São papoilas, Senhor…

Janeiro 24, 2020 Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião
Hugo Pinto

Esta semana, aproveitamos para lembrar uma das mais antigas lendas do nosso “folclore” nacional.

Ao que consta, Isabel de Aragão, Rainha de Portugal por casamento com El-Rei Dom Dinis, quinto da dinastia dos Afonsos, era sobejamente conhecida pelas suas obras de caridade para com os pobres, dando-lhes, constantemente, pão que levava às escondidas no regaço do seu vestido.



Às escondidas, porque seu marido Dom Dinis – O Lavrador, ciente das economias do reino e, quem sabe, receando que sua mulher viesse a tornar-se mais popular que o Real Monarca, a havia proibido de tais gestos.

Um dia, desconfiado, resolveu seguir sua mui nobre e generosa esposa, para que a pudesse apanhar em flagrante e, consequentemente, a pudesse confrontar com tamanha desobediência.

Severo, questionou-a sobre o que era “aquilo” que transportava no regaço. Ao que a querida Rainha respondeu, aflita: – São Rosas, Senhor!

– Rosas, em janeiro?!? – questionou o Rei, desconfiado – Mostrai-me!

Dona Isabel de Aragão soltou então os folhos de seu vestido, tendo-se espalhado pelo chão inúmeras rosas, que assim se tinham transformado miraculosamente.

Veio mais tarde, por tal episódio, a ser canonizada, pelo que é hoje conhecida como A Rainha Santa Isabel, ou mais simplesmente, Rainha Santa.

Uns séculos mais tarde, num outro Reino onde também houvera um Rei, Dom Eusébio – O Pantera Negra – de seu nome, comandava as tropas de sua majestade um valente cavaleiro que dava pela graça de Sir Bruno Lage – O Empalador Sadino. Assim sobejamente conhecido, pela sua habilidade em caçar dragões e leões, sempre em companhia da sua nobre água, Vitória.

Um dia, os bobos de cortes vizinhas, inconformados com tamanha habilidade e invejosos dos feitos de mui nobre cavaleiro, resolveram reunir-se em painéis um pouco por todos os pasquins dos seus reinos e começaram a espalhar aos sete ventos que tais feitos só poderiam ser possíveis por arte de magia negra. Alguns monarcas rivais, inclusivamente, nomearam bobos-mor, com a missão de que ajudassem a espalhar ainda mais tais vitupérios.

Imbestigue-se! – bramiam uns.

– São vouchers! – desesperavam outros.

Então, num acesso de raiva, acercaram-se do reino D´El-Rei Eusébio, procuraram Sir Lage, apontaram-lhe as lanças e gritaram em tom ameaçador:

– Dizei, infame Lage!…Dizei que magia negra é essa que fazeis, para estares com sete pontos de avanço! Dizei como enfeitiçais Árbitros e Var(es)…

– São Papoilas, senhores – retorquiu valente cavaleiro.

– Papoilas?!? Em janeiro?!? – duvidaram todos.

– Sim!…Crescem no Seixal!

E Pluribus unum!

Por: Hugo Pinto*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

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