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Doença Mental

A voz da pessoa com experiência de doença mental

Junho 29, 2017 em Atualidade, Concelho, Cultura, Educação port barcelosnahorabarcelosnahora
Rita Rodrigues

O termo “participação” da pessoa com experiência de doença mental em contexto de prestação de serviços refere-se ao envolvimento na vida de forma mais ampla, assim como a uma colaboração ativa na prestação de serviços.

A Participação do utilizador (utente) pode definir-se como:

  1. Reconhecimento de que o utilizador é um indivíduo único;
  2. Utilizadores que desenvolvem a confiança, para expressar uma opinião;
  3. Utilizadores que expressam a sua opinião própria, em vez de darem respostas que pensam ser as que os serviços e/ou profissionais querem ouvir;
  4. Os serviços e o indivíduo trabalhando em conjunto nas decisões que o afetam;
  5. O utilizador aprender sobre si mesmo(a) e começar a compreender que ao direito de participação e tomada de decisão estão associadas responsabilidades;

De acordo com o manual elaborado pela Comissão Consultiva para a Participação de Utentes e Cuidadores – Princípios Orientadores para a Participação do Utente (2005), existe um conjunto de princípios orientadores para a participação da pessoa com experiência de doença mental de modo a que os serviços de saúde mental, reabilitação psicossocial e de suporte ao utilizador compreendam e utilizem estes princípios para reforçar a voz do utilizador dentro do contexto da prestação de serviços.




Assim, abaixo serão referidas as 5 principais razões para a participação da pessoa com experiência de doença mental:

A participação :

  1. Proporciona oportunidades adicionais de recuperação para a pessoa com experiência de doença mental;
  2. permite que os serviços tenham maior capacidade para responder de forma adequada;
  3. é um direito ético e democrático;
  4. é um dos meios de igualar o relacionamento de poder entre o serviço e a pessoa;
  5. pode melhorar a qualidade dos serviços e é uma parte integrante do Sistema de Qualidade no campo da saúde mental e reabilitação psicossocial.

Por outro lado, há vários tipos de interações que podem influenciar a sua participação, como por exemplo, o ambiente, os relacionamentos, qualidades e características pessoais.

Por: Rita Rodrigues*.

Psicóloga e Diretora Técnica da Unidade Paul Adam Mckay da Associação RECOVERY IPSS.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do/a autor/a)

Recuperação Pessoal na Doença Mental

Abril 12, 2017 em Atualidade, Educação, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora
ritarodrigues
Rita Rodrigues

Falar de saúde mental, do ponto de vista médico, é falar da ausência de doença ou erradicação da doença mental. Porém, a doença mental é uma construção teórica que depende de construções sociais e antropológicas, e não uma entidade patológica com existência própria. Em saúde mental, a existência de elementos capazes de gerar doença mental podem estar presentes sem que isso signifique a existência de doença, uma vez que, o seu desenvolvimento está dependente da inter-relação de determinados fatores, em que um indivíduo, face a determinados fatores de risco, desenvolve perturbação e outro perante os mesmos fatores não desenvolve (Melo e Moreira, 2005).




Tenho uma doença mental posso recuperar? Quem tem um diagnóstico do foro psiquiátrico, pergunta-se constantemente sobre a possibilidade de recuperação.

De acordo com o guia para profissionais de saúde mental, 100 modos de apoiar a recuperação pessoal (2009), existe dois tipos de recuperação na saúde mental: a recuperação clínica e a recuperação pessoal. Por recuperação clínica entende-se o tratamento de sintomas, o restabelecer o funcionamento social e outros modos de “recuperar a normalidade”. Por recuperação pessoal, Anthony (1993) descreve como sendo “um processo único, profundamente íntimo, de transformação das atitudes, valores, sentimentos, objetivos, aptidões e/ou funções das pessoas. É uma forma de viver uma vida satisfatória, esperançosa e contribuir para a vida mesmo dentro dos limites impostos pela doença mental. A recuperação pessoal envolve o desenvolvimento da nova orientação e objetivo geral na vida de um indivíduo enquanto se supera os efeitos catastróficos da doença mental”.

Existem quatro tarefas para a Recuperação pessoal:

1.ª Desenvolver uma identidade positiva independentemente de ser uma pessoa com uma doença mental. Os elementos da identidade considerados fulcrais para uma pessoa, podem não o ser para outra, ou seja, apenas o próprio pode decidir o que constitui uma identidade positiva;

2.ª Enquadrar a doença mental: desenvolvimento de um significado satisfatório a nível pessoal, ou seja, o enquadramento da experiência pessoal que os profissionais interpretam como doença mental. Isto requer tirar sentido da experiência de modo a visualizá-lo como uma parte e não a totalidade da pessoa;

3.ª Auto-gerir a doença mental: não significa que se decida a fazer tudo sozinho(a), mas antes que se é responsável pelo bem-estar próprio, incluindo solicitar ajuda e apoio dos outros quando necessário;

4.ª Desenvolver papéis sociais valorizados: ou seja, aquisição de novos, modificados ou anteriores papéis sociais valorizados, estes podem não estar relacionados com a doença mental. Os papéis sociais valorizados providenciam alicerces para o surgimento da nova identidade da pessoa em recuperação.

Assim, apoiar a recuperação pessoal envolve um afastamento do tratamento centrado apenas na doença, no sentido da promoção do bem-estar sendo necessário uma compreensão global da pessoa.

“No fundo, não descobrimos na pessoa com experiência de doença mental nada de novo ou desconhecido: encontramos nele as bases da nossa própria natureza.” Carl Jung.

Por: Rita Rodrigues*. (Psicóloga e Diretora Técnica da Unidade Paul Adam Mckay da Associação RECOVERY IPSS)

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do/a autor/a)



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