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Hugo Pinto

A espera…

Novembro 22, 2019 em Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora
Hugo Pinto



A espera é desespero. O desespero é sufoco. O sufoco é desfalecer.

Então desfaleço. Desfalece o ânimo. Desfalece o entusiasmo.

Esse golo que tarda. Esse jogo que parda.

Então sofro. Espero, desespero, sufoco e desanimo.

É golo.

É alegria. É renascer. É a alma a aquecer.

É o ânimo a regressar e o coração a pular.

Rejubila o adepto. Esperou a semana toda por aquele momento.

O jogo avança e desvanece a esperança. Volta o marasmo e foge-me o espasmo.

A convulsão do rosto que se chama sorriso. E o adepto desespera vai-se o juízo.

O jogo findou. Nosso amor ganhou.  A exibição não convence, mas a equipa vence.

Segue em primeiro sem jogar em cheio.  É a sensação de barriga vazia. Mesmo com VAR dá uma azia.

Para a semana há mais. Oh, rapazes, vede lá se jogais.

Eu adepto, recordo Eugénio. Que apesar de não o ser, é o de Andrade:

.

Aqui onde o exílio

dói como agulhas fundas,

esperarei por ti [oh bom futebol]

até que todas as coisas sejam mudas.

Até que uma pedra irrompa

e floresça [e o golo apareça]

Até que um pássaro me saia da garganta

e no silêncio desapareça.

[É golo…]

.

E viva o Benfica.

E pluribus unum.

Por: Hugo Pinto*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

A montra da Champions…

Novembro 8, 2019 em Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora
Hugo Pinto

Começo, habitualmente, as minhas crónicas com um “Esta semana…”, copiando Carlos Vaz Marques, moderador do programa “Governo Sombra”, tentando, como ele, criar uma subtil imagem de marca. Acontece, desta vez, inspirar-me num outro grande vulto da análise desportiva “alternativa” dos anos 80, o grande, o inigualável, José Esteves:

“Lá diz o povão, não há montra como a da Liga do Champião!”



Acontece, porém, que a “montra” benfiquista de um passado próximo parece algo entre um aviário e uma loja de produtos asiáticos. Efetivamente Luís F. Vieira parece muito mais preocupado com o Benfica-empresa do que com o projeto desportivo do clube. Há uma ânsia incompreensível de vender jogadores, mesmo que isso custe resultados desportivos. Francamente, não se percebe. Ou percebe, se formos acreditar naquelas teorias que por aí circulam e que alegam eventuais comissões ou “luvas” para os intervenientes nos processos de venda de jogadores. Porém, mesmo acreditando que o único objetivo seja o de beneficiar o clube, pergunto se a ambição financeira tornou esta gente tão cega, que ache por bem colocar jovens talentos a disputar a Liga dos Campeões, ainda sem “estaleca” para as competições internacionais de alto nível e, pior, correndo o risco de “queimar” o currículo a estes jovens, de cada vez que formos cilindrados por um Lyon ou por um Leipzig.

Há que repensar toda esta estratégia. Há que repensar, se for o caso, a mudança de “ventos” diretivos. Sendo que corremos sempre o risco de saltar “da frigideira para o fogo”.

Internamente, a coisa lá vai correndo. Com mais ou menos golos, vamos assegurando serviços mínimos, mas muito longe do futebol de encantar da época passada. Bruno Lage merece melhores objetivos. Os jogadores merecem melhor consideração. Mas, SOBRETUDO os adeptos, merecem muito, mas muito, mais respeito.

Viva o Benfica.

E pluribus unum.

Por: Hugo Pinto*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

Joguem à Benfica, suem a camisola

Novembro 1, 2019 em Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora
Hugo Pinto

Esta semana teremos dois em um, com Comentários aos jogos em Tondela, frente aos locais, e na Luz, na receção ao Portimonense.



