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Sandra Santos

Barcelenses Inspiradores: Inês Torres

Novembro 9, 2019 em Atualidade, Concelho, Cultura, Entrevistas, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora

Vanessa Barbosa, judoca barcelense, evidenciou como os mais jovens podem ser verdadeiramente inspiradores. Esta semana, apresentamos Inês Torres, cujo percurso académico e profissional nos enche de orgulho.

Se tiver interesse em participar ou em sugerir alguém inspirador para esta rubrica, escreva para o email: barcelensesinspiradores@outlook.pt.



Inês Torres é doutoranda em Egiptologia na Universidade de Harvard, EUA. Licenciou-se em Arqueologia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e é Mestre em Egiptologia pela Universidade de Oxford, Inglaterra.

Nasceu em Braga em 1991, mas é Barcelense de gema. Viveu em Barcelos até aos nove anos de idade, altura em que se mudou para o Porto, onde concluiu o ensino secundário. Foi, também, aos nove anos que se apaixonou pelo antigo Egipto, paixão essa que nunca esmoreceu, tornando-se na sua inequívoca vocação profissional.

Em 2009, iniciou a licenciatura em Arqueologia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que concluiu em 2012. Nesse mesmo ano, iniciou o mestrado em Egiptologia na Universidade de Oxford. Concluiu o mestrado em 2014 e em 2015 iniciou o doutoramento em Egiptologia na Universidade de Harvard, que deverá terminar em Maio de 2021.

Atualmente, Inês Torres dá aulas de Introdução aos Hieróglifos Egípcios (Egípcio Clássico) na Universidade de Harvard e é estagiária no Museu de Arte da mesma universidade, enquanto, simultaneamente, escreve a sua tese de doutoramento.



Quem és tu? Conta-nos quem és apenas como tu te conheces.

Sou uma pessoa determinada a lutar pelos meus sonhos, que sempre foram um bocado fora do comum. Adoro aprender coisas novas e partilhar os meus conhecimentos com outros, sejam alunos, familiares ou amigos. Sou bastante curiosa e gosto de fazer perguntas sobre tudo; talvez por isso me sinta tão feliz no meio académico. Sou tão caseira quanto aventureira: dou muito valor ao tempo em família, mas também estou sempre pronta a explorar novos mundos e oportunidades.

O que fazes é uma extensão de quem és?

De certa forma, o que faço é o que sou. O Antigo Egipto sempre foi a minha paixão. O meu sonho de um dia ser egiptóloga guiou todos os meus passos até agora – e continua a fazê-lo! Não consigo imaginar uma vida sem trabalhar no Egipto, sem estudar a sua história, sem ler os seus documentos, sem tentar compreender como era a vida das pessoas que aí viveram há milénios atrás.

De que forma impactas a vida do próximo?

Julgo que as vidas nas quais tenho mais impacto neste momento são as dos meus alunos. O ambiente universitário é um ambiente formativo, não só a nível intelectual, mas também a nível pessoal. Nas minhas aulas, dou imensa importância ao diálogo com e entre os alunos, e tenho sempre em consideração a opinião deles. Se há algo que é inegável, é que eu aprendo tanto com os meus alunos como eles comigo.

Se pudesses ter a atenção do mundo durante 5 minutos, o que dirias ou farias?

Falaria sobre a importância de reformularmos as políticas ambientais a nível global. Apelaria a uma mudança nos padrões de consumo globais, de forma a podermos travar os problemas ambientais que já começam a ter efeito. A mudança está em todos nós, e pequenos gestos individuais no dia a dia têm, no total, um enorme impacto!

Ao longo da tua vida, quem foram algumas das pessoas que mais te influenciaram?

A minha família, sem dúvida, todos de forma diferente. O meu namorado (e quase marido!), que também sendo egiptólogo, me influencia em todos os aspetos da minha vida, profissional e pessoal. Os meus amigos, espalhados pelo mundo todo, mas sempre presentes. Os vários professores e mentores que me encorajaram e ajudaram, de uma forma ou de outra, a atingir os meus objetivos profissionais.

Atualmente, que figuras de influência tomas como exemplo?

Michelle Obama, Greta Thunberg e Chimamanda Ngozi Adichie.

Diz-nos um barcelense que te inspire e porquê.

O meu pai! Admiro-o pela sua força e dedicação, presentes em tudo o que faz. Pela sua inteligência, pois estou sempre a aprender coisas novas com ele. Pelo seu humor e simpatia, que cativa toda a gente. Pelo seu apoio em tudo aquilo que faço. O meu pai é o melhor do mundo, mesmo!

Como gostarias de ser recordada?

Como alguém que viveu a fazer aquilo que mais amava! 

Por: Sandra Santos (Poeta e Tradutora) e Iara Brito (Criminóloga)*.

(* A redação do artigo é única e exclusivamente da responsabilidade das autoras)

Barcelenses Inspiradores: Vanessa Barbosa

Novembro 2, 2019 em Atualidade, Concelho, Desporto, Entrevistas, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora

Depois de termos apresentado a história de vida de Luciana Silva, é a vez de conhecermos o trajeto da judoca Vanessa Barbosa

Se tiver interesse em participar ou em sugerir alguém inspirador para esta rubrica, escreva para o email: barcelensesinspiradores@outlook.pt.



Vanessa Barbosa nasceu no dia 19 de fevereiro de 2000 e é natural de Barcelos. Pratica judo desde os seus 9 anos, na Associação Desportiva e Cultural de Manhente. Começou a praticar por influência dos seus amigos e colegas.

