Exposição e palestra abrem comemorações dos 517 anos da Santa Casa da Misericórdia

Maio 23, 2017 Atualidade, Concelho, Cultura, Educação

Uma exposição sobre “A Misericórdia de Barcelos no século XX” e uma palestra subordinada ao tema “Da Ética, Da Medicina e Da Religião: visões sobre a Eutanásia” assinalaram o início das comemorações dos 517 anos da Santa e Real Casa da Misericórdia de Barcelos, no passado sábado, no auditório da Instituição.

A palestra, moderada por João Lobo, teve como intervenientes o professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e presidente da Associação Portuguesa de Bioética, Rui Nunes, e o diretor da revista Brotéria e autor de várias publicações, Padre António Júlio Trigueiros.

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Este tema complexo, que se encontra na ordem do dia na Assembleia da República, em vias de ser legislado, levanta questões éticas, algumas das quais foram abordadas do ponto de vista científico e moral.




Em discussão esteve “se no limite como sociedade estruturada, devemos permitir ou não que em circunstâncias muito tipificadas, a pessoa possa, diretamente, dispor da sua vida, nomeadamente quando estiver em causa um grande sofrimento, que é essencialmente de nível espiritual e psicológico, como em casos de doença crónica ou terminal”, explicou Rui Nunes.

Este catedrático defendeu a eutanásia racional e voluntária na perspetiva de que “cada um de nós como ser livre, com dignidade, deve fazer escolhas para e por si próprio”, acrescentando que “estará sempre em causa uma forma de eutanásia voluntária, que decorre de uma vontade expressa, firme, informada, reiterada e esclarecida da pessoa”.

Na sua opinião, “nunca se poderá basear numa forma de eutanásia involuntária, ou seja, formas de eutanásia que pressupõem um julgamento de terceiros sobre vidas que valem a pena ou não serem vividas”.

Especialista na matéria, há cerca de 30 anos, que acompanha de perto a lei da eutanásia na Holanda, Bélgica e Luxemburgo, sendo um crítico às formas de aplicação da eutanásia nesses países, que legalizou a eutanásia involuntária a crianças ou a pessoas com problemas psiquiátricos.

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Levantou outras questões como “quem deve administrar” a eutanásia, defendendo que não deve ser o médico uma vez que choca diretamente com a ética dessa classe profissional.

O responsável pela Brotéria, revista que no passado mês de fevereiro dedicou uma edição especial ao tema, Padre António Júlio Trigueiros, apresentou a posição da Igreja Católica relativamente à eutanásia, citando uma passagem do catecismo: “As pessoas deficientes ou doentes devem ser amparadas para que possam levar uma vida tão normal quanto possível”, considerando a eutanásia “moralmente inaceitável”.

“Quando alguém acede ao pedido da eutanásia, não reconhece a dignidade do eutanasiado” frisou o barcelense António Júlio Trigueiros.

Perante o sofrimento “deve-se fixar o olhar na gratidão pela vida vivida e alimentar a esperança de uma paz esperada”, diz. Sublinhando, ainda, que “mais que uma morte assistida, todos queremos uma morte acompanhada” e o ato de compaixão é “acompanhar a vida até ao fim”.

João Lobo, assim como os oradores, considera que este debate deve ser sério e profundo e, sendo uma questão social, a população deve ser esclarecida e consultada.

Muito haverá ainda a aprofundar sobre o assunto antes de qualquer decisão pessoal.




A iniciar as comemorações esteve também a exposição sobre “A Misericórdia de Barcelos no século XX”, que vai estar patente durante o mês de maio.

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Trata-se de uma exposição fotográfica com quatro dezenas de imagens que retratam os principais momentos da instituição desde os anos 80 até à atualidade. Uma efeméride que recorda o nascimento das valências na Santa Casa da Misericórdia de Barcelos.

Fonte e imagens: Santa Casa da Misericórdia de Barcelos.

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