Começando pelo Tondela, jogo que tive a oportunidade de assistir ao vivo, podemos dizer que foi mais um daqueles jogos em que o resultado foi bem melhor do que a exibição. A vitória é importante pois a luta pelo primeiro lugar é sempre muito renhida, sendo discutida “ao ponto” nos últimos anos, sendo o menor deslize um potencial problema. Mas exibições daquelas são um insulto para quem paga bilhete. Neste caso, 18€ paguei eu, era o valor mais baixo para o ingresso de visitante. E por mais que Bruno Lage justifique a paupérrima exibição com o facto de o Tondela se ter apresentado a defender com uma linha de cinco homens, nada justifica a atitude indolente de quase todos os jogadores encarnados. Exceção a Grimaldo, o único que jogou “à Benfica”, todos os outros andaram a arrastar-se pelos pouco mais de 90 minutos de jogo. Após o 0-1, tiraram o pé do acelerador e foi o deixa andar. O Pizzi, por exemplo, quem o viu e quem o vê. Há quem diga que ter ido à seleção lhe fez mal, pela paragem e porque, ao treinar com Fernando Santos, desaprendeu. Mas, caramba, ninguém lhe torna a explicar como se joga bem??…Pizzi, acorda! Temos saudades do craque…“Ódio” de estimação do adepto vai sendo Seferovic. E entende-se. O homem não joga quase nada; não marca golos; não se desmarca como deve ser; não abre uma linha de passe…Passa o jogo TODO (sim, eu estava lá e vi com os meus próprios olhos) a “marcar” o central adversário. É absolutamente enervante. E os NN que o digam…E aqui, uma nota: entre as “mil e uma” coisas que se passam naquela bancada, o que nunca pára é o incansável apoio à equipa. E quando os demais adeptos começaram a assobiar a má exibição, toda a claque gritou “calem-se e apoiem!”. Após o apito final, a conversa foi outra. Na hora do agradecimento dos jogadores à claque, foram aqueles brindados com um “Joguem à bola…Joguem à Benfica…” Cobertos de razão, quanto a mim.

Ah!…Já tinha dito que o Seferovic é a absoluta nulidade?… (Acho que já…adiante…)

Três dias depois, parece que o puxão de orelhas fez efeito. Em todos. Bruno Lage “acordou para a vida” e deixou Seferovic onde ele não merece estar (no banco; eu ainda sugeria mesmo era a bancada). Fez jogar Chiquinho e Vinícios e todo um outro ataque renasceu. Quando não se joga com dez…e, às vezes, com nove (ouviste, Pizzi?), as exibições melhoram drasticamente e os golos aparecem, não raramente, com fartura. Grimaldo, mais uma vez, enorme exibição, como que a dizer “olhem p’ra mim, agora em dezembro…”. Mas, definitivamente, a grande diferença esteve na frente. E que diferença! E só para ter a certeza de que o Seferovic não joga NADA, Bruno Lage lá o fez entrar. Resultado: não houve mais golos!

Ora, se venderem o Grimaldo, até para abrir o lugar para o Tavares e o Bruninho deixar de o pôr a jogar pela direita, façam uma espécie de cabaz de Natal e OFEREÇAM o Suíço. Só vejo vantagens nisso: passamos a ter um ataque que funciona; poupamos um gigantesco salário, pago ao pior avançado dos últimos tempos; e, ainda, podemos ter a sorte de o defrontar como adversário, o que nos permitirá jogar com 2 defesas apenas, metendo gente no ataque.

Ah!…Já tinha dito que o Seferovic é a absoluta nulidade?…(Acho que já…mas nunca é demais ir lembrando o Bruno Lage…)

…Ouviste, Pizzi?!?…

«Joguem à Benfica, suem a camisola, seja onde for, joguem à Benfica!»

E Pluribus unum.