Já participou em várias provas internacionais, convocada pela Federação Portuguesa de Judo. Destaca-se um 3º lugar no Junior European Judo Cup – Gdynia, Polónia, em 2018, alcançando, nesse mesmo ano, um 5º lugar na Taça da Europa de Portugal, um 7º lugar no Junior European Judo Cup – Prague, República Checa, e ainda uma participação no Campeonato da Europa, na Bulgária.

Além disso, alcançou várias medalhas a nível nacional. Neste ano de 2019, foi medalhada com um 3º lugar no campeonato Nacional de Juniores e a mais recente conquista foi na Taça Internacional KK, em que conseguiu alcançar o 1º lugar.



Quem és tu? Conta-nos quem és apenas como tu te conheces.

É muito difícil responder a essa pergunta, mas eu considero-me uma boa pessoa. Sou uma pessoa descontraída, que está sempre pronta a ajudar o próximo. Uma pessoa que adora a vida e tudo o que me faça sorrir, bem. Acho que todos temos qualidades e, claro, também temos defeitos.

O que fazes é uma extensão de quem és?

Sem dúvida alguma que sim. O judo foi um desporto que apareceu na minha vida por mero acaso, sendo, sem dúvida alguma, aquilo que eu mais gosto de fazer. Sinto-me bem em fazê-lo e não imagino a minha vida sem.

De que forma impactas a vida do próximo?

Esta pergunta deveria ser feita às pessoas que lidam comigo, é realmente difícil responder a isso, acho que ainda sou muito jovem. Mas, quanto ao judo, quando apoio o meu treinador a dar alguns treinos a crianças, sinto que sou uma espécie de motivação para eles.

Se pudesses ter a atenção do mundo durante 5 minutos, o que dirias ou farias?

Eu diria para fazerem sempre aquilo que mais gostam, que com paciência e esforço conseguimos sempre alcançar aquilo que queremos, tanto a nível profissional, como pessoal. Por vezes, pode até ser complicado, mas sei que todos conseguimos e que não há ninguém melhor que ninguém. Diria também para que, tudo o que fizerem, façam-no sempre com muito amor, porque se não amarem o que fazem não estão no caminho certo.

Ao longo da tua vida, quem foram algumas das pessoas que mais te influenciaram?

Na minha vida, as pessoas que mais me influenciaram foram, sem dúvida alguma, a minha família, os meus pais, os meus irmãos e a minha avó. Foram pessoas que sempre fizeram de tudo para eu ser tudo o que sou hoje como pessoa e como judoca. Claro que também não me posso esquecer do meu treinador, Nelson Azevedo, que nunca desistiu de mim e que sempre acreditou nas minhas capacidades. E, por último, e não menos importante, os meus amigos que me dão sempre aquela palavrinha de força no dia das competições.

Atualmente, que figuras de influência tomas como exemplo?

No judo, tomo como exemplo o meu treinador, que se levantava todos os dias às 6h da manhã para ir trabalhar nas obras e no final do dia ia treinar. A vida custa a todos, e sei que tudo o que ele conquistou e a vida que ele tem hoje é com o mérito todo dele.

E também, sem esquecer, tomo como exemplo o atual campeão do mundo, Jorge Fonseca, que teve um cancro há pouco tempo e que nunca desistiu do seu objetivo.

Diz-nos um barcelense que te inspire e porquê.

A minha avó materna, com 92 anos, é uma senhora. Pela sua maneira de ser e porque sempre me mostrou os valores da vida. Tenho um orgulho enorme na minha avó.

Como gostarias de ser recordada?

Gostava que todos se recordassem de mim como eu sou, uma rapariga que está sempre com um sorriso na cara, sempre com simplicidade e humildade.

Por: Sandra Santos (Poeta e Tradutora) e Iara Brito (Criminóloga)*.

(* A redação do artigo é única e exclusivamente da responsabilidade das autoras)

Barcelenses Inspiradores: Luciana Silva

Outubro 26, 2019 em Atualidade, Concelho, Cultura, Desporto, Entrevistas, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora

No passado sábado, Quito Arantes deu-se a conhecer melhor aos seus conterrâneos. Hoje, Luciana Silva é a barcelense inspiradora.

Se tiver interesse em participar ou em sugerir alguém inspirador para esta rubrica, escreva para o email: barcelensesinspiradores@outlook.pt.



Luciana Silva, nasceu em Barcelos no dia 6 de julho de 1977. Aos 13 anos era a mais nova a competir no campeonato nacional de aeróbica que decorreu no Porto e aos 14 anos voltou a competir em Lisboa.

Apesar de desde nova ter uma grande apetência pelo desporto, frequentou, no secundário, o curso de Quimicotecnia. Posteriormente, licenciou-se em Engenharia Cerâmica no IPVC. Durante cerca de três anos exerceu a sua atividade profissional em Águeda, como responsável da secção de vidragem e de laboratório, mas as saudades apertavam e resolveu regressar à terra natal.

Profissionalmente, além de formadora e explicadora, foi chefe de equipa de outbound na PT (telemarketing) e, depois, na Tele2 chegando, por vezes a conciliar três trabalhos.

Em 2001, participou num programa de televisão e explorou um bar numa discoteca no Porto juntamente com outros colegas dos “reality-shows”.

 Em 2002 casou e, passados cinco anos, teve a “princesa” Eliana (o seu orgulho). Mas o “bichinho” do desporto e da dança sempre a acompanharam.

