Gentlemen do not read each other mail (Henry L. Stimson)

Março 16, 2018 Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião
Hugo Pinto

Cavalheiros não leem a correspondência dos outros. É mais ou menos esta a tradução da frase que serve de título para a crónica desta semana. O seu autor foi um importante advogado e político norte-americano, que foi Secretário da Guerra durante a 1ª Grande Guerra, com o presidente Taft, e 2ª Grande Guerra, com o presidente Roosevelt.



Não deixa de ser curioso depararmo-nos com esta citação numa altura em que tanto se fala do conteúdo de determinados (e supostos) e-mails. Estamos a falar de um homem que viveu de perto os dois maiores conflitos da história da Humanidade, que passou por situações desesperadas, decisões de vida ou morte para milhares, e ainda assim considerou que nem nestas circunstâncias um cavalheiro pode/deve ler a correspondência de outro.

Muito mudaram os tempos até hoje e por inerência muito mudaram os Homens. Hoje vivemos tempos em que a cretinice é tolerável, se com isso se atingir um determinado fim. A cretinice e o cinismo, como passo a explicar.

Por comprometedor que o suposto conteúdo dos supostos e-mails seja (já alguém viu algum?), nunca ninguém, a não ser o Sport Lisboa e Benfica, achou estranho que andasse alguém a ter acesso à sua correspondência interna. Nos tempos de hoje, é normal um fulano “encartilhado com folha azul” vir para a televisão anunciar ser conhecedor do conteúdo de correspondência privada e ninguém ver nisso crime. O mesmo encartilhado que acusa outros de terem cartilha. O mesmo encartilhado que brame aos quatro ventos “aqui d´El-Rei, que há corrupção” e depois vem defender a sua virgem com uma fatura repleta de rasuras para ocultar sabe Deus o quê. É o cinismo no seu expoente máximo.

Mas pode ser pior (pasme-se). Piora bastante quando um presidente de um clube acusa os outros de serem um polvo, com base em supostos e-mails e supostas toupeiras, esquecendo que a Internet está pejada de vídeos com escutas onde se ouve o mesmo indivíduo em esquemas e negociatas de arrepiar o diabo. O mesmo indivíduo que foi ilibado, não porque as escutas não provavam claramente que ele é culpado, mas porque as mesmas foram consideradas ilegais. A única conclusão lúcida que se pode daqui retirar é que, apesar de tecnicamente não ter sido condenado, moralmente não tem a menor credibilidade para falar de quem quer que seja. Tudo isto, alegadamente, pois claro.

A maior parte das pessoas confunde, nestes tempos modernos, “um mestre de obras primas” com “a prima de um mestre de obras”. E por isso surgem hordas de defensores destes alegados criminosos de pacotilha, como se o facto de estes procurarem defender as suas cores (será?) justificasse todos os meios para atingir os fins. Custa-me sobremaneira ver pessoas inteligentes defenderem e argumentarem em prol de clubites bacocas. Meus amigos: neste mundo da “bola” não há “inocentes”. Em clube nenhum. Mas não suporto mais ler e ouvir tantas virgens ofendidas aos brados, como se pura e simplesmente só porque algo aconteceu já lá vai praticamente uma década, tivesse deixado de existir.

As únicas vítimas, em boa verdade, são os milhares de adeptos que se deixam “comer” por estas intrujices e andam pelas esquinas alheias a defender pessoas de quem (alegadamente) nem as suas mãezinhas se orgulhariam.

Dentro das quatro linhas, que é o que interessa, só temos motivos para sorrir. O Porto escorregou em Paços de Ferreira e deixa tudo em aberto para o Benfica. Se o Benfica vencer as oito “finais” que lhe restam vamos mesmo ser “pentas”. Acontece que ainda vamos receber o Porto e iremos visitar Alvalade. Mas quem quer passar além da dor; tem de passar o Bojador. E no caso do Benfica terá de passar eventualmente as tormentas. Mas tenhamos Boa Esperança, porque vale sempre a pena, se a alma não é pequena.

Viva o Benfica.

Quero ser Penta (e já estivemos mais longe…)!

Por: Hugo Pinto*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

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