geral da Saúde, ainda durante o estado de emergência, que apelava ao cumprimento do Plano Nacional de Vacinação (PNV) e estabelecia prioridades, “a população não se está a vacinar contra doenças graves como a Pneumonia. O medo e a falta de conhecimento sobre as consequências dramáticas que podem advir deste absentismo são as principais causas para esta quebra na taxa de vacinação”, alerta o Movimento Doentes Pela Vacinação (MOVA), que deixa o apelo: “para que o número de mortes não aumente, é fundamental que se retomem práticas de prevenção. Urge recuperar o tempo perdido e preparar uma eventual segunda vaga de pandemia, apostando na robustez do sistema imunitário de quem está mais fragilizado: pessoas com mais de 65 anos e doentes crónicos”.



Segundo dados, a Pneumonia mata uma média de 16 pessoas por dia, no nosso País. Caso a população não retome rapidamente rotinas como a vacinação contra doenças graves, este número pode aumentar exponencialmente. “É imperativo que as pessoas se sintam seguras e confiantes no regresso aos cuidados de saúde. Só assim conseguiremos recuperar o tempo perdido e preparar uma eventual segunda vaga de pandemia”, defende Isabel Saraiva, fundadora do MOVA. “Embora ainda não haja vacina contra a COVID-19, sabemos que existem muitas outras doenças graves que são preveníveis através de vacinação. Essas, infelizmente, não desapareceram, mas podem, e devem ser, evitadas”, salienta.

O MOVA reuniu recentemente. Entre membros e convidados, foram expressas ideias e preocupações, as bases das missivas a enviar pelo movimento de cidadania ao Ministério da Saúde, ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, à Direção-geral da Saúde e ao Programa Nacional para as Doenças Respiratórias. O MOVA entende que deve ser reforçada a importância da prevenção de outras doenças potencialmente fatais que se podem evitar por vacinação, como é o caso da Pneumonia. Considera, também, urgente que haja uma comunicação assertiva por parte das autoridades. “Explicar à população os riscos que este decréscimo nas taxas de vacinação representa para a saúde pública e preparar infraestruturas e serviços para receber os seus utentes de forma segura, prática e eficaz”.

“Sensibilizar a população, sim, mas já com a possibilidade de concretização. Temos de recuperar o tempo perdido e preparar um futuro que ainda é incerto. No caso da Pneumonia, corremos riscos de mortes, morbilidades e sequelas graves. Para quê arriscar?”, continua a fundadora do MOVA.

Em 2018, a Pneumonia foi responsável 43.4% das mortes por doenças do aparelho respiratório, 5.1% do total de óbitos no nosso País. A maioria poderia ter sido evitada através de imunização.

A proteção dos grupos de risco através de imunização tem vindo a ser defendida pelo Movimento Doentes pela Vacinação, especialistas e associações de doentes, que apelam à gratuitidade da vacina contra a Pneumonia para as pessoas com mais de 65 anos, à semelhança do que já acontece com a vacina da Gripe.

“No caso da Gripe, os efeitos da gratuitidade são reveladores. Tomemos este bom exemplo e repliquemo-lo com a Pneumonia. Só através da vacinação antipneumocócica poderemos reduzir a média de mortes e internamentos”, conclui Isabel Saraiva.

Existe uma norma da Direção-geral da Saúde que recomenda a vacinação antipneumocócica a todos os adultos (idades superiores a 18 anos) pertencentes aos grupos de risco. A vacina é gratuita para as crianças e alguns grupos de risco, embora a eficácia esteja comprovada em todas as faixas etárias. O MOVA apela a que se estenda essa gratuitidade.

Foto: DR.

Feira Semanal de Barcelos volta em pleno amanhã

Maio 27, 2020 em Atualidade, Concelho, Economia, Política port barcelosnahorabarcelosnahora

Normas de acesso e proteção continuam as mesmas

A partir de amanhã, dia 28 maio, a Feira de Barcelos volta a contar com todas as atividades de venda ao público e com todos os feirantes.



Depois da reabertura das atividades de venda de produtos alimentares, no passado dia 7 de maio, a abertura da Feira é, agora, total, depois das restrições impostas pelo Estado de Emergência.

As condições para a reabertura total da Feira foram articuladas com os feirantes e com as respetivas associações e obtiveram a concordância das autoridades de saúde do concelho, que validaram o respetivo plano.

No atual quadro de desconfinamento, mantêm-se as regras de distanciamento social e proteção com máscara, entre outras, de forma a evitar possíveis contágios do vírus COVID-19.

A forma de funcionamento da Feira será semelhante à que foi implementada no dia 7 de maio, com a vedação total do recinto e a existência de quatro portarias, cada uma delas com entrada e saída para feirantes e público em geral. Estas portarias estarão devidamente identificadas e monitorizadas por funcionários do Município e por agentes da PSP.