Há cerca de 8 anos, aceitou o desafio de dar aulas de dança a crianças!! Para além disso, tirou o curso de Técnica Especialista em Exercício Físico, que lhe permitiu colmatar mais uma paixão…as aulas de grupo.



Quem és tu? Conta-nos quem és apenas como tu te conheces.

Quem sou eu? Sou a Luciana. Sou uma mulher/menina que adora dançar, ouvir música, ir à praia (é a minha fonte de energia), viajar, que acredita no próximo e vê sempre o que de melhor ele tem.

Adoro estar com a minha família e amigos, mas também valorizo a minha companhia. Adoro sentar-me no chão, andar descalça, sentar na varanda a beber chá e olhar para o céu, ver filmes de comédia, romances, mas os meus preferidos são os bibliográficos.

Sou uma eterna romântica e valorizo as pequenas ações e atitudes. Os valores humanos em detrimento dos materiais.

Sou uma mulher de emoções! Muito mimalha, mas extremamente forte. Uma antítese.

Sou simples e de fácil acesso, amiga do amigo. Como digo várias vezes, “estou aqui para o que der e vier”. Falo sozinha!! Pois é! Faço parte daquela pequena percentagem de pessoas que fala com elas próprias, canto alto no carro e falo para o espelho. Sou a minha própria conselheira e psicóloga.

Apesar de socialmente ativa e de ter uma profissão que, por vezes, exige muita exposição, sou uma pessoa reservada e tímida (quando digo isto poucos acreditam!!)

Sou muito observadora relativamente a posturas, atitudes e comportamentos, mas totalmente “desligada” de pormenores materiais. E, como é notório, “falo” muito.

O que fazes é uma extensão de quem és?

Eu digo sempre que sou abençoada por fazer o que amo. E é verdade! Em todas as profissões que tive, sempre dei o meu melhor e sempre a tornei como sendo parte de mim.

Amo o que faço. Amo dar aulas! Amo as pessoas e tudo o que me dão, sem terem noção disso.

Muitas vezes, questionam-me sobre a minha profissão e, inicialmente, hesitava devido à complexidade do que faço. Atualmente, respondo assertivamente que sou professora!

De manhã dou aulas de ginástica sénior nos lares e dança/ginástica nas creches; à tarde dou explicações e apoio escolar de matemática e física e química e à noite dou aulas de grupo (zumba e localizada).  

Todas elas associadas a pessoas, a partilha, a entrega, a alegrias, a emoções e a aprendizagem. E nesta vida estamos em constante aprendizagem, por isso considero que o que faço é uma extensão de quem sou.

De que forma impactas a vida do próximo?

Essa é uma pergunta que o próximo deveria responder.

O que posso afirmar é que, independentemente da situação, do local e de quem esteja, eu sou sempre EU! Todas as pessoas têm sempre algo a dizer, a partilhar, a ensinar, pode não ser diretamente através da linguagem verbal, mas através da linguagem não verbal, com os seus comportamentos, posturas e atitudes.

Estou sempre disposta a absorver tudo que de positivo me dão. Os sorrisos e o brilho no olhar que recebo nas aulas. O “click” que é feito nos alunos aquando das explicações e a sensação de bem-estar é, com certeza, a maior gratificação de todas.

Quando recebo o feedback dos pais, que os filhos dizem que falo a “língua” deles, que dou exemplos práticos facilmente percetíveis; quando uma aluna de zumba diz que veio à minha aula para se sentir melhor; quando ouço dos meus “velhinhos”: -”Chegou a nossa alegria!”; quando sou abordada na rua por um dos meus “meninos” a chamarem “Uxiana” e a correr na minha direção para me abraçar e dar um beijinho…são reflexos do quanto recebo e talvez uma explicação da forma que os “impacto”.

Se pudesses ter a atenção do mundo durante 5 minutos, o que dirias ou farias?

Cinco minutos podem ser eternos ou instantâneos! O que diria ou faria? Esta é uma pergunta difícil de tão ambígua e utópica que é.

Sempre que rezo peço…”Paz no mundo!”, mas, infelizmente, outros valores são sobrepostos. Uma vez, o Papa Francisco disse: “Quando virem um estranho na rua, deem-lhe um sorriso, pois poderá ser o único sorriso que ele verá durante o dia!”

Então, respondendo à questão, diria para que fossem melhores pessoas! O que pressupõe o respeito pelo próximo, a partilha, a entrega, permitir que o próximo tenha uma vida tão digna quanto a sua, com direitos, mas também com obrigações.

Uma vez vi o filme “Favores em cadeia”, penso ser este o nome. É com o mesmo menino/ator do “Sexto sentido”, e seria isso que faria…favores em cadeia.

Ao longo da tua vida, quem foram algumas das pessoas que mais te influenciaram?

O meu pai!

A minha FAMÍLIA! Os meus amigos! As pessoas que cruzam e cruzaram o meu caminho.

As diferentes culturas e etnias que já tive a possibilidade de conhecer, de vivenciar e privar. 

As crianças, os adultos e os idosos com quem trabalho e trabalhei que, ao encontrarem-se em diferentes estágios da vida, permitem-me crescer e valorizar o que realmente é importante: a família, a amizade, a relação humana, o respeito, a atenção, o cuidado, a capacidade que temos em nos erguer e tornarmo-nos mais fortes e o AMOR.

Por isto, e mais, de uma forma sucinta, citando Antoine de Saint- Exupéry: “Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.” 

