José Ilídio Torres: “Que tipo de cidade queremos ser e projetar no futuro?”

Setembro 22, 2017 Atualidade, Concelho, Entrevistas, Política




[NOTA AO LEITOR:

Pautando-se este jornal pela seriedade e igualdade de tratamento, informa os leitores que no dia 09/09/2017, através de e-mail, o Diretor deste jornal, Pedro Sousa, solicitou uma entrevista por escrito a todos os candidatos à Câmara Municipal de Barcelos. Apenas os candidatos do Bloco de Esquerda, da CDU e do MAS aceitaram ser entrevistados, sendo que até ao fecho desta edição os outros candidatos não responderam.]

No sentido de ajudar a um melhor conhecimento, por parte dos barcelenses, das propostas e ideias dos candidatos à Câmara Municipal de Barcelos, nestas autárquicas de 1 de outubro, o Barcelos na Hora solicitou à candidatura do Bloco de Esquerda, encabeçada por José Ilídio Torres, uma entrevista por escrito, solicitação essa que foi aceite. De salientar que a todos os candidatos foram feitas, exatamente, as mesmas perguntas. Desde já, este jornal agradece, na pessoa do seu candidato, à candidatura autárquica do Bloco de Esquerda (BE) por ter aceite a nossa solicitação.

José Ilídio Torres nasceu em Barcelinhos, em 1967. É licenciado em Ensino, variante de Educação Física, lecionando na escola pública. Trabalhou como jornalista nos jornais “Notícias de Barcelos” e “Primeiro de Janeiro”, tendo sido pivô de informação na Rádio Cávado. É dirigente associativo, membro da Comissão Coordenadora Concelhia do BE e da Comissão Coordenadora Distrital do BE. Nas últimas eleições legislativas ocupou o 3º lugar na lista de candidatos a deputados, pelo BE, no Círculo Eleitoral de Braga. É, ainda, escritor, tendo mais de uma dezena de livros publicados.

1O que o levou a candidatar-se e que análise faz do Concelho?

O que me levou a uma candidatura tem muito a ver com a análise que faço do concelho, das políticas seguidas e das pessoas que o governam. Um concelho adiado, onde na maior parte das freguesias não existe saneamento básico e, em alguns casos, os esgotos correm por tubos para valetas. Uma cidade adiada, onde muito pouco foi feito nestes 8 anos de governação socialista. Um mercado por recuperar, vias de comunicação por fazer ou por terminar, zonas ribeirinhas por revitalizar, património por valorizar.
A remunicipalização da água não foi feita; a Linha de Muito Alta Tensão paira sobre as nossas cabeças, e não fora a Comissão de Luta criada por moção do Bloco na Assembleia Municipal, que muito contribuiu para a decisão temporária de suspensão, já estaria construída, esventrando o concelho. A Câmara Municipal faz culto de personalidade. Publica uma revista chamada “Cidadania”, mas a fotografia que está por todo o lado é a do presidente Miguel Costa Gomes.

 

“Um contrato blindado que protegeu o concessionário e inviabilizou uma decisão favorável à autarquia” (José Ilídio Torres)

 

2 – Qual a sua opinião sobre o contrato original da concessão da água e, sendo Presidente, como resolverá este problema?

O contrato da água feito ao tempo da gestão de Fernando Reis revelou-se ruinoso para o município. Um contrato “blindado” que protegeu o concessionário e inviabilizou uma decisão favorável à autarquia. O principal problema, no entanto, foi a câmara ter persistido em recursos, gastando erário público, em vez de ter encetado imediatas negociações.
O Bloco de Esquerda é, desde sempre, a favor da remunicipalização da água, seja numa posição de totalidade ou maioria, nunca num cenário de 49%, como era intenção do presidente.
Entendo que, tendo a câmara capacidade de endividamento, é possível a retoma da concessão por um custo muito inferior ao do valor da indeminização.

3 – Nas autárquicas, por norma, os eleitores votam nas pessoas. Sendo assim, quais são as maiores potencialidades dos seus escolhidos para o acompanhar no Executivo Municipal?

Comigo está gente jovem e gente madura. Em igual número, ou até superior, de mulheres. Gente com provas dadas nas suas profissões, experiente em vários domínios. Uma maioria de independentes que dão a cara e estão prontos a lutar por uma cidade mais justa, mais redistributiva, mais amiga do ambiente. Gente que ama a sua terra, o seu artesanato, o seu património, a sua cultura. Estão comigo, também, vários elementos da minha geração. Amigos de sempre, que me conhecem e em quem eu confio, que precisavam surgir na vida da cidade devido ao seu enorme potencial.

 

“Aproximar, descentralizar, para que o concelho seja a extensão da sua urbe”. (José Ilídio Torres)

 

4 – O que gostaria de destacar do seu programa eleitoral?

Em primeiro lugar, dizer que é preciso fazer uma grande discussão em torno da questão «do tipo de cidade que queremos ser e projectar no futuro», pelo que propomos a participação efetiva dos barcelenses nessa construção.
Depois, realizar um conjunto de obras para recuperar espaços e ganhar mobilidade. Aproximar, descentralizar, para que o concelho seja a extensão da sua urbe. Ter uma especial atenção aos problemas ambientais, recuperação das zonas ribeirinhas, criação de um parque urbano.
Na educação, na cultura, no movimento associativo, criar sinergias de trabalho, capazes de potenciar pessoas, recursos e gerar identidade.
Trazer a água para a esfera do município, como um bem e um direito natural e humano.
Refutar a passagem da Linha de Muito Alta Tensão, entre muitas outras medidas capazes de trazerem Barcelos ao lugar que merece dentro do quadrilátero urbano.

Foram estas as respostas, por escrito, do candidato do BE à Câmara Municipal de Barcelos, José Ilídio Torres. A ele e à sua candidatura, o Barcelos na Hora expressa, novamente, o seu agradecimento.

Foto: BE.

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