Esse Cancro maldito!

Outubro 30, 2019 Atualidade, Concelho, Cultura, Mundo, Opinião
Pedro Sousa

Caros leitores,

Decidi não deixar terminar este mês de outubro, mês da “Onda Rosa”, inspirada no movimento “Outubro Rosa” (nascido nos EUA na década de 90 do século passado), e criada pela Liga Portuguesa Contra o Cancro, que procura incentivar a prevenção e diagnóstico precoce do cancro da mama.



De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde e da sua Agência para a Investigação do Cancro, citados pelo Observador, no ano passado, registaram-se a nível mundial, 18 milhões de novos casos, sendo 23,4% desses casos na Europa. Em todo o planeta, morreram 10 milhões de pessoas vítimas desta patologia. Os tipos de cancro com maior incidência são o do pulmão (11,6%), da mama (11, 6%), do colón (10,2%) e da próstata (7,1%).

Já em Portugal, esta é a segunda causa de morte e, por ano, essa incidência aumenta cerca de 3%, em média. Só em 2018 houve 50 000 novos casos. Os estudos indicam que um quarto da população portuguesa corre o risco de desenvolver cancro até aos 75 anos e 10% poderão morrer desta doença. Atualmente, 25% dos óbitos em Portugal são causados por cancros. Os mais frequentes são o do colorretal (10 000 novos casos), da mama (7 000 mulheres) e da próstata (6 600 homens).

São, realmente, números preocupantes e, mesmo, assustadores, com tendência a aumentarem, sendo que, por outro lado, surgem cada vez mais formas de luta contra esta “maldita doença” (peço desculpa se choco com esta terminologia tão forte), assim como mais formas de prevenção (por ex.: não fumar, não beber em demasia, praticar desporto, ter uma alimentação natural e fresca, ter momentos de lazer – sim, leu bem! –, proteger-se do sol, entre outras).

Mas o intuito deste meu artigo passa além dos números e das estatísticas ou das causas e formas de combate…este meu artigo terá, para mim, muito mais de intrínseco, visceral e sentimental.

Tenho quase a certeza de que não há família, infelizmente, que se possa “dar ao luxo” de poder dizer que nenhum dos seus membros já sofreu, ou sofre, de algum tipo de cancro. A minha não é exceção. O meu pai teve a “fortuna” e “sorte” de se ter livrado de um cancro do colorretal, detetado prematuramente – os rastreios e exames são muito importantes – não se livrando, nem nós, de um valente susto e uma lição para a vida. Mas houve, e há, outros exemplos na minha família, infelizmente. No entanto, em relação aos atuais (os que já partiram já não “têm como dar a volta”), estou confiante que consigam sair deste momento menos bom da sua saúde. Basta não desistirem e lutarem com todas as forças, para combaterem essa “doença maldita”.

Sendo o movimento “Onda Rosa” dedicado à prevenção e diagnóstico precoce do cancro da mama, não posso deixar de pensar na minha amiga Inês, que lutou contra um cancro da mama enquanto estava grávida e pouco depois de ter “dado à luz” uma linda menina, acabou por não resistir, deixando-nos, a todos, destroçados. Mas muitos mais casos poderia referir…eu e qualquer um de vocês, infelizmente.

Permitam-me que aproveite este artigo para um momento de maior intimidade, para falar de um grande amigo, amigo de infância, amigo de muitas aventuras (em crianças, em jovens e já adultos), amigo-vizinho e meu homónimo. Recentemente, também ele não conseguiu resistir a esta doença, no caso, cancro do estômago. Vi-o debilitado e desanimado. Tentei animá-lo, mas compreendê-lo também, quando dizia que custava, que a quimioterapia o deixava fraco, que a doença o fez emagrecer, fazer o cabelo grisalhar e, depois, cair. Sempre achei que ultrapassaria esta…por considerar que ainda somos novos e estes “sustos” não nos venceriam. Infelizmente, isso não aconteceu. E eu fiquei a duvidar. Comecei a pensar que, afinal, até não somos “imbatíveis” e “infalíveis”, mental e fisicamente. Preciso de falar dele porque não pude despedir-me! No dia e na hora do seu funeral, o máximo que consegui fazer (devido à distância a que estava do local) foi ficar no meu carro, à porta de uma das escolas em que lecionava. Desliguei o rádio, fiquei em silêncio por uns minutos, em introspeção, a pensar naquele amigo que já não veria mais. E saí…para mais uma aula, onde tive que esconder a tristeza…porque os alunos mereciam isso de mim. Quero deixar aqui a minha homenagem a esta grande pessoa, de quem não me pude despedir e, por tal, lhe peço desculpa! Fica, também, a minha homenagem e lembrança a todas aquelas pessoas que, de igual forma, não conseguiram resistir a esta “doença maldita”. A todos, um “até já e que estejam bem, aí onde estiverem”!

Obrigado pela atenção.

Por: Pedro Sousa (Professor e Diretor do Barcelos na Hora) *.

Fontes: https://www.ligacontracancro.pt/paginas/detalhe/url/onda-rosa

Foto: DR.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

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