Atualmente, que figuras de influência tomas como exemplo?

 Sem dúvida o Papa Francisco. Por ser um visionário, HUMANO, por defender a aceitação das pessoas pelo que são, independentemente das raças, crenças, etnias, estado civil e orientações sexuais. Por acreditar que este pode ser um mundo melhor! São estes e outros fatores, que o tornam um exemplo da humanidade e alguém com quem me identifico.

Diz-nos um barcelense que te inspire e porquê?

A minha irmã! Por ser das pessoas mais humanas e corretas que conheço. Pela sua determinação e garra com que defende o que acredita. Pelos valores que tem e por defendê-los. Por contagiar todos que com ela privam, com a sua luz, a sua visão otimista e a proatividade que lhe é característica. Principalmente, por lutar SEMPRE pelo que acredita!

Como gostarias de ser recordada?

Gostaria de ser recordada como uma boa pessoa. Como alguém que aproveitou tudo de bom que a vida teve para lhe dar, que tentou sempre aprender com todas as adversidades com que se deparou e reter a parte positiva das mesmas.

Gostaria de ser recordada como uma AMIGA! Pois pelos amigos guardamos sempre um carinho e admiração.

Por: Sandra Santos (Poeta e Tradutora) e Iara Brito (Criminóloga)*.

(* A redação do artigo é única e exclusivamente da responsabilidade das autoras)

Barcelenses Inspiradores: Quito Arantes

Outubro 19, 2019 em Atualidade, Concelho, Cultura, Entrevistas, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora

Depois da professora de Pilates e uma das responsáveis pelo espaço de bem-estar e terapias “Di Alma”, Joana Correia, apresentamos o escritor barcelense Quito Arantes.

Se tiver interesse em participar ou em sugerir alguém inspirador para esta rubrica, escreva para o email: barcelensesinspiradores@outlook.pt.  



Francisco Manuel Matos Arantes nasceu em Angola em 09/07/1960. Passou a sua infância e grande parte da sua vida na cidade de Barcelos. Quito Arantes, como é conhecido no mundo literário e entre amigos, tem 15 livros publicados em português e 3 traduzidos para a língua inglesa (“In the House of Le Patriarche”, “The Four Seasons and a Townie – Memoirs of a year in Castro Laboreiro” e “The Journey”). Escreve muitas vezes sob o pseudónimo de Peter Quiet. O autor é conhecido pelas obras: “O Chalé de Cork “, “A Janela Aberta”, “O Recuperador de Tempo”, “Contos de Encantos”, e “Porque és Assim?”, entre outas obras.

A música e a fotografia sempre foram as suas paixões desde a adolescência, a par da escrita. Um defensor da natureza sustentável, amigo dos animais, não compactua com injustiças sociais, pelo que continua a lutar.

Sente que, apesar de 15 obras publicadas, nunca lhe foi reconhecido o mérito de ser o segundo escritor barcelense mais publicado a seguir ao professor Fernando Pinheiro.

Para conhecer melhor este escritor barcelense, poderá contactá-lo via e-mail ou consultar o seu blogue: www.quitoarantes.blogspot.com (Alma Aberta). Para já, fique com a sua entrevista ao “Barcelenses Inspiradores”. 



Quem és tu? Conta-nos quem és apenas como tu te conheces.

Sou um homem melómano ligado às artes da escrita e fotografia. Sou pouco polémico devido a ser excêntrico. Sou uma pessoa que não alinha no “politicamente correto”. Gosto da natureza na sua forma simples de ser. Sou uma pessoa, apesar da idade, um pouco ingénua que não vê mal na mente das pessoas. Por vezes, deixo a desejar por não alinhar com o maldizer. Preciso de paz para me concentrar naquilo que faço, não gosto de trabalhar sob pressão, sinto-me mal comigo e com os outros.

O que fazes é uma extensão de quem és?

Sem dúvida, o que faço é uma extensão do que sou. Não sou hipócrita, gosto de pessoas simples e com boas intensões.

De que forma impactas a vida do próximo?

De forma serena, deixando que as pessoas decidam por si o que querem das suas vidas, não gosto de pressionar, porque cada um segue o seu caminho, desde que seja em liberdade de decidir e de se expressar. As pessoas devem ser influenciadas de forma positiva para seu bem, sem danos colaterais.

Se pudesses ter a atenção do mundo durante 5 minutos, o que dirias ou farias?

Ninguém leva nada deste mundo, só mesmo as boas ações. Acabar com a miséria, com a guerra. O mundo chega para todos, existem bens e serviços para todos viverem com dignidade. A indústria farmacêutica mundial devia ser julgada pelos seus atos criminosos sobre a vida humana.

Ao longo da tua vida, quem foram algumas das pessoas que mais te influenciaram?

Camus, Jean Paul Sartre, Francisco Sá Carneiro, Fernando Pessoa, e muitas mais, que agora não me vêm há memória.

Atualmente, Eduardo Marinho (brasileiro ativista), Greta Thunberg e Afmach (Fernando Machado).

Diz-nos um barcelense que te inspire e porquê.

Sem margens para dúvida, o artista plástico Afmach, pela sua luta diária de sobrevivência, vivendo exclusivamente da pintura. Somos amigos e, para mim, uma pessoa de grande caráter. Uma pessoa humilde de fácil trato.

Como gostarias de ser recordado?

Como escritor barcelense, porque os livros que escrevo são os meus filhos, e neles, está toda a minha existência.  

