‘Kasia’ Limanówka: «Em Barcelos encontrei os pores do sol mais bonitos que alguma vez vi!»

Julho 31, 2019 Atualidade, Concelho, Cultura, Mundo, Opinião
Katarzyna Limanówka

Em Barcelos encontrei os pores do sol mais bonitos que alguma vez vi! O sol foi a melhor surpresa que encontrei durante toda a minha estadia em Portugal.



Cheguei a Barcelos no início de novembro do ano passado e fui recebida por chuva intensa e tempo tempestuoso. Fiquei duplamente surpresa porque saí da Polónia com um outono ensolarado e caloroso e imaginava, com toda a certeza, que em Portugal ainda seria tempo de verão. Infelizmente, não era.

Durante a primeira noite, ventos fortes partiram uma pequena janela na minha cozinha, pelo que fiquei ligeiramente assustada. Além disso, a minha mãe ligou-me a descrever como os dias estavam incomuns e quentes na Polónia. Fiquei com ciúmes, mas depois, ouvi a lenda de São Martinho. Depois do 11 de novembro, em Portugal, vem o “segundo verão”. Diz-se que isto acontece devido a São Martinho. De acordo com a lenda, São Martinho ajudou um homem pobre e nu que conheceu num dia chuvoso e frio, dando-lhe o seu casaco. Depois disso, o sol voltou para Portugal. O mesmo aconteceu no ano passado, após a minha chegada. Felicidade e pura alegria apareceram na minha vida. E o sol nunca mais me deixou sozinha. Claro que tive dias chuvosos, mas não tantos como esperava. Li que o inverno em Portugal era bastante chuvoso, mas este ano não o foi. Até os portugueses ficaram espantados. Assim, passei um Natal ensolarado em Portugal, recebi o Ano Novo também com muito sol, e estes momentos, nunca esquecerei.

Mas permitam-me começar de novo… Cześć! Mam na imię Kasia (Olá! Chamo-me Kasia) e vim para Barcelos para integrar um projeto SVE. Sou voluntária e a minha organização de acolhimento é a SOPRO ONGD.

Antes de vir para Portugal, trabalhava no Museu Municipal de Engenharia, em Kraków, e estudava antropologia da cultura na Universidade Jagiellonian. Mas desisti de tudo e decidi tornar-me numa voluntária.

Ouvi falar do SVE pela primeira vez quando tinha 22 anos. Esta é uma história bastante engraçada. Eu estava numa fila de espera enorme para obter um quarto numa residência de estudantes. Estava um pouco nervosa porque haviam poucas vagas, muitas outras pessoas nessa mesma fila e faltavam poucos dias para o início de outro ano letivo. Naquela fila enorme, conheci uma pessoa incrível que tinha voltado da Roménia após o seu projeto SVE e falou da sua experiência. Fiquei espantada com a sua história e rapidamente decidi que, no futuro próximo, iria participar num projeto SVE. Então, aqui estou eu, no ensolarado Portugal, 5 anos depois daquele encontro com o rapaz misterioso, na longa fila de espera.

E estás provavelmente a questionar-te o que estou aqui a fazer.

Nos primeiros 5 meses, estive a trabalhar no centro social Abel Varzim, em Cristelo, onde ajudei crianças com o seu Inglês, organizei oficinas e atividades de artesanato. Ali, encontrei imensas crianças incríveis e fantásticas, cheias de paixão e energia positiva. Irei sentir muitas saudades delas, e já sinto, na verdade porque, desde o início de abril comecei a trabalhar diretamente com a SOPRO.

Depois da enorme tragédia em Moçambique, quando o Ciclone Idai destruiu tantas cidades e matou imensas pessoas, todos os voluntários da SOPRO começaram a ajudar na campanha de Moçambique. A partir desse momento, na maior parte do tempo, ajudei a separar, preparar e embalar caixas com alimentos, roupas e material escolar para as vítimas do Ciclone Idai. Dia após dia, observo o quão generosas são as pessoas que formam a Comunidade de Barcelos e que estão envolvidas em todas as ações organizadas pela SOPRO.

Mas o SVE não é, unicamente, sobre fazer voluntariado. É também uma oportunidade incrível pra descobrir outras culturas, tradições, estilos de vida e conhecer novas pessoas. Durante a minha estadia em Portugal, apaixonei-me pelo Porto. É uma cidade maravilhosa e mágica, que me surpreendeu em cada canto, com todas as porções de arte de rua e parques verdes que lá descobri. Amo passar lá todos os meus fins de semana porque, para mim, vale mesmo a pena e não me surpreende que tantos turistas visitem esta cidade. Não poderiam ter escolhido melhor.

Por fim, gostaria de dizer que sou apreciadora de inúmeras delícias portuguesas, como frutas e vegetais. Poderia passar o resto da minha vida a comer unicamente laranjas do Algarve. A sério! É muito triste que o meu projeto vá terminar em breve pois irei sentir falta de todos estes pores do sol, das laranjas, de Barcelos, do Porto e das pessoas que aqui conheci.

Por: Katarzyna Limanówka.*

Voluntária da SOPRO – Solidariedade e Promoção

Em projeto de voluntariado desde novembro de 2018 até setembro 2019.

Fotos: DR.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

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