Por: Hugo Pinto*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do/a autor/a)

Não faz isso, Bella…

Outubro 10, 2019 em Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora
Hugo Pinto

Foi esta uma das primeiras frases que o padrinho ensinou à sua afilhada. Provavelmente, para mangar com o pai da menina, benfiquista de coração. E a menina, ao ver que fazia sucesso e arrancava uns sorrisos, ora mais, ora menos satisfeitos, repetia a frase numa espécie de cantilena engraçada.



Quando me lembro dos recentes jogos do nosso Glorioso, não consigo deixar de recordar este acontecimento. Em princípio, Bella Guttman só amaldiçoou as finais europeias. Mas, recentemente, a maldição parece ter alastrado. Primeiro, a toda a fase das competições internacionais. Mais recentemente, parece que também paira aí “algo” sobre o campeonato.

As recentes jornadas na Liga dos Campeões têm sido para esquecer. Joga-se pouco, não se marcam golos, nem se pontua. Na UEFA, ainda demos um ar de graça, mas depois de fazer o mais difícil, fomos ser eliminados por um modesto (porém, bravo) Eintracht Frankfurt. E como se não bastasse, sendo que nas competições nacionais a coisa até tinha bom ar, agora até para consumo doméstico andamos a serviços mínimos.

Sou um admirador de Bruno Lage. Nele, gosto de praticamente tudo, no que ao futebol diz respeito. Mas precisa, rapidamente, de fazer um balanço e contas. É que no Benfica, o terceiro anel ainda é pior que o Bella. E nem é preciso começar a perder muito. Basta uma série de más exibições e o abutre vem tomar o lugar da águia Vitória. Faz-te à vida, Bruninho. Por mim, ficas. Mas… sabes como é a malta…

Um parágrafo final para o presidente lfv. E Não, a letra pequena não é “gralha”. É mesmo para condizer com as atitudes mais recentes deste senhor. É absolutamente incontestável que o atual presidente pegou num SLB moribundo e voltou a fazer dele um grande europeu… financeiramente. Hoje em dia, grandes clubes têm que ser geridos como empresas. Mas NUNCA como empresas apenas. É importante o projeto desportivo. É essa a alma mater do clube. De todos os clubes desportivos. Daí, a compreensiva insatisfação dos sócios. É tudo muito bonito (e é-o, de facto), mas sem título é tudo uma treta. Nunca por nunca poderia, lfv, ter tido a atitude que teve com um sócio (aperto de pescoço) numa recente assembleia geral. Mas nunca. O clube são os sócios, não uma personalidade (isso é mais pra norte). Convém não esquecer: Passam os Azevedos, passam os Vieiras. Só o clube permanecerá. Sempre. Et pluribus unum.

Viva o Benfica.

Por: Hugo Pinto*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

Falta artilharia

Setembro 27, 2019 em Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora
Hugo Pinto

Vitória “aflitinha” frente ao Moreirense, foi o mais recente resultado do nosso querido Benfica, na última jornada. Venceu…Mas não convenceu.



O modelo de jogo que, outrora, foi extremamente eficiente, parece, agora, estar a chegar ao fim. Em parte, devido à falta de poder de fogo na frente de ataque. Seferovic já teve dias melhores, RDT, que continuo a dizer que tem bastante qualidade, ainda não encontrou o seu “espaço”. E os golos não aparecem.

O Benfica desta temporada é sensivelmente semelhante àquele que no defeso recuperou de uma grande desvantagem face ao primeiro classificado, acabando por se tornar campeão. Falta João Félix, que agora mostra (definitiva e inequivocamente) o quanto desequilibrava a defesa adversária. E falta confiança a quem ficou com esta missão. Mesmo Rafa e Pizzi, outrora dois “cavalos de corrida” (palavras de Bruno Lage) já viram dias melhores, apresentando-se agora bastante desinspirados e uns furos abaixo relativamente ao que já os vimos fazer.