Por: Sandra Santos (Poeta e Tradutora) e Iara Brito (Criminóloga)*.

Fotos: DR.

(* A redação do artigo é única e exclusivamente da responsabilidade das autoras)

Barcelenses Inspiradores: Joana Correia

Outubro 12, 2019 em Atualidade, Concelho, Cultura, Entrevistas, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora

Apresentamos a professora de Pilates, Joana Correia, uma das responsáveis pelo espaço de bem-estar e terapias “Di Alma”.

Se tiver interesse em participar ou em sugerir alguém inspirador para esta rubrica, escreva para o email: barcelensesinspiradores@outlook.pt.



Joana Correia nasceu em 1981 e é natural de Barcelos. Sempre gostou de Desporto e praticou, durante vários anos, a modalidade de Hóquei em patins no Óquei Clube de Barcelos. É licenciada em Ensino Básico, Variante Educação Física (2004), pela Escola Superior de Educação de Viana do Castelo. Desde aí, trabalha no colégio Menino Deus, a lecionar aulas de expressão motora na pré-escola. Em simultâneo, deu muitos anos aulas de natação e hidroginástica nas piscinas municipais de Barcelos e lecionou nas AEC`s do concelho de Barcelos. Em 2011, juntamente com um grupo de amigos, todos eles voltados para a área da saúde e atividade física, criaram o “Vidaativa”, com o objetivo de incentivar a prática de atividade física com treinos funcionais. Um ano depois, iniciaram-se as corridas noturnas que ainda agora se realizam, às terças e quintas feiras durante todo o ano.

Em 2012, teve o primeiro contato com Pilates e foi aí, depois da formação com o professor Nuno Gusmão, que sentiu que esse era o caminho a seguir. Tirou o curso completo de MAT e Aparelhos de Pilates com mais de 250 horas. O seu percurso como professora de Pilates passa por vários espaços onde a fez perceber que estava no caminho certo, e, em maio de 2018, abre o seu espaço, o “Di Alma”, juntamente com a sua irmã, Mariana Correia, fisioterapeuta, e Carla Ferreira, psicóloga. Este era já um projeto há muito idealizado pelas irmãs, mas foi necessário percorrer um longo trajeto para aprenderem, acreditarem e avançarem. Peça fundamental foi a chegada de Carla Ferreira, que lhes deu aquela “Luz” que faltava para, em conjunto, avançarem.

Assim nasce o “Di Alma – Estúdio & Terapias”  que tem como base olhar para o ser humano como um todo, como um ser único, respeitando todas as dimensões que o compõe: a física (corpo e movimento), a intelectual (cérebro e mente), a emocional (emoções e sentimentos), a espiritual (desejo de entender a natureza de si próprio) e a sua interação com o meio envolvente. Com base nesta perspetiva, surgiu a necessidade e o sonho de um trabalho complementar e em equipa, em prol do bem-estar supremo de cada pessoa.



Quem és tu? Conta-nos quem és apenas como tu te conheces.

Sou uma pessoa normal com os meus medos e as minhas inseguranças, mas com muita vontade de superá-los e sempre com vontade de me conhecer melhor. Considero-me uma pessoa extrovertida, mas ao mesmo tempo um pouco reservada; sou uma pessoa ativa, prática, mas pouco organizada; muito observadora; alegre, que adora rir e ver os sorrisos dos outros. Adoro ensinar e aprender com os outros, por isso, adoro trabalhar em equipa.

O que fazes é uma extensão de quem és?

Sem dúvida alguma, o que faço é uma extensão do que sou, em tudo o que faço tento dar o meu melhor; tento sempre pôr-me no lugar do outro e fazer sempre o que acredito que seja melhor para o outro, independentemente da faixa etária que estiver a lecionar.

De que forma impactas a vida do próximo?

No dia a dia, não sei… os outros é que podem dizer. A nível profissional, de certa forma, tento que as pessoas estejam mais atentas ao que sentem, que ganhem mais consciência corporal, que deem mais valor a si e que se ponham em primeiro lugar. De certa forma, é o que tenho vindo a aprender e a aplicar em mim. A valorizarmo-nos e a conhecermo-nos mais.

Se pudesses ter a atenção do mundo durante 5 minutos, o que dirias ou farias?

Como é tão pouco tempo, diria apenas estas quatro verdades do livro “As 4 Verdades de Don Miguel Ruiz” – um livro que anda sempre comigo, que temos sempre lá no estúdio “Di Alma” e que, de certa maneira, me ajudou e ajuda bastante ao nível do desenvolvimento pessoal e na relação com o outro, aqui vai:

1ª Verdade: Sê impecável com a tua palavra;

2ª Verdade: Não leves nada a peito;

3ª Verdade: Não tires conclusões precipitadas;

4ª Verdade: Dá sempre o teu melhor.

Se cada um de nós começar a aplicar estas quatro verdades, no nosso dia a dia e em todas as áreas da nossa vida, o mundo seria um lugar melhor, com muito mais amor para dar e receber.

Ao longo da tua vida, quem foram algumas das pessoas que mais te influenciaram?

Muitas são as pessoas que me influenciaram desde que nasci, mas, sem dúvida, os meus pais por me ensinarem o que é amor incondicional, e agora a minha filha, a minha irmã e o meu marido por acreditarem no meu valor e me ajudarem a ver o mundo de várias perspetivas, família mais próxima que me ajudaram a criar, amigos, professores, colegas e alunos. Todos fazem parte daquilo que sou hoje, desde já, o meu obrigada.