Para aceder ao recinto é obrigatório o uso de máscara ou viseira e a desinfeção das mãos, sendo disponibilizado desinfetante nas entradas, com doseadores automáticos.

O público deve aguardar a vez de entrada no recinto da Feira, respeitar o distanciamento social e manter a proteção do nariz e da boca.

Por forma a acomodar os cerca de 680 feirantes no Campo da Feira, foram feitos alguns ajustamentos e ocupados espaços antes livres, mas mantendo as vias livres para passagem de viaturas.

A Câmara Municipal vai enviar informação aos feirantes com as recomendações de segurança, tais como: manter a distância de dois metros entre feirantes, ter desinfetantes para uso próprio e para os clientes, se usar luvas deitá-las em saco de lixo próprio, se possível ter apenas uma pessoa no atendimento, lavar frequentemente as mãos e limpar superfícies e objetos.

Fonte e foto: CMB.

Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior visita o IPCA

Maio 27, 2020 em Atualidade, Concelho, Educação, Mundo, Política port barcelosnahorabarcelosnahora

Análise dos desafios que se colocam às IES na retoma da atividade económico e social foi o mote desta visita

O Ministro da Ciência da Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, visitou, ontem, as instalações e os laboratórios do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA), em Barcelos.



Analisar o plano de retoma gradual das atividades letivas presenciais no IPCA, bem como discutir oportunidades e desafios que se colocam às Instituições de Ensino Superior (IES) no contexto de recuperação da economia e da sociedade foram os principais temas em debate.

O Ministro Manuel Heitor frisou o papel determinante das IES, e do IPCA em particular, no processo de recuperação económica, nomeadamente através da oferta especializada e de curta duração que deve ser colocada à disposição da população desempregada ou sem ocupação por força da pandemia provocada pela COVID-19.

Durante a visita, o Ministro teve ainda oportunidade de visitar o Applied Artificial Intelligence Laboratory, onde foram apresentados alguns dos projetos de I&D em curso, bem como os laboratórios de Design, desenvolvimento de produto e de audiovisuais onde presenciou a realização de algumas aulas laboratoriais em contexto presencial.

O professor Manuel Heitor aproveitou o momento, na presença de estudantes, para apelar a que continuem a estudar, sempre em segurança para que “adquiram competências de forma mais sólida através do contacto físico do que apenas na modalidade à distância”.

A Presidente do IPCA, Maria José Fernandes, ressalvou, durante a visita, que o IPCA está preparado para receber os estudantes de forma gradual. “Todas as divisões estão devidamente identificadas, as circulações condicionadas, implementamos o uso obrigatório de máscara e dispensamos as soluções desinfetantes pelas várias divisões”, referiu.

O IPCA retomou, gradualmente, as atividades presenciais desde o dia 18 de maio, e tem para consulta o Plano Operacional para Retorno às Atividades Presenciais no IPCA.

Poderá ver esse plano aqui:

Fonte e fotos: IPCA.

PAN questiona Governo sobre o atraso na regulamentação para casos de declarações de IRS de progenitores em guarda alternada

Maio 27, 2020 em Atualidade, Concelho, Economia, Mundo, Política port barcelosnahorabarcelosnahora

O Grupo Parlamentar do PAN – Pessoas-Animais-Natureza refere, em nota, que “numa altura em que ainda se encontra o correr o prazo de entrega das declarações de IRS, o Governo ainda não procedeu à regulamentação necessária que permitirá efetivamente uma igualdade de tratamento aos progenitores de crianças em regime de guarda alternada”.



Ciente, desta situação, o referido Grupo Parlamentar deu entrada de uma pergunta dirigida ao Ministério das Finanças, no sentido de procurar saber quando pretende o Executivo preencher esta lacuna, de modo a que, nos casos em que as responsabilidades parentais são exercidas em comum por mais do que um sujeito passivo/progenitor, os dependentes possam ser incluídos nas declarações de ambos os sujeitos passivos para efeitos de imputação de rendimentos e de deduções.

“Após várias denúncias recebidas por pessoas lesadas por esta ausência de regulamentação, o PAN vem, desta forma, lembrar o titular da pasta das Finanças, Mário Centeno, de que a atual situação não só é injusta como traz grandes prejuízos nessa sede para os sujeitos passivos/progenitores”, conclui.

Foto: DR.

Conferência online “As Constituições de Anderson – O Livro Fundador da Maçonaria Moderna”

Maio 27, 2020 em Atualidade, Cultura, Mundo port barcelosnahorabarcelosnahora

No próximo dia 29 de maio, pelas 21h30, realiza-se uma videoconferência dedicada ao tema “As Constituições de Anderson – O Livro Fundador da Maçonaria Moderna”, proferida por Salvato Teles de Menezes, que é, entre outras, professor, filólogo, radialista, investigador e autor.