Posto isto, ocorrem-me aquelas conferências de imprensa de BL, cheias de fair-play, e indago-me se não serão demasiado denunciadoras do que se pretende levar para campo. De um momento para o outro, parece que toda a gente sabe como parar os imparáveis. Está BL a expor demasiado a estratégia de jogo? Gosto do estilo direto e frontal do mister, mas será que não nos estará a prejudicar? Talvez sim. Talvez não. Mas certo é que me começa a parecer que o treinador deve começar a pensar em operar algumas mudanças no modelo de jogo, de forma a que a colocação das peças no tabuleiro não seja tão previsível.

Não retiro mérito nem capacidades a ninguém. Mas a mudança, agora e logo, são uma inevitabilidade da vida. E o futebol não é exceção.

No momento em que escrevo estas linhas, acabo de saber que também na Taça da Liga não passámos do nulo frente ao Vitória. O que só corrobora a minha opinião. Mas, sobretudo, revela que a artilharia anda de pontaria desafinada. Ainda assim, nem tudo se resolverá com a reabertura do mercado.

Vamos lá Benfica. Vamos lá, Bruninho. Nós sabemos. E tu sabes que nós sabemos, que tu sabes para mais e melhor do que isto.

Carrega Benfica.

E Pluribus unum.

Por: Hugo Pinto*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

Kramer vs. Kramer

Setembro 18, 2019 em Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora
Hugo Pinto

O título desta semana foi “apanhado” de um magnifico clássico da sétima arte, do virar da década de setenta (mais exatamente, de dezembro do belíssimo ano de 1979), tendo como protagonistas, em brilhantes representações, Dustin Hoffman e Meryl- Srª Cinema-Streep.



Deixo, para os que se perguntam o que tem este título a ver com o último jogo do Benfica, esta resumidíssima sinopse. Trata-se de um drama entre um casal, os Kramers, e do seu divórcio. Neste, o casal, e mais especialmente o seu filho, veem-se enredados numa trama tal, que os próprios se colocam em situações em que protagonizam cenas de total crueldade psicológica (de um para outro), sem que isso seja o que realmente desejavam. Enfim, vale realmente a pena (re)ver.

Ora, este fim de semana, o adepto do futebol que simultaneamente aglomere as condições de barcelense e de Benfiquista, teve um pouco do sentimento de um dos Kramers. Queríamos a vitória do Glorioso, mas sofremos terrivelmente por ser contra o nosso Gil Vicente.

Jogo sem muita história, com o Benfica a fazer o seu jogo costumeiro, mas com uma vitória mais magra do que é habitual. Muito por mérito do nosso Gil, que não sendo propriamente uma equipa para acabar nos primeiros seis, se continuar a jogar desta forma pode, perfeitamente, sonhar com um lugar digno de registo no final da temporada, e bem longe dos lugares de despromoção.

Continuo a destacar as exibições de Kraev. E, por isso, lhe dedico um parágrafo. Este búlgaro tem futebol por todo o lado. Nos pés, no coração e, se calhar mais importante, na cabeça. A simples forma como toca a bola, a forma como se posiciona ofensiva e defensivamente, fazem dele um dos melhores box-to-box a atuar no nosso campeonato. Vai longe. Oxalá ajude muito o nosso Gil. Força rapazes. Força mister Vítor Oliveira.

Termino desejando a melhor das sortes também para o nosso Vermelhinho, que recebe um dificílimo e quase sempre subestimado RB Leipzig.

A melhor das sortes também na Liga e que nunca necessitemos de ganhar nenhum jogo (praticamente) no início do tempo regulamentar do jogo da jornada da semana seguinte. You know what I mean…

Viva o glorioso.

E Pluribus unum.

Por: Hugo Pinto*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

[Ndr: este artigo foi enviado pelo autor antes do jogo SL Benfica-RB Leipzig, a contar para a Liga dos Campeões, realizado a 17.09.2019]

Surpresa…e volta aos eixos

Setembro 6, 2019 em Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora
Hugo Pinto

Depois de um curto interregno, eis-nos de volta ao comentário futebolístico, abordando, desta vez, as duas últimas jornadas.