Atualmente, que figuras de influência tomas como exemplo?

Atualmente, e nesta fase da minha vida, talvez das figuras que tomo como exemplo é a Rute Caldeira e a Mikaela Övén. Ao nível profissional, o meu professor de Pilates, Nuno Gusmão.

Diz-nos um barcelense que te inspire e porquê.

Poderia referir vários barcelenses, contudo, existe um que, para mim, é muito especial e que tem feito muito por Barcelos na sua área. O meu Tio Dr. Victor Pinho, bibliotecário da Biblioteca Municipal de Barcelos. É uma pessoa humilde, emotiva, prestável, humana, com um amor enorme pelo seu trabalho e pelas pessoas…e, por isso, tenho a certeza que este é, para mim, um Barcelense Inspirador.

Como gostarias de ser recordada?

Gostaria de ser recordada com um grande sorriso pelas pessoas que se cruzaram comigo na caminhada da vida, não só pela vida profissional, mas também pela pessoa de garra, alegre, motivadora, de paz e com muito Amor para dar e receber. Estou a trabalhar todos os dias para isso. 😉

Por: Sandra Santos (Poeta e Tradutora) e Iara Brito (Criminóloga)*.

(* A redação do artigo é única e exclusivamente da responsabilidade das autoras)

Barcelenses Inspiradores: Cristiana Sá

Outubro 5, 2019 em Atualidade, Concelho, Cultura, Entrevistas, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora

É a vez de conhecermos o trajeto pessoal e profissional da professora Cristiana Sá, que tem privilegiado a Arte no seu serviço de docência.

Se tiver interesse em participar ou em sugerir um barcelense inspirador para esta rubrica, escreva para o email: barcelensesinspiradores@outlook.pt.



Cristiana Sá nasceu a 22 de setembro de 1980. Licenciou-se na área de Professores do 1º e 2º ciclo do Ensino Básico, variante Educação Visual e Tecnológica, e tirou o mestrado em Gestão Artística e Cultural pela Escola Superior de Educação de Viana do Castelo.

Iniciou o seu percurso profissional no ensino regular e, nos últimos anos, tem desenvolvido projetos na promoção da inclusão social de grupos mais vulneráveis na sociedade através da Arte. Neste momento, é professora de Artes Plásticas no CAO da APAC (Associação de Pais e Amigos das Crianças) e é coordenadora do Projeto “Artes Sénior”. desenvolvido através do Pelouro da Ação Social do Município de Barcelos.



Quem és tu? Conta-nos quem és apenas como tu te conheces.

Para mim é difícil definir-me exatamente como sou. Sinto que, mediante diferentes situações, tenho reações e formas de estar distintas. Contudo, há caraterísticas que identifico como mais vincadas.  Sou uma pessoa muito emotiva e reservada, no entanto, sou muito determinada e persistente nos meus objetivos e convicta relativamente aos valores em que acredito e que defendo. Sou um ser humano com qualidades e defeitos como qualquer outro, mas faço por sobrepor o meu lado positivo ao negativo.

O que fazes é uma extensão de quem és?

Naturalmente, tudo o que faço é uma extensão daquilo que sei e sinto, tanto no plano profissional, como pessoal. O meu conhecimento e os meus sentimentos estão intimamente ligados à minha forma de estar, às minhas criações e, no fundo, a todo o trabalho que desenvolvo. A Arte em todas as suas formas de expressão tem o poder de espelhar a essência da alma, exprimir sensações, emoções, ideias, e neste sentido tudo o que faço será sempre o reflexo daquilo que sou e sinto naquele momento.

De que forma impactas a vida do próximo?

Nos últimos anos, tenho desenvolvido vários projetos de intervenção na área social através da Arte, nomeadamente, com pessoas com deficiência e seniores. Sinto que a partir destes trabalhos, a questão do “Outro” está muito presente e é o foco onde incido a minha maior preocupação. O que posso fazer para melhorar a vida destas pessoas? Tenho cada vez mais consciência de que tudo o que faço só faz sentido se trouxer mais-valia à vida do “Outro”. Mais do que colocar a minha “Arte” ao serviço dos “Outros”, coloco a minha pessoa ao serviço do “Outro” através do respeito, da amizade, do carinho e da dedicação na esperança de fazer a diferença com pequenos gestos.

Se pudesses ter a atenção do mundo durante 5 minutos, o que dirias ou farias?

É um pouco difícil não cair no clichê de apelar para a Paz, mas penso que com pequenos gestos diários e vontades políticas todos temos o poder de modificar a sociedade e, consequentemente, ter um mundo melhor. Alertaria para as questões sociais e culturais e para a aliança que se pode fazer entre elas no combate às desigualdades, pobreza e exclusão. A Arte possui um poder incrível de aproximação das pessoas e, pela minha experiência profissional com grupos mais vulneráveis da nossa comunidade, tenho verificado que projetos e iniciativas de inclusão pela arte são uma mais-valia na vida de muita gente que está em situações de vulnerabilidade económica, social e educacional. Criar oportunidades de participação para todos é, sem dúvida, uma emergência social que temos de ter presente. A dignificação da vida humana pela vertente cultural é o meu ponto de ordem e é o que me impulsiona para o desenvolvimento do meu trabalho.

Ao longo da tua vida, quem foram algumas das pessoas que mais te influenciaram?

