Quando detestamos ter razão

Fevereiro 2, 2018 Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião
Hugo Pinto

Há momentos em que detestamos ter razão. Primeiro, porque normalmente esta só serve para embrulhar num paninho e pôr ao peito. Depois, porque significa que aconteceu algo que já se previa e que não queríamos mesmo nada. Assim foi na última jornada do Glorioso.



Aliás, tem sido assim a época toda. Um bom jogo a que se segue outro fraquinho. Já o havia escrito antes. Sempre que nos atrevemos a entusiasmar com uma exibição do nosso Benfica, quase que fica logo anunciada uma desilusão para a próxima jornada. E foi o que aconteceu frente ao Belenenses.

Já na primeira volta me tinha deixado bem impressionado a forma atrevida como o Belenenses jogava. Olhos nos olhos com o adversário, com personalidade e a jogar o jogo pelo jogo. Na primeira volta não correu bem aos homens do Restelo. Na segunda, por sua vez, foi o Benfica a pagar a fatura. E bem, desculpem-me que o diga. O Belenenses fez pela vida enquanto o Benfica (mais uma vez) andou a arrastar-se pelo relvado, a ver se o resultado aparecia sozinho. Mais um jogo tedioso, repleto de displicência, de tal forma que foi difícil ver mais do que a primeira parte. Quem insistiu, como eu, pôde ainda ver o Jonas (o Jonas… pelo amor de Deus…) a falhar um penálti quando, ao contrário, poderia ter colocado o Benfica na frente do marcador. Falhou o Benfica, marcou o Belenenses. Velha máxima. Depois foi o absoluto sufoco, com o Benfica aflitinho à procura do golo. Valeu o livre perfeito de Jonas, a redimir-se e a sacar um empate sofridinho, mas que, do mal, o menor. Só pergunto, onde estava aquela determinação com que marcou o livre, quando cobrou o penálti? E diga-se o que se disser, o que falta ao Benfica é “gana”, “cojones”, “acutilância”, que há adjetivos para todos os gostos, do calão ao palavreado domingueiro. Mas que nos levam sempre à mesma conclusão: falta VONTADE. E só para bater no ceguinho mais uma vez, penso que cabe ao treinador puxar orelhas e dar os murros na mesa para que tal aconteça.

Falando um pouco do que se passa fora das quatro linhas, é impossível não falar do “caso” que rebentou esta semana. E aqui, meus amigos, sou muito pragmático. Se há corrupção, porque há “corruptos e corrompidos”, faça-se justiça. Não quero, nem por sombras, fazer como aqueles que critiquei tantas vezes. Nem quero um presidente arruaceiro, que tem a mania que fala com voz grave, nem um geriátrico armado em virgem ofendida, que passou décadas a comprar tudo e todos e vem agora, por interpostas pessoas, mandar “inBestigar” a vida dos outros. Não! No meu Benfica gostamos de ganhar de cabeça erguida. No meu Benfica, ninguém se envergonha por ter tido no passado um presidente desonesto, mas antes assume com seriedade que se congratula por ele estar preso. O Benfica é maior que caciquismos provincianos e tiques cortesãos. Que os há, há. A diferença é que nós não os bajulamos.

Outra questão totalmente aparte é a forma como a justiça em Portugal lida com estes casos. Suja o nome a toda a gente, arrasta-o durante anos pela lama e no fim a culpa morre sempre solteira. Ou pior, é atirada covardemente para cima de um qualquer pilha-galinhas que só quis matar a fome. Nestes casos de “apitos” e “e-mails”, meus amigos: investigue-se de facto e prenda-se quem houver a prender.

No final de contas, seja quem for o presidente do Benfica, os homens passam e fica a instituição. Honra lhe seja feita.

Por terras do Cávado, o nosso Gil continua azarado. Perdeu por uma bola frente ao Varzim, numa altura do jogo em que já tinha enviado duas aos ferros. Aparentemente, nem os reforços de inverno vêm ajudando o Gil a ultrapassar este mau momento. Na próxima jornada desloca-se à Madeira, onde defronta o União local, ex-equipa de Paulo Alves. Quem sabe, o mister saca um coelho da cartola e coloca finalmente os galos no caminho das vitórias. Força Gil…

Viva o Benfica.

Eu quero ser penta.

Por: Hugo Pinto*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

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