Começando pelo penúltima, vamos debruçar-nos sobre o jogo com o FCP, na Luz. Surpresa, parece ser a palavra que melhor define o que se passou. Quer para os adeptos do SLB, quer para os do nosso rival. Sobretudo, atendendo a que o nosso Glorioso vinha, desde a última época, fazendo uma série de belíssimas exibições, quase sempre com muitos golos. Diz-se, comummente, que a equipa que está “pior” é, normalmente, aquela que se sai melhor. No entanto, e atendendo aos momentos de forma de ambas as equipas, ninguém, nem portistas, nem benfiquistas, acreditavam, até ao momento do apito inicial, no desfecho que se veio a revelar. É verdade que o Porto vinha de uma derrota complicada em Barcelos e de uma eliminação na pré-eliminatória da Liga dos Campeões e não podia falhar. Mas o Benfica estava fortíssimo. Como não há vencedores a priori, o Porto surpreendeu tudo e todos com um jogo absolutamente perfeito e avassalador. Perdemos e perdemos bem. Nada mais a acrescentar.

Em Braga, a história foi outra. Adivinhava-se um jogo difícil, com um adversário que luta sempre pelos três pontos, de igual para igual, e portanto muitas dificuldades para os nossos homens. Porém, o Benfica voltou às boas exibições, tomando conta do jogo e marcando mais quatro golos, o que vem sendo imagem de marca nesta era de Bruno Lage.

Tudo em aberto, portanto, no campeonato da I Liga, sem que nenhum dos principais candidatos se isole, desde já, na liderança.

Na próxima jornada, recebemos o nosso Gil. Coração dividido para os barcelenses benfiquistas. Por mim, que o Gil ganhe todos os jogos, menos dois. Me desculpem. Mas o meu coração é vermelho e branco.

Saudações Benfiquistas.

Venha o #trintaeoito

E Pluribus Unum

Por: Hugo Pinto*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

É Já”mor”

Agosto 22, 2019 em Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora
Hugo Pinto

Que consolo é ver o nosso Glorioso jogar! Mesmo quando não estamos a ganhar por dois ou três, podemos sempre assistir a um futebol que entusiasma, que empolga, que apaixona. Ver o Benfica? É já”mor”…



Na última jornada, na qual defrontámos o Belenenses SAD, no… Jamor (se o trocadilho é baratucho, estar a explicá-lo é ainda pior, mas adiante…), tivemos a oportunidade de assistir a um belíssimo espetáculo de futebol. Que o nosso Benfica joga maravilhosamente, começa a ser um hábito. Mas tivemos um adversário que ajudou bastante ao espetáculo, no melhor dos sentidos. Quase sempre se sentiu a superioridade do Benfica. Porém, o Belenenses SAD nunca foi equipa de se encolher, defendendo bem e como pôde, e ainda procurando jogadas ofensivas capazes de surpreender. E quase o conseguiram, num ou outro lance, em que os centrais (sobretudo o Rúben Dias) facilitaram um pouco, talvez por excesso de confiança. Não fosse a virilidade dos seus vintes e poucos e seria um caso sério. Mas para já, ainda há pernas e velocidade para ganharem vantagem em lances em que partem em busca do prejuízo.

De mais a mais, todo o coletivo encarnado esteve muito bem, mais uma vez, com especial destaque para o Rafa, que acabaria por ser o homem do jogo. Logo desde o início, revelou uma enorme vontade de marcar, com lances ofensivos cheios de veneno e um ou outro pormenor de elevada categoria como aquele toque, meio de calcanhar, meio de lado, que daria um golo de belíssimo efeito. E aqui, nota de destaque para o guarda-redes “Burquino-Marfinense”, Hervé Koffi, que fez uma exibição fantástica! Não fosse ele e o Benfica teria feito mais cinco tentos.