Todas as pessoas que passam na minha vida me influenciam. A minha família, os meus amigos, os meus alunos e todas as pessoas que interagem comigo, todas me influenciam em diferentes situações e todas elas são importantes na minha formação enquanto pessoa. Nos últimos anos tenho conhecido pessoas simplesmente maravilhosas que me incentivam e influenciam para fazer cada vez melhor. Os meus alunos seniores e os meus alunos da APAC são, sem sombra de dúvida, as pessoas que mais me influenciam neste momento, no sentido de constantemente me desafiarem a superar barreiras e a constantemente me reinventar como pessoa e profissional. Mais do que ensinar, tenho aprendido imenso e sinto que descobri capacidades e fragilidades que me fizeram crescer em todos os aspetos.

Atualmente que figuras de influência tomas como exemplo?

São várias as pessoas que tomo como exemplo pelo seu trabalho, impacto social e ações que desenvolvem em diferentes áreas. Confesso que não tenho uma admiração concreta por nenhuma pessoa, extraio o que me chama à atenção e assimilo o que me pode servir como linha orientadora no meu percurso, tanto profissional, como pessoal. Contudo, a história de vida de Frida Kahlo é simplesmente inspiradora…As barreiras que se lhe colocaram na vida não foram obstáculo para realizar uma obra notável!

Diz-nos um barcelense que te inspire e porquê?

Não me posso limitar a referir somente um nome, porque seria injusta. Confesso que toda a nossa comunidade artística popular é uma fonte de inspiração. Nos últimos anos, tenho-me focado mais na nossa cultura e no nosso património e essa inspiração revela-se nos trabalhos que desenvolvo, principalmente, nos projetos que desenvolvo. Neste momento, sinto que todos os artesãos barcelenses têm sido uma grande inspiração e têm contribuído para o desenvolvimento do meu trabalho. A minha abordagem à cultura local nos projetos que desenvolvo advém do orgulho que nutro pelo que é nosso e pelo que nos identifica e carateriza. Penso que devemos começar por valorizar as nossas raízes e tradições e dar-lhes visibilidade para valorização da nossa cultura e identidade. Temos de começar pela sua divulgação e valorização e é esse o meu principal objetivo profissional: contribuir para a preservação da nossa identidade local.

Como gostarias de ser recordada?

Não tenho qualquer pretensão sobre a forma como serei recordada. Apenas serei recordada como as pessoas me conseguiram percecionar, poderá ou não corresponder à realidade, mas isso fica à responsabilidade de quem avaliar o meu percurso. Apenas pretendo fazer o meu caminho e dar o meu contributo de forma significativa para a valorização da nossa cultura e cooperar no combate às desigualdades sociais, contribuindo para uma sociedade melhor. Apenas faço o melhor que posso e sei; a forma como serei recordada…logo se verá! Mas sem dúvida que se tiver contribuído para divulgar a nossa cultura e tiver contribuído para melhorar a nossa sociedade, irei daqui satisfeita.

Por: Sandra Santos (Poeta e Tradutora) e Iara Brito (Criminóloga)*.

(* A redação do artigo é única e exclusivamente da responsabilidade das autoras)

Barcelenses Inspiradores: Ana Barroso

Setembro 28, 2019 em Atualidade, Concelho, Cultura, Entrevistas, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora

Nesta edição revelamos a história de vida da investigadora Ana Barroso, cujo trabalho se foca na comunidade cigana.

Se tiver interesse em participar ou em sugerir alguém inspirador para esta rubrica, escreva para o email: barcelensesinspiradores@outlook.pt



Ana Patrícia Pereira Barroso nasceu no dia 4 de agosto de 1992, natural da freguesia de Faria, concelho de Barcelos. É licenciada em Educação pela Universidade do Minho e Mestre em Serviço Social pela Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Católica Portuguesa – Centro Regional de Braga com a dissertação “A autonomização feminina no grupo sociocultural cigano português: estudo de caso no Concelho de Braga: Programa Escolhas”.

Tem, ainda, uma Pós‑graduação em História da Saúde pela Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Católica Portuguesa ‑ Centro Regional de Braga. Em 2019, a sua dissertação foi uma das vencedoras do prémio Padre David de Oliveira Martins, atribuído pela Cáritas Portuguesa em articulação com a Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, integra a equipa do projeto B!equal da Cáritas Arquidiocesana de Braga, onde trabalha com a população cigana do Monte de S. Gregório e da Praceta Padre Sena de Freitas. 



Quem és tu? Conta-nos quem és apenas como tu te conheces.

Nunca é fácil falarmos de nós próprios, mas, neste momento, posso dizer que sou uma pessoa em constante crescimento e cheia de medos. Cresço todos os dias com as pessoas que me rodeiam e as situações que ocorrem. Vivo com receio de errar e do desconhecido. Mas também com muitos sonhos, o maior deles passa por, todos os dias, melhorar a vida de alguém. Sou dedicada e focada. Gosto de ajudar o Outro, porque, quando apoiamos o crescimento de alguém, não estamos a impedir o nosso crescimento, estamos a crescer juntos. 

Sou também uma apaixonada pela família, pelos amigos, pela vida e pelo que faço. 

O que fazes é uma extensão de quem és?

Quero acreditar que sim. Atualmente, o que faço é, sem dúvida, o maior sonho da minha vida, por isso, acho que é a extensão daquilo que eu sou. Lutei muito para conseguir chegar ao patamar em que me encontro hoje. Nada na vida se consegue sem sacrifício. Agradeço imenso o caminho que tive que trilhar para chegar até aqui, pois tudo foi uma aprendizagem e uma construção do meu Eu.

De que forma impactas a vida do próximo?