Este evento integra o Ciclo das Grandes Videoconferências da Maçonaria Portuguesa, que “começou no início da pandemia COVID-19, numa altura em que a Maçonaria Portuguesa estava suspensa” e insere-se “numa abordagem de temas maçónicos, através de videoconferências abertas à Sociedade em geral, pela primeira vez em Portugal”, refere a organização.

O Ciclo é organizado pela Grande Loja Simbólica de Portugal e a Grande Loja Simbólica da Lusitânia – Maçonaria Mista Portuguesa, que iniciaram este projeto “com o objetivo de abordar temas maçónicos através de videoconferências abertas à Sociedade portuguesa, pela primeira vez em Portugal”.

Já se realizaram “três conferências com as salas completamente esgotadas, com intervenções muito ricas e desmistificando uma imagem e estereótipo da Maçonaria que não tem haver com a realidade da mesma”, salientam, em nota.

A primeira foi dedicada ao tema “À conversa com Mozart e a Flauta Mágica”, conduzida por Carlos Otero. Seguiu-se “A Maçonaria e a Carbonária”, por José Abranches, e “A Maçonaria e o 25 de Abril”, por Vasco Lourenço.

Para participar nesta próxima videoconferência, basta clicar em um dos seguintes links:

Google Meet: https://meet.google.com/yqe-dukk-hrr

YouTube: https://youtu.be/hocOP42-tN4

Imagem: GLSP.

Obras das instalações provisórias do Mercado Municipal já no terreno

Maio 26, 2020 em Atualidade, Concelho, Economia, Política port barcelosnahorabarcelosnahora

Iniciaram as obras de construção das instalações provisórias do Mercado Municipal de Barcelos, orçadas em 149.000,00€.



A empreitada tem como objetivo acolher os comerciantes enquanto decorre a requalificação daquele espaço comercial, cujas obras estão também a iniciar e têm um orçamento de mais de três milhões de euros.

As instalações provisórias ficam localizadas nas imediações do Mercado Municipal.

Fonte e foto: CMB.

Futebol Popular de Barcelos com competições canceladas e concluídas

Maio 26, 2020 em Atualidade, Concelho, Desporto port barcelosnahorabarcelosnahora

Campeonatos sem campeões, nem despromovidos

Em comunicado datado de hoje, a Associação de Futebol Popular de Barcelos (AFPB) informou que dá por canceladas e concluídas, com efeitos imediatos, todas as provas que estão suspensas, não atribuindo títulos, nem despromovendo clubes.



Decidiu, igualmente, manter válidas as competições terminadas antes da suspensão, irá analisar possíveis compensações e solicitará o agendamento de uma Assembleia-Geral eleitoral, sempre dentro do cumprimento das regras e normas de segurança e distanciamento social.

Segue, na íntegra, o referido comunicado:

«Na sequência do comunicado do dia 12.03.2020, referente à suspensão das competições organizadas pela Associação de Futebol Popular de Barcelos e analisado o contexto e a evolução atual, vem a direção da AFPB informar a seguinte deliberação:

Atendendo que:

. Continuam a não estar reunidas as condições de Saúde Pública para que os clubes possam treinar e competir com segurança;

. Não se perspetiva uma evolução da situação epidemiológica favorável no curto prazo, que permita retomar as competições;

. Que um adiamento para o 2º semestre poderá prejudicar a próxima época desportiva e acrescentar problemas adicionais aos clubes e jogadores;

A direção da AFPB deliberou:

. Dar por canceladas e concluídas, com efeitos imediatos, todas as provas que estão suspensas, não sendo atribuídos títulos;

. Manter válidas as competições terminadas antes da suspensão;

. Não realizar despromoções;

. Continuar a analisar a possibilidade de eventuais subidas de divisão, como forma de promover o mérito desportivo, que ficará pendente do número de equipas inscritas da 1ª divisão ou de uma possível reestruturação dos campeonatos;

. Analisar eventuais compensações financeiras, de acordo com a viabilidade financeira da associação, após o encerramento de contas;

. Diligenciar junto do presidente da Assembleia-geral, a convocação da assembleia-geral eleitoral, prevista para o presente ano, que deverá ser realizada com todas as normas de segurança e distanciamento social, recomendado pela DGS.»

Foto: AFPB (alterada/arquivo).

O inesperado aconteceu

Maio 26, 2020 em Atualidade, Concelho, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora
Cláudia Velez

É com o sentimento de poder ajudar alguém, que hoje estou aqui para vos dar o meu testemunho.

Como já vos contei no artigo anterior, sou enfermeira e estou na batalha da frente a cuidar de doentes com COVID-19. Todos os dias visto os tais fatos de “astronauta”. Gosto de chamar assim, pois parece que vou entrar numa nave espacial e isto dá-me um sentimento de poder, poder ir mais longe, ir além limites, o que sinto muitas vezes.



