O Cancro da Alma

Junho 21, 2020 Atualidade, Concelho, Cultura, Mundo, Opinião
Cláudia Velez

A saúde mental é tão carente de cuidados quanto é a saúde do nosso corpo. Emoções mal geridas adoecem o nosso corpo, levando por vezes a uma dor psíquica de tal forma debilitante, que condiciona por completo a nossa vida e surgem doenças físicas, resultado de emoções mal geridas.



A omissão e o silêncio dentro de nós próprios é a pior decisão do comando das nossas vidas.

Sei o que é sentir a dor psíquica no mais fundo da minha alma. É como estar enclausurada no meu próprio corpo. E por mais estranho que pareça, por vezes tinha a sensação que vivia num corpo que não me pertencia. Sentia-me confortável somente quando me isolava, para aliviar a minha dor psíquica. E foi nesta dor que defini como “cheguei ao fundo do poço”, para outros podem chamar de depressão, que percebi que a minha vida só dependia da minha força mental, a força que todos temos e desconhecemos.

A verdade é que quem já passou por uma depressão sabe o que é sentir o vazio da alma e o mundo a fugir a cada dia. Sentia uma  tristeza profunda, pensamentos negativos recorrentes, sentimentos de inutilidade e culpa por não conseguir sair daquela situação, alterações do sono e do apetite e um cansaço extremo, com a agravante de sentir uma inércia exagerada.

Precisava de por o meu cérebro a produzir oxitocina, serotonina e adrenalina, hormonas fundamentais para me sentir feliz.

Começou a minha busca, passo a passo em torno da minha paixão. Tinha de tomar as rédeas da minha vida, para hoje estar aqui a escrever partes de mim, para ti.

Hoje posso dizer-te que a melhor decisão que tomei na minha vida foi “mergulhar” dentro de mim e reconhecer cada parte de mim como essencial no meu crescimento interno. E é quando percebes que és tu que controlas a tua mente, logo controlas a tua vida, que tudo à tua volta continua igual, mas tu estás diferente.

Vou-vos contar o exemplo de uma paciente que acompanhei, vou chamá-la de “Joana”, disse-me várias vezes “preferia ter um cancro, do que sentir esta tristeza profunda, pois ninguém me compreende”. E é nesta incompreensão que muitas pessoas consideram que a depressão é um mero mal-estar ou um sinal de fraqueza. Contudo, a depressão afeta o cérebro e o corpo, como se fosse “O cancro da alma”.

Segundo a Louise Hay, autora do livro “Cure seu corpo”, defende que a depressão está relacionada com a raiva que julgamos não ter o direito de sentir, levando ao desespero. Defendo esta autora e a base do meu trabalho é sustentada na “reprogramação” mental e, como tal, posso dizer que a evolução da “Joana” foi digna de se ver.

Então como conseguiu a “Joana” sair de uma depressão e passar a ser uma mulher alegre e com autoestima e confiança elevada?

Através do autoconhecimento, começou a aumentar a autoestima, começando aos poucos por mudar o seu pensamento. Mudar os nossos pensamentos, o nosso comportamento e as nossas crenças, aumenta-nos a autoestima e a confiança, começamos a ver a vida com mais cor. E é aqui que a magia acontece, abrem-se portas às oportunidades e novas vivências que tanto esperaram para acontecer.

A “Joana”, ao tomar consciência das suas crenças que a limitavam e que danificavam a imagem de si mesma que ela própria idealizou na sua mente, libertou-a do seu “crítico interno”, levando-a à auto aprovação e autoaceitação, ou seja, aceitou-se tal e qual como ela era, com todas as suas qualidades e defeitos.

A autoimagem interna ou externa, que muitas vezes nos limita, como querermos ser aquilo que não somos, mantermos uma relação conflituosa, um emprego que não gostamos ou um corpo que recusamos em ver, por vezes leva-nos ao isolamento, acabando muitas vezes em depressão.

A “Joana” trabalhou internamente o perdão, a culpa, a raiva, o ressentimento, a revolta, a vergonha e a frustração que sentia há anos, levando-a à autoaceitação, sendo este o primeiro passo para a mudança.

Libertou-se das emoções negativas, conduzindo-a ao perdão, sendo este um sentimento essencial e necessário para o processo de cura.

A acumulação de emoções reprimidas é a origem de muitas doenças. Tal como abordo no meu E-book “As 6 secretas verdades para desbloqueares a tua mente, para enfrentares a tua doença e as adversidades do dia-a-dia”, em que falo o processo pelo qual eu passei e como consegui ultrapassar, através da mudança de pensamento.

É fundamental mudarmos os nossos padrões de pensamento “reprogramando” a nossa mente através da Programação Neurolinguística, sendo esta a minha base de orientação e na qual acredito profundamente, que a mudança e a verdadeira transformação começam em mudar a forma como pensamos.

Ao identificarmos a nossa crença limitadora, ou seja, o que o nosso inconsciente acredita profundamente, iremos finalmente perceber o que nos bloqueia e o que tem condicionado toda a nossa vida. Pode parecer um cliché e até algo impossível, mas garanto-te que ao descobrires a crença de base que tem limitado toda a tua vida, compreenderás que tudo está na tua mente e naquilo que te fizeram acreditar desde infância, não tem qualquer fundamento.

Após menos de 1 ano, a Joana entrou no gabinete, com o cabelo apanhado, olhos brilhantes, um sorriso nos lábios, uma postura de confiança e com uma blusa amarela. Um ano antes era uma mulher com humor triste, com choro fácil, os cabelos a taparem a cara, ombros encurvados e toda a sua roupa era de cor preta.

Esta mudança aconteceu porque a “Joana” permitiu-se acreditar que tinha a capacidade e todo o potencial para mudar a imagem que tinha de si mesma, algo que não acreditava desde muito pequena.

Se te revês nesta história, então este é o momento de procurares ajuda.

O grande risco é não se procurar ajuda logo numa fase inicial, o que muitas são as vezes em que a necessidade de recorrer a um psiquiatra é inevitável. Se assim for, espero que não adies mais, pois cada dia que passa, se torna mais difícil.

Com carinho, Cláudia Velez! (EneaCoach Transformacional)*

Imagem: DR.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

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