Rame-rame…ou a arte de uma porca a parir bacorinhos

Fevereiro 22, 2018 Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião
Hugo Pinto

Conto seguramente mais de uns trinta anos para relembrar um episódio cómico ocorrido nas Feiras das Boas Novas de Ponte de Lima. Seguia com os meus pais e o meu irmão, mais novo, num fim de tarde com aroma, também a fim de festa, quando nos deparámos com um daqueles autocarros que já eram velhos quando os tempos eram antigos. Dando-se conta do ruido do motor em ralenti de um autocarro e tendo-lhe achado graça, o meu pequeno irmão começou a acompanhar com os seus braços, qual maestro, aquele som monótono e compassado. Ao ver aquela cena caricata, o motorista com o seu ar anafado, ruborizado, minhoto, enfim, exclamou ainda com mais graça: “- Ai, menino… Parece uma porca a parir bacorinhos!”. Foi a gargalhada geral.



Bem, já devem estar a perguntar-se o que raio tem esta estória a ver com o Benfica. Não tem nada! E tem tudo! É que “rais-ma-partam” se não é verdade que este Benfica que joga em rame-rame parece mesmo uma porca a parir bacorinhos. Senão repare-se: logo aos três minutos, Jonas tem a oportunidade de começar a escrever bem a história do jogo com a possibilidade de converter bem uma grande penalidade… e falha! O Jonas… falha! O Jonas…

A trapalhada era a palavra de ordem, como evidencia um lance no último quarto de hora da primeira parte, em que dois jogadores do Benfica se atrapalham entre si na área adversária, desperdiçando MAIS UMA oportunidade de fazer golo. Foi azar? Foi vontade de marcar? Se calhar sim… Só que inicia a segunda parte e de novo Jonas remata contra Cervi. Que, para mim, andava fora do lugar dele, o que só comprova a falta de rigor tático com que este Benfica joga.

Reconheço, porém, que Cervi, como aliás todo o lado esquerdo encarnado, fizeram um belíssimo jogo. Aquela ala esquerda do Benfica produziu mais futebol do que, se calhar, o resto da equipa, mais a do adversário, juntas. Mas a questão é mesmo essa: muito futebol jogado e pouca concretização. A tónica do futebol encarnado desta época tem sido precisamente essa, em que o índice de concretização é baixíssimo.  Repare-se: o Benfica tem sete, SETE, oportunidades de golo ao longo do jogo. As únicas concretizações na primeira parte foram da parte dos centrais, que marcaram um golo cada. E na segunda parte o panorama não melhora. O terceiro golo surge de autogolo e o quarto é marcado por Jiménez, já em cima do minuto noventa, após ter substituído um desinspirado Jonas.

Se olharmos aos números finais, uma vitória por quatro golos parece um resultado fabuloso. E é!!! Antes jogar sempre mal e ganhar, do que sempre bem e perder. Mas a forma como o jogo decorre…. Valha-me Deus… rame-rame 1-0; rame-rame 2-0; rame-rame… Enfim… Lembra-me muito uma porca a parir bacorinhos. Que mais querem que vos diga?!?

Rame-rame, quero ser tetra…

Rame-rame, viva o Benfica…

Rame-rame,…

Rame, rame…

Por: Hugo Pinto*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

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