Escuteiros de Gilmonde ajudam a limpar zonas afetadas pelos grandes fogos em Penacova

Dezembro 7, 2017 Atualidade, Concelho, Cultura, Mundo

No passado fim de semana “prolongado”, entre 1 e 3 de dezembro, o Agrupamento de Escuteiros 724 – Gilmonde (Pioneiros e Caminheiros), no total de 21 elementos, deslocou-se a Penacova para, de uma forma voluntária e altruísta, ajudar na limpeza de algumas zonas afetadas pelos grandes fogos deste ano, nomeadamente, na União de Freguesias de Friúmes e Paradela da Cortiça.




Os Escuteiros foram, como referido, ajudar na limpeza e reconstrução das áreas afetadas e, nesta freguesia, estiveram nos lugares de Vale Maior, Outeiro Longo e Vale da Chã. Entraram em contacto com o Agrupamento local, o 1079 – Penacova, por forma a obterem e perceberem quais as necessidades locais.

 

De seguida, solicitaram a ajuda de empresas e entidades locais para que colaborassem com eles, doando matérias e ferramentas agrícolas e de construção civil, em falta na região.

Em nota na sua página no Facebook, o Agrupamento 724 deixa um agradecimento à Casa Boavista, Casa Barros, Casa Alves, ACC e Drogaria Zacarias pelas suas ofertas, que foram entregues na junta da União de Freguesias de Friúmes e Paradela da Cortiça. Agradeceram, igualmente, a essa junta “pela sua disponibilidade e ajuda nas refeições e estadia” e, também, à “A.D.R.C de Gilmonde e à Junta de Freguesia de Fornelos pela cedência das suas viaturas para o nosso transporte”.

 

Material oferecido

Entretanto, o Barcelos na Hora contactou Ivo Silva, Chefe do Agrupamento, assim como os chefes Gonçalo Faria e Rosa Gomes, e alguns elementos que estiveram presentes, para contarem, na “primeira pessoa”, o que “trouxeram” desta ação solidária levada a cabo pelo seu Agrupamento.

 

Chefe Ivo Silva (à esquerda)

Sobre o objetivo e o intuito desta ação, o Chefe de Agrupamento, Ivo Silva, referiu que a ida deles lá teve o objetivo de “proporcionar aos nossos escuteiros uma experiência e vivência de ajudarem pessoas que perderam os seus bens, numa tragédia sem igual. E sentirem o impacto de verem, neste caso, a destruição causada pelo fogo, ao vivo, e não apenas pela televisão. Depois, e realmente, fazerem algo para os ajudar, quer na limpeza, quer ‘contagiando’ a aldeia com a sua alegria”, referiu.

 

 

Sobre o que puderam e conseguiram realizar, Ivo Silva salientou que “no primeiro dia, limpámos duas casas que estavam destruídas, casas de segunda habitação, retirando o que sobrou do telhado e demais materiais. Material do tipo telhas, pedras, entre outros, que iam para aterro. E o ferro retorcido pelo fogo, que seria para reciclar. Igualmente, tentámos recuperar alguns pertences das pessoas no meio dos escombros. No segundo dia, de manhã, limpámos um ‘bar’ fluvial (um telheiro de apoio a uma praia) e acabámos de limpar um anexo das habitações do dia anterior. Na parte da tarde, removemos as telhas de uns anexos para reestruturar a estrutura”.

 

 

De uma forma mais intrínseca, este Chefe de Agrupamento trouxe de Friúmes e Paradela da Cortiça “o sentimento e memórias de que a população, apesar do que passou, ainda tem a força de continuar com a vida. Vimos casas já recuperadas, a vida a voltar ao normal, com as restrições que de momento têm. Já têm luz, água e rede móvel, faltando a rede fixa (PT). E que o que vimos na televisão não mostra realmente nada, comparativamente ao que vimos no local. Olhar em volta e ver os montes e vales queimados é impressionante. Foi uma experiência enriquecedora, tanto para mim, como para os restantes elementos que participaram nesta ação de voluntariado nas áreas ardidas”, concluiu.

 




Rosa Gomes foi outra Escuteira que fez questão de participar nesta nobre ação levada a cabo pelo seu Agrupamento. Chefe dos Caminheiros e de Clã, e uma das mentoras da ideia, retratou ao Barcelos na Hora, o que “retirou” desta experiência.