E aproveito para deixar uma nota final de reflexão. Este tipo de jogadores, como Koffi, merecem uma oportunidade nos “grandes”. Quer o Porto, quer o Benfica…e mesmo o Sporting, bem precisavam de um guarda-redes deste calibre, a morder os calcanhares aos titulares. Mesmo que tivessem de o pagar bem pago, até pelo facto de obrigarem o Belenenses SAD a procurar outro guarda-redes, nesta fase, mas sempre se distribuía alguma riqueza e se atenuavam diferenças orçamentais entre os clubes. Parecendo que não, todos saíam a ganhar, pelo facto de a Liga se tornar mais competitiva. E dou um exemplo para cada caso. Como prova de que se reforçar no mercado interno pode ser bastante profícuo, veja-se o onze titular de Mourinho no FCP de 02/03 e 03/04. A desvantagem de uma Liga pouco competitiva, tem o seu melhor exemplo na Liga escocesa, que apesar da proximidade da Premier League, disputa um campeonato com apenas dois candidatos crónicos, que obriga o próprio campeão a disputar fases pré-eliminatórias da Liga dos Campeões.

Uma nota final para o discurso exemplar de Bruno Lage e a sua atitude de completo Fair Play, que devem ser exemplos a seguir urgentemente. Veja-se, em oposição (gostemos ou não), a atitude de “portismo-dos-anos-90” de Sérgio C. que não só está em absoluto desuso, como está (parece-me) a fazê-lo perder o respeito do próprio plantel. Mas isso é problema deles…Que o resolvam.

Viva o Benfica.

Venha o trinta e oito.

E pluribus unum.

Por: Hugo Pinto*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

Trinta e Oito

Agosto 16, 2019 em Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora
Hugo Pinto

Arranca a edição 19/20 da primeira Liga e, com ela, estão de volta as crónicas do Barão Vermelho.



O nosso Benfica fez uma ótima pré-época, praticamente invicto. Como tal, entrou nas competições oficiais domésticas em grande forma, goleando o Sporting na Supertaça Cândido de Oliveira, por cinco tentos, e mais cinco na primeira jornada, frente ao Paços de Ferreira.

Dificilmente poderíamos ter tido melhor começo, tomando vantagem logo na primeira jornada face aos nossos rivais diretos, uma vez que o FCP perdeu frente ao nosso Gil e o SCP não conseguiu melhor do que um empate na visita ao Marítimo.

Bruno Lage continua a demonstrar ser um treinador de excelência. Tem o balneário com ele, tem um modelo de jogo que resulta bem, dando quase sempre goleadas e tem, ainda, a clarividência de ter percebido que terá de se antecipar, mudando a sua fórmula, de maneira a que os adversários não consigam anular a estratégia do Benfica.

Quanto a reforços, gosto particularmente de ver jogar o RDT. Vê-se, pela forma como se posiciona e como toca a bola, que é craque. Creio que, com o tempo, poderá revelar-se ainda mais e dar-nos grandes alegrias.

Os nossos Golden Boys continuam a encantar! Tenho alguma pena que o miúdo Tavares tenha de jogar adaptado à direita, pois parece-me ser um grande defesa esquerdo. Aliás, o Benfica tem de começar a procurar sérias opções para o lado direito da defesa, pois desde a saída do Nélson Semedo que ainda não vimos um Defesa Direito à altura do resto da defesa. Pese, embora, o esforço e dedicação do André Almeida.

Convém, porém, ter algum cuidado, para que agora não se passe do 8 ao 80 e se tente resolver tudo com a formação interna. Ocasionalmente, será necessário procurar opções no exterior.

