O Rotary promove a paz e a compreensão mundial

Fevereiro 27, 2020 Atualidade, Concelho, Cultura, Mundo, Opinião

O mês de fevereiro, mês em que o Rotary foi fundado, em Chicago, pelo advogado Paul Harris e mais três amigos, mais precisamente no dia 23 de fevereiro de 1905, é dedicado à Paz e Compreensão Mundial.

A paz e a compreensão mundial preocupam e andam na boca dos principais responsáveis políticos e do cidadão comum, palavras hoje suplantadas pelas da crise económica e social.



Na verdade, os dias que estamos a viver, de incerteza, de intranquilidade, de medo e de falta de perspetivas imediatas, leva-nos a refletir sobre a responsabilidade de cada um no modo de inverter esta crise que afeta toda a humanidade.

O mundo vive uma situação de profundo desequilíbrio. Sinais disso são o desemprego, a desigualdade social, a corrupção, a solidão, o egoísmo, o consumismo e a vida fácil, o enriquecimento a qualquer preço e a falta de valores, mas também os conflitos culturais e religiosos, as guerras pela conquista do poder, tudo isso agravado pelo recrudescimento do terrorismo, uma nova forma sangrenta de contestação, estúpida, mas mortífera e a questão dos refugiados.

Todos estes fatores nos inquietam e nos levam a pensar como será possível modificar esta situação e caminhar para um mundo mais fraterno, mais solidário e mais igual, em que prevaleça a paz e a compreensão mundial.

O século XX foi o século das guerras

O mundo nunca viveu completamente livre de guerras, mas em nenhum outro período se verificou o seu aumento como no século XX. Segundo dados da Cruz Vermelha Internacional, mais de 100 milhões de pessoas foram mortas em guerras, desde o início do século passado.

Desde a II Guerra Mundial, a guerra que supostamente acabaria “com todas as guerras”, já se verificaram mais de 150 guerras (conflitos que resultaram em mais de mil mortes por ano), bem como centenas de conflitos, rebeliões e revoluções armadas.

Pensava-se que a queda do Muro de Berlim, em novembro de 1989, trouxesse não só o fim da guerra fria entre as superpotências, mas também uma nova era de paz global. Infelizmente, não foi o caso.

As guerras, hoje, já não são pela expansão territorial ou pela imposição de ideologias, mas são, essencialmente, um choque de culturas, um conflito de civilizações.

Por outro lado, a disponibilidade de armas de destruição massiva, manobradas por fanáticos, está a criar novas formas de guerra, que não envolvem países, especificamente, mas que semeiam a intranquilidade e o pavor entre as populações, transformando, todos, em reféns.

Apelos à paz

Todavia, os sinais e os apelos à paz são, também, constantes, vindos de todas as partes do globo.

O Prémio Nobel da Paz de 2008, o antigo presidente finlandês Martti Ahtisaari, e notável negociador da paz internacional, que mediou a paz em vários pontos do globo nos últimos 30 anos, contribuiu, decisivamente, para um mundo mais pacífico e para a fraternidade entre as nações.

No seu discurso de posse, Barak Obama não deixou de apelar à paz:

“Saibam que a América é amiga de toda nação e todo homem, mulher e criança que busca um futuro de paz e dignidade, e que nós estamos prontos para liderar uma vez mais.”

O papa Bento XVI, saudando os participantes do encontro inter-religioso de Nicósia-Chipre, em 17 de novembro do ano passado, onde a Comunidade de Santo Egídio e a Igreja Ortodoxa daquela ilha, reuniram 40 líderes religiosos e chefes de Estado, referiu:

“Mantenham alta a chama da paz, alimentem-na com gestos quotidianos de caridade e amizade fraterna.”

A pobreza agrava os conflitos

Alguns dias mais tarde, na mensagem para o Dia Mundial da Paz/2009, intitulada “Combater a Pobreza, Construir a Paz”, Bento XVI afirmava:

“Já o meu venerado antecessor João Paulo II, na Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1993, sublinhara as repercussões negativas que acaba por ter sobre a paz a situação de pobreza em que estão populações inteiras. De facto, a pobreza encontra-se frequentemente entre os fatores que favorecem ou agravam os conflitos, mesmo os conflitos armados. Estes últimos, por sua vez, alimentam trágicas situações de pobreza”. “Vai-se afirmando (…), com uma gravidade sempre maior – escrevia João Paulo II –, outra séria ameaça à paz: muitas pessoas, mais ainda, populações inteiras vivem hoje em condições de extrema pobreza. A disparidade entre ricos e pobres tornou-se mais evidente, mesmo nas nações economicamente mais desenvolvidas. Trata-se de um problema que se impõe à consciência da humanidade, visto que as condições em que se encontra um grande número de pessoas são tais que ofendem a sua dignidade natural e, consequentemente, comprometem o autêntico e harmónico progresso da comunidade mundial”.”

Na verdade, para além da guerra, há ainda os problemas causados pela pobreza, pelo analfabetismo, pela falta de perspetivas e o fosso, cada vez maior, entre os que têm muito e os que não têm nada.

Qual o papel de Rotary para a paz e compreensão mundial?

Mas poderá uma organização, como o Rotary – sem poder político, sem intervenção nos meandros da administração pública ou da diplomacia formal, valendo-se apenas da capacidade de persuasão e do prestígio pessoal daqueles que compõem os seus quadros sociais – fazer algo, realmente útil e proveitoso para diminuir os conflitos, e procurar o entendimento entre os povos e as nações?

Na segunda metade do século XX, o Rotary, através de Rotary Internacional e da Fundação Rotária, estabeleceu uma série de programas que o colocaram na vanguarda dos movimentos de paz entre os povos.

São programas como os Serviços à Comunidade Mundial, o Intercâmbio Internacional de Jovens, as Bolsas Educacionais, o Intercâmbio de Grupos de Estudos e os Subsídios Equivalentes, que envolvem a participação de pessoas de diferentes culturas e nacionalidades e criam, certamente, um vínculo de compreensão e paz entre essas pessoas.

Mas este projeto de paz em Rotary ganhou uma nova dimensão com o aparecimento dos CREI – Centros Rotary de Estudos Internacionais da Paz e Resolução de Conflitos.

Todos os anos, 70 bolsistas são selecionados numa competição de carácter global para estudar nas seis unidades dos CREI existentes em universidades parceiras do programa espalhadas pelo mundo. Em dois anos de curso de mestrado, pelo valor de 50 mil dólares por bolsa de estudo, os alunos são formados embaixadores da paz.

Embora vivamos momentos de incerteza, perante possibilidade de novos conflitos mundiais, embora a desigualdade, o desemprego e a fome sejam uma realidade, não devemos abandonar os ideais dos nossos precursores.

Como rotários, e cidadãos do mundo, é necessário reforçar as nossas convicções, a nossa capacidade de bem servir. Não basta proclamarmos os nossos objetivos. É preciso lutar para que eles prevaleçam, tomando atitudes corajosas. A paz, que nos parece um objetivo inalcançável, um dia será realidade.

Por: Victor Pinho*. (Rotary Club de Barcelos)

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