 

Chefes Rosa Gomes (frente) e Cátia Santos

“Senti que tudo aquilo que vimos na TV foi muito pouco comparado à dura realidade. As descrições de quem viveu aquele drama foram tremendas e muito difíceis de descrever. A paisagem está negra até perder de vista, não se vê um pássaro a voar, uma realidade dura. Senti, igualmente, que as pessoas estão com muita vontade de superar a tragédia e que temos que nos manter disponíveis para ajudar na segunda fase de reconstrução que se vai aproximar. Há muito para fazer, árvores para plantar nos terrenos baldios e anexos de casas para ajudar a reconstruir. Também é necessário formar a população e sensibilizar para a necessidade da limpeza e reflorestação dos terrenos particulares, tarefa muito difícil devido à população estar muito envelhecida”, salienta. Sobre o que “trouxe”, Rosa Gomes refere que ”trago de lá o sentimento que fiz parte do meu dever enquanto cidadã e que quero continuar a ajudar. Fica na memória o acolhimento que tivemos e o obrigado das pessoas que nos viram a trabalhar ou que souberam que por lá andámos a ‘deixar’ um bocadinho do nosso tempo”, concluiu.

Também Chefe dos Caminheiros, Gonçalo Faria salientou que estes têm sempre presente o “espírito de servir”. Sobre o local, referiu que, “de facto, é impressionante os quilómetros que se anda onde ainda se sente o cheiro de terra queimada. Na aldeia em que estivemos, os relatos das pessoas disseram-nos que estas sentiram uma total impotência perante um incêndio daquela dimensão. Um senhor disse que o fogo parou quando quis. De realçar a determinação do Presidente da freguesia e o Agrupamento de Penacova para que se consiga voltar a erguer da devastação deste incêndio, onde tiveram a perda de vidas humanas e algumas casas destruídas. A primeira fase de remoção de escombros e limpeza, onde nós participámos, foi dada por concluída neste fim de semana. A próxima fase será a de reabilitação de alguns edifícios e reflorestação. Foram dois dias de trabalho duro mas com o ‘coração cheio’, sem dúvida. Temos que deixar um agradecimento também a quem colaborou com o fornecimento de alguns materiais e cedência de transporte”, terminou.

Chefe Gonçalo Faria (de frente, junto à árvore)




Andreia Miranda [de vermelho na foto de destaque], gilmondense e Caminheira deste Agrupamento, referiu que não sabe bem explicar o que sentiu, pois “o que se vê na realidade é algo que não se explica, talvez dor ou pena. Vim de lá com histórias e vivências de pessoas que ficaram sem nada e viram a terra onde vivem ficar em cinzas. Vim de lá com imagens incríveis na minha cabeça, que mostram que por muito que tenha provocado, quem manda é a natureza e nenhum de nós consegue parar. Mas, principalmente, cheguei a casa com a certeza que tenho de voltar e que é preciso fazer mais”, terminou.

Já Sara Silva, dos Pioneiros, salienta que sentiu “angústia e pena das pessoas que viviam lá e perderam as suas casas. Consegui perceber a realidade da situação que antes não percebia porque nunca pensei que fosse tão mau. Lembro-me que enquanto estávamos a trabalhar e cantávamos as pessoas sorriam, mesmo depois de terem as suas casas destruídas e verem-nos a tirar as suas coisas queimadas de casa”. O também Pioneiro, Paulo Ferreira, sentiu, igualmente, “tristeza e angústia”, trazendo a “memória de um lugar triste”. No entanto, saiu de lá “com sentimento de esperança que um dia tudo, a seu tempo, irá voltar ao normal”, desejou.




Jantar de Natal do Agrupamento é já dia 9 de dezembro

Entretanto, o Jantar de Natal do Agrupamento 724 – Gilmonde realiza-se já no próximo sábado, dia 9 de dezembro, na sede deste Agrupamento.

Este é um momento muito especial para os Escuteiros de Gilmonde pois têm a oportunidade de reunir a comunidade escutista (escuteiros, famílias e amigos) à mesa e, igualmente, no seu salão, para assistirem às apresentações que cada Secção preparou para os seus convidados.

Fotos: UFFPC/AGP724.

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