Deslocados da humanidade

Junho 25, 2017 Atualidade, Concelho, Cultura, Educação, Mundo, Opinião, Política
Raquel dos Santos Fernandes

Desde 2014, no Iraque, aconteceram 38 ataques a escolas e 59 ataques a hospitais. 1075 crianças foram mortas, 1130 foram mutiladas e feridas e mais de 3 milhões não frequentam a escola regularmente. Mais de 5 milhões de crianças necessitam de assistência humanitária urgente!

No mês que em Portugal se assinala o Dia da Criança, a Unicef emitiu um relatório intitulado “Nowhere to go” (“Sem ter para onde ir”), sobre as crianças no Iraque presas em ciclos de violência e pobreza, numa altura em que o conflito atinge níveis sem precedentes. Só nos últimos 3 anos, esta guerra deslocou 3 milhões de pessoas (metade das quais são crianças). As Nações Unidas, dias antes, divulgava que, à escala mundial, o número de crianças a trabalhar atingia quase os 170 milhões: 98 milhões na agricultura; 54 milhões no setor dos serviços e 12 milhões na indústria. A ONG Plan International revela que 10 milhões de crianças trabalham no serviço doméstico em condições de escravidão (aquela prática social em que um indivíduo assume direitos de propriedade sobre outro e que, até na Mauritânia, já foi abolida há mais de 30 anos), escondidas nas casas de luxo dos seus empregadores/exploradores.




Diz-se que a educação é a melhor solução para o fim do trabalho infantil. Concordo! Quem poderia não concordar? Mas não precisaremos nós também de ser reeducados? Nós, sociedade civil, que há muito o sabemos e o ignoramos? Nós, meios de comunicação, que por não estar presente o fator de proximidade não o consideramos relevante para noticiarmos? Nós, classe política, que em 2003 invadimos o Iraque para, usando as palavras de Tony Blair, “libertarmos o povo iraquiano” e que agora permanecemos impotentes?

Dizia ainda, em 2002, Tony Blair a George W. Bush: “Estarei contigo, haja o que houver”.

E agora? Quem está com elas?

Por: Raquel dos Santos Fernandes*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do/a autor/a)

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