Falta de civismo: deposição ilegal de lixo

Março 3, 2019 Atualidade, Concelho, Cultura, Educação, Mundo, Opinião, Política
Pedro Sousa

Caros leitores,

O tema que me traz hoje aqui é relacionado com algo que me diz muito e revolta imenso. Estou certo de que muitos de vocês também pensarão da mesma forma.



Falo da deposição de monos, eletrodomésticos em desuso, resíduos de obras, entre outros, em matas, terrenos baldios e, mesmo, em terrenos particulares. Mas, igualmente, do largar lixo nas vias públicas, bermas, passeios e jardins das nossas cidades e vilas, das nossas freguesias.

Este comportamento não é exclusivo de Barcelos, como é óbvio. Infelizmente, é um comportamento que grassa por este nosso país fora. Quem já não teve a triste experiência de ir caminhar, quer por vias, quer por matas, e deparou-se com monos, colchões, eletrodomésticos, tijolos, telhas, vidros…enfim, uma imensa panóplia de lixo e resíduos depositados nos locais mais inusitados, mas, também, em locais perfeitamente à vista de todos.

Como aficionado da corrida em trail ou caminhadas, já encontrei de tudo por terrenos barcelenses. Desculpem-me…mas isso enoja-me! Só penso nos “porcos” (desculpem o coloquialismo e a rudeza da palavra) que se lembraram de fazer isso, mesmo havendo um serviço de recolha desse tipo de lixo, camarário e gratuito. Até este nosso jornal já noticiou esse serviço. Se entrar na página online do Município irá encontrar estes dois parágrafos, que passo a citar:

«No caso dos proprietários não possuírem meios para a sua entrega, podem solicitar o serviço de recolha à Câmara Municipal, através do e-mail geral@cm-barcelos.pt ou através da página do Município, no link “A minha rua”.

Quanto aos “monstros domésticos” de particulares, e por forma a facilitar a sua correta gestão, o Município de Barcelos dispõe de um local situado no Parque de Viaturas – Rua do Faial, n.º 106 – 4750-783 em Vila Boa, onde podem ser depositados, todos os dias úteis.» (in: https://www.cm-barcelos.pt/2018/03/camara-de-barcelos-promove-recolha-de-201cmonstros201d-domesticos/)

Muitos devem ficar a pensar que ir a Vila Boa é longe. Pois…mas, se calhar, para irem para o meio do Monte da Franqueira, com o intuito de deixar lá um colchão velho, já não são assim tantos quilómetros que têm que fazer! Enviar, ou pedir a alguém para enviar, um e-mail para o Município e esperar que este envie alguém a casa levantar esses monos e afins, não é menos trabalhoso? Não é menos oneroso? Não é mais cívico? Não é mais civilizado? E, sim, colchões na Franqueira. Num dos meus “treinos”, na descida entre a igreja e Góios, vi um deixado no meio dos fetos e outro deixado mesmo na berma da estrada, num dos locais de estacionamento! Vergonhoso! Lastimoso! De enojar! Alertei, obviamente, os serviços camarários. Confesso que não sei se ainda estão lá. Mais, há dias, ao passar na rotunda “dos Andorinhas” deparei-me com um colchão depositado em plena berma da rotunda, pousado em cima do rail de proteção! Sim, leu bem! Rail de proteção!! Ali, depositado. Talvez quem o depositou tenha pensado nos imensos motards que por lá passam e fazem a rotunda “deitados”…é para eles dormirem nesse colchão?! Já agora, e essa zona? Parece-lhe limpa ou está pejada de lixo??! Ah…neste caso, contactei telefonicamente o Município, solicitando a recolha do colchão. Do lado de lá disseram-me que era a primeira pessoa a fazer um telefonema desse tipo! Acredito que tenha sido para essa pessoa em concreto. Não acredito que mais ninguém tenha “doado” um minuto da sua vida a ligar para a Câmara Municipal a solicitar recolha de lixo depositado em locais indevidos! E acrescento: não sendo o ideal, as pessoas sempre podem deixar os colchões e/ou monos ao lado dos contentores comuns de lixo. Mais cedo ou mais tarde, os serviços procedem à recolha. Não é o ideal…mas é bem melhor do que deixar isso no meio das matas e bouças.

Caminhos de Santiago. Já percorri alguns troços e deixa-me agastado ver o lixo que se encontra lá! É essa a imagem que querem deixar a esses caminhantes peregrinos?! De uma sociedade repleta de pessoas sem sentido algum de civismo?!

Na minha opinião, estes comportamentos não desaparecerão “a bem” ou “a mal”. Já entramos na perspetiva sociológica, civilizacional. De que adianta tentar incutir-se nas crianças e jovens, nas escolas, por exemplo, que estes tipos de comportamentos não são aceitáveis se, depois, em casa, eles deparam-se com esta falta de civismo? Os seus pais (pai e mãe) são os seus heróis, os seus exemplos. E ainda bem que o são, pois merecem sê-lo. Mas a ter este tipo de atitudes, a meu ver, não estão a ajudar essa criança, esse jovem, a desenvolver-se e a tornar-se num adulto respeitador do bem comum, da Natureza, do que é cívico. Como professor, como pedagogo, deixo aqui o meu alerta.

Aliás, hoje em dia nota-se bem o comportamento desviante de imensos jovens (mas também adultos), que jogam lixo para o chão, quando, na maioria dos casos, têm contentores para esse efeito a poucos metros de distância. Como é o caso da foto que se segue. Tirada a uma segunda-feira de manhã, junto a um parque que tem contentores a poucos metros! É isto que queremos para o nosso país? É isto que queremos para as nossas terras? Os valores como o respeito pelo bem público, pelo zelo pelas zonas públicas, estão ausentes de demasiadas pessoas, infelizmente! Quem me conhece, sempre me ouviu dizer que a linha que separa a irreverência da arruaça e da criminalidade é muito ténue por vezes. Os jovens, e “menos jovens”, querem ser irreverentes, “fazer figura”…mas esquecem-se que os seus pais e avós passaram, na maioria dos casos, por uma ditadura, onde não tinham a liberdade de acharem que podiam fazer tudo sem arquearem com as consequências. Há sociólogos que defendem que depois de um momento da história onde houve privação da liberdade, não se pode passar para outro onde esta existe em excesso, pois pode dar-se o risco dessa sociedade implodir e voltar a optar pela privação das liberdades. Se calhar, o crescimento das extremas-direitas por este mundo afora já poderá ser reflexo disso. Mas é apenas a minha humilde opinião. E a privação da liberdade não é exclusiva da extrema direita, como, infelizmente, se pode constatar pela atualidade.

Termino com dois pontos (e peço desculpa pela delonga, mas este assunto revolta-me). Primeiro, e porque a minha honestidade intelectual a isso obriga, o local retratado pelas fotos (com os monos) já não se encontra assim como se vê…encontra-se pior!!

Segundo: por favor, passem a palavra, deem o exemplo, chamem à atenção, alertem, sensibilizem, não adotem essas atitudes! Vamos limpar Barcelos (também participei nessa iniciativa nacional e local)! Vamos fazer do nosso país um melhor país. Um país desenvolvido, um país ao nível dos mais civilizados (muitos dos quais, com emigrantes nossos lá…que podem ajudar também, cá na sua terra)! Todos a remarmos para o mesmo lado…conseguimos alcançar o objetivo. Muito obrigado a todos!

Por: Pedro Sousa* (Professor e Diretor do Barcelos na Hora).

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

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