Por fim, penso que será também de repensar a opção por Seferovic, pois, desde as últimas jornadas da época passada, que anda com a pontaria desafinada. Gosto mais de ver no ataque, por exemplo, o RDT com o Vinícius. E, por que não, RDT como primeiro avançado e experimentar Jota a fazer de João Félix?…

Posto isto, venha o 38 …#trintaeoito.

Uma palavra final para o nosso Gil Vicente, que se estreou na Liga com uma exibição magnífica, sonegando 3 pontos ao FCP. Muita vontade de vencer e de mostrar serviço, taticamente esclarecidos, deram uma mostra de futebol bem jogado ao longo dos 90 minutos. Lourency foi endiabrado pelo flanco direito, dando muito que fazer à defesa portista. A mim, em particular, chamou desde logo à atenção Kraev. Este, para mim, irá ser a maior revelação gilista para esta época. Seja como for, que se mantenha esta garra e vontade de vencer e teremos uma época entusiasmante.

Força, Gil!

Viva o Benfica!

Por: Hugo Pinto*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

O campeão real

Maio 23, 2019 em Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora
Hugo Pinto

O Benfica é campeão. E dizer isto não é dizer pouco, atendendo a que há cerca de quatro meses mudámos de treinador (em boa hora) e tudo indicava que o FCP se ia sagrar tranquilamente bicampeão. Só que não.

O Benfica recuperou de sete pontos de atraso face ao primeiro lugar e acabou com mais dois do que o primeiro dos últimos (nove, no total). E tudo isto teve um autor: Bruno Lage. Diz-se hoje que é o novo Mou. É inevitável a comparação, uma vez que ambos são de Setúbal, Bruno é jovem, como era Mourinho na altura da sua estreia, e deram nas vistas como treinador principal no Benfica.



Porém, e escrevi isto mesmo numa crónica algures no final de janeiro ou início de fevereiro, para mim, estamos perante um fenómeno tipo Guardiola. Por isso mesmo, ainda levei uma leve alfinetada, mas o tempo veio a dar-me razão. Bruno Lage, tal como Guardiola, sabe de treino até dizer chega, trabalha com os jogadores como ninguém e teve o inegável mérito de pegar num grupo em frangalhos e fazer dele uma equipa como deve ser, a jogar um futebol vistoso e com golos. Muitos golos. Como se quer.

Outros falaram em colinho. E eu nem digo que não houve (alegadamente) nenhum. No Feirense, no Rio Ave, fui dos primeiros a dizer ou admitir que aconteceram episódios…sui generis. Agora, a questão é que episódios desses aconteceram com todas as equipas, ou, pelo menos, com todos os candidatos ao título. E como o futebol é um tango dançado a dois, não nos resta mais do que admitir que ao mérito do Benfica se juntou o demérito do FCP. Senão, veja-se o seguinte: o Benfica ganhou em casa e fora a todos os seus rivais diretos, exceto uma ocasião em que empata, salvo erro, com o Sporting. E o jogo no Dragão foi a prova provada de que o Benfica é campeão por mérito próprio e com inteira justiça. Temos pena, para o ano há mais.

Uma nota final, corroborando de certa forma o que escrevo supra, vai para o discurso de vitória de Bruno Lage. De uma sobriedade forma do normal, Lage lembra que há que respeitar os adversários, valorizando o esforço de todos, reconhecendo com fair-play que, se nuns anos uns estão melhores, noutro ano são outros. E há que o admitir com seriedade, justamente para que, quando se vence, se seja reconhecido como justo vencedor. E isto, meus senhores, devia ser o futebol. Afinal, é só futebol. E continua, deixando um alerta deveras interessante: como seria a nossa sociedade, se tivéssemos para com quem nos governa, a mesma exigência que temos para com o futebol. Já agora, vale a pena refletir sobre isto.

Somos campeões. Dá-me o 38. De preferência, com Bruno Lage aos comandos.

Viva o Benfica! E pluribus unum.

Por: Hugo Pinto*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

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