Eleições europeias – a voz de Portugal na Europa

Junho 1, 2019 Atualidade, Concelho, Cultura, Mundo, Opinião, Política
Raquel dos Santos Fernandes

Ao contrário do que se registou em Portugal, a afluência às urnas no passado domingo, registou, a nível europeu, um aumento participativo. Se, por cá, a abstenção atingiu números recordes, a nível comunitário, os valores foram os mais baixos dos últimos 20 anos. Por cá, fica a ilação de que ainda temos muito para trabalhar no que toca à consciencialização sobre as decisões que são tomadas no Parlamento Europeu e, acima de tudo, da importância de votar, honrando o direito e a responsabilidade cívica que herdámos. Pela Europa fora, fica a inferência de olhar para o caso português para lá da abstenção.



O projeto europeu enfrenta uma série de desafios. O euroceticismo, sempre de mãos dadas ao populismo, é talvez aquele que mais sobressai destes resultados. Reino Unido, França, Hungria, Itália, Polónia e Roménia…em todos eles, os partidos eurocéticos foram os mais votados. Da Alemanha, da Áustria, de Espanha e da Estónia seguirão também eurodeputados afetos à ideologia eurocética e a desconfiança no poder institucional intensificada pela falta de transparência e pelas dívidas públicas dos Estados, sem esquecer a crise migratória de 2015, transformaram-se em terreno fértil para a deriva populista. Mas não em Portugal! De cá, ouviu-se a esperança de um projeto que ainda é capaz de trabalhar para uma sociedade inclusa, tolerante, justa e solidária. De que somos capazes de realizar ações coletivas em prol da promoção do bem-estar, das liberdades, do desenvolvimento sustentável e do progresso social. Um projeto capaz de lutar contra a exclusão social e a discriminação, de promover o progresso tecnológico e científico e que respeita a diversidade cultural e linguística.

Foi uma voz pequenina, aquela que se ouviu dos cerca de 30% que exerceram o seu direito de voto, mas é uma voz que se ouve. Uma voz diversificada, que veste cores diferentes, mas que diz não à camisola eurocética e que se senta ao lado de Bruxelas.

Por: Raquel dos Santos Fernandes*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

*

Últimas de

Ir Para Cima