Dentro do hospital, uso máscara, tento não tocar em nada, exceto o registo biométrico, em que sou “obrigada” a fazê-lo, o que me leva a desinfetar de imediato as mãos com alguma voracidade, pois não sendo visível, tenho a crença que naquele preciso objeto deve estar uma enorme concentração de vírus, todos à espera das mãos dos profissionais. Deixei de utilizar o elevador, uso sempre as escadas até ao 5º andar. Quando termino o turno, tomo de imediato um duche e na minha mente todas as medidas de proteção são aplicadas. Como tenho o privilégio de morar mesmo ao lado do hospital, ando sempre a pé e após alguns metros estou em casa. Antes de entrar em casa, retiro os sapatos, que vão diretamente para a varanda e lá ficam durante toda a noite. Lavo as mãos antes de tocar no que quer que seja, retiro toda a roupa que vai para lavar e lavo novamente as mãos. Esta tem sido a minha rotina desde que tudo isto começou.

A partir do momento em que o meu contacto com doentes com COVID-19 começou a ser diário, senti a enorme responsabilidade, enquanto cidadã, de proteger os outros de mim. Até prova em contrário, somos todos portadores do vírus. Eu, sendo profissional de saúde e estando a fazer parte desta batalha, assumi a responsabilidade de usar máscara, em todos os espaços públicos, para não contagiar ninguém.

Muitos são os sentimentos que invadem a minha mente diariamente, desde o poder errar em algum procedimento no hospital e ficar contaminada, não estar a ser suficientemente cautelosa em casa, mesmo mantendo a distância de proteção, não dormir com o meu marido, não ter contacto físico com o meu filho e marido, familiares e amigos. Mesmo assim, o pensamento “será que estás a protegê-los o suficiente?” é um pensamento permanente.

No entanto, quando menos esperamos, tudo muda. Dia 16 de abril, acordei e percebi que tinha perdido o olfato e o paladar. Após partilhar com alguns colegas e estes me terem incentivado a comunicar à Saúde Ocupacional, fui aconselhada a fazer o teste. E é quando, sem abrires a porta, o inesperado entra mesmo sem ser convidado: o teste deu positivo. Tudo estremece e percebes que, afinal, o vírus também te toca a ti. Sim, tocou-me a mim, mesmo com todas as medidas de proteção, até talvez, por vezes, exageradas, por isso também te pode tocar a ti. Percebi que mesmo com todas as medidas de proteção, estas não foram suficientes, mas uma coisa me deixou muito feliz, o facto de ter decidido usar sempre máscara também no exterior do hospital, fez com que os espaços que eu frequentava com alguma regularidade, desde o supermercado, à frutaria, não fossem sinalizados por terem tido contacto comigo e isso foi algo que me fez perceber a tamanha responsabilidade e dever que temos em zelar pela saúde de todos, é um dever cívico.

E numa fase da tua vida que parece que perdes o chão, eu questiono-me o que eu tenho a aprender com isto. Como em vários momentos de dificuldade que já passei na minha vida, tento sempre ver o lado positivo do que está a acontecer e, muitas vezes, mesmo sem tu procurares, a vida mostra-te isso. Então, percebo que todas as pessoas têm um lado bom, aquele lado da bondade e vêm a mim com atitudes que me confortam a alma e o coração. A senhora da frutaria que me traz fruta e legumes à porta; a senhora do supermercado que disponibiliza de imediato a sua ajuda, tal como o senhor do Takeaway que ajuda a que não tenha de cozinhar em todas as refeições. Alguém especial que se prontifica, mesmo sem pedires nada, a te trazer um complemento para reforçar o teu sistema imunitário, o pão que te chega logo pela manhã por alguém que, dentro de si, sempre teve este lado humano, não esquecendo as conversas telefónicas, mensagens de carinho das pessoas que sabem que as trago no coração.

Após isto tudo, não há outro modo de reagir a esta doença, senão tratá-la com o carinho e amor que eu estou a receber. Deste modo, está tudo a correr muitíssimo bem, o olfato e o paladar melhoraram bastante, mas mais nada além disso. Sinto-me ótima e, acima de tudo, sinto que estou rodeada de amor e carinho e tenho a oportunidade de, hoje, estar aqui e dizer-vos que, após 6 semanas, o teste deu negativo.

Acalma a mente, “rodeia-te” de amor e carinho…sim, porque mesmo com distância, o amor chega até ti.

Fecha os olhos e sente o meu abraço.

Juntos vamos vencer esta batalha, vamos todos ficar bem.

Por: Cláudia Velez* (Coach, Enfermeira e Terapeuta)

Foto: DR.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

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