Esta questão deveria ser colocada às pessoas que se cruzam comigo, pois seriam as mais indicadas para responderem.

Contudo, posso afirmar que trabalho todos os dias para chegar ao coração do Outro e deixar uma marca positiva. Luto, diariamente, para quebrar preconceitos e tornar a vida de alguém um bocadinho mais fácil.

Se pudesses ter a atenção do mundo durante 5 minutos, o que dirias ou farias?

Se eu tivesse 5 minutos para falar ao mundo, apelaria ao amor e à compreensão. Há umas semanas ouvi a frase: “Ama-me quando menos mereço, porque é quando mais preciso”. Por vezes, na correria do dia a dia, esquecemo-nos de olhar o Outro com amor. E eu acredito que o amor, nas suas variadas formas, pode ser a resolução de muitos problemas.

Ao longo da tua vida, quem foram algumas das pessoas que mais te influenciaram?

A pessoa que mais me influencia é a minha avó paterna. Pela sua história de vida, pelo exemplo que é para a família, por nunca ter perdido a fé e o amor.

Tive também alguns professores que me influenciaram, em particular, o Professor Doutor Manuel Antunes da Cunha.

Atualmente, que figuras de influência tomas como exemplo?

No que diz respeito ao campo profissional, a Maria José – diretora técnica do Lar residencial da APACI – é, sem dúvida, uma referência. Tive oportunidade de me cruzar com ela nos 9 meses de estágio profissional que realizei na instituição e tornou-se o meu maior exemplo pelo carinho, dedicação, sabedoria e amor que coloca naquilo que faz.

Diz-nos um barcelense que te inspire e porquê.

Questões políticas à parte, admiro a Dr.ª Armandina Saleiro pela coragem de dar um passo importante para a integração das comunidades ciganas de Barcelos.

Como gostarias de ser recordada?

Gostaria de ser recordada como uma pessoa simples e humilde que fez a diferença na vida de alguém.

Por: Sandra Santos (Poeta e Tradutora) e Iara Brito (Criminóloga)*.

(* A redação do artigo é única e exclusivamente da responsabilidade das autoras)

Barcelenses Inspiradores: Fernanda Pereira

Setembro 21, 2019 em Atualidade, Concelho, Cultura, Entrevistas, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora

A música era a influência do nosso barcelense inspirador da semana passada. Hoje, damos a conhecer Fernanda Pereira, que motiva e é motivada através das letras.

Se tiver interesse em participar ou em sugerir alguém inspirador para esta rubrica, escreva para o email: barcelensesinspiradores@outlook.pt.



Fernanda Pereira nasceu a 24 de junho de 1969, na freguesia de Alturas do Barroso, concelho de Boticas, e reside na freguesia de Arcozelo, concelho de Barcelos.

Casou a 24 de junho de 1995, na cidade de Barcelos, com um barcelense, e é mãe de dois filhos – João Pedro e Guilherme.

Iniciou o seu percurso escolar na Escola Primária de Alturas do Barroso. Com 10 anos, foi estudar para a sede de concelho – Boticas, onde ficava durante a semana e, com 15 anos, para a cidade de Chaves. Terminou o ensino secundário e iniciou-se no mundo do trabalho, através do programa “Ocupação dos Tempos Livres”, no Serviço de Finanças de Boticas. Foi ali que tomou conhecimento do concurso de acesso à função de escriturária nas conservatórias e cartórios notariais, tendo sido selecionada e colocada nos Açores, na Ilha de S. Jorge, nos Serviços Anexados de Velas.

Com 20 anos, ganhou a sua independência e autonomia. Foi um tempo maravilhoso, mas as saudades eram imensas, quer da sua mãe e restante família, bem como dos amigos, que tinham ficado do lado de cá do mar.

Daí que, logo que surgiu um concurso – Braga seria o alvo, concorreu para a Secretaria Notarial de Barcelos. Foi ali empossada – ainda com 20 anos – e nunca mais saiu desta cidade. Com a separação dos cartórios, escolheu o 2º Cartório Notarial de Barcelos.

Aquando da privatização do notariado, foi convidada pela notária daquele cartório a acompanhá-la na abertura do seu cartório privado, na cidade de Braga. Há exceção do trabalho prestado neste cartório, em Braga, todo o resto decorria e continuava a decorrer na cidade de Barcelos.

Regressou ao “público” e foi colocada na Conservatória do Registo Civil de Barcelos, onde se encontra até à presente data, exercendo funções no Front Office do Espaço Registos de Barcelos.

A sua formação superior aconteceu em Barcelos, no Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA). Assim, em 2010, regressou à Escola e, em 2013, terminou a licenciatura em Solicitadoria.

Mais tarde, principiou o mestrado em Solicitadoria, especialização em Contratos, tendo defendido o seu trabalho de dissertação para obtenção do grau de mestre em julho de 2018.

Desafiada a publicar este trabalho, surgiu o livro “A TITULAÇÃO DOS NEGÓCIOS – Aspetos Jurídicos, Fiscais e Registais”, publicado em junho de 2019, que a enche de orgulho, bem como aos seus orientadores, para com os quais terá para sempre uma dívida de gratidão.

A par da família, trabalho e estudos, há o associativismo e o voluntariado, que têm bastante relevo na sua vida quotidiana e se tornam em atividades muito gratificantes para si.

Esteve na constituição da “SOLICITIUS – Associação para a Promoção da Solicitadoria”, com sede em Barcelos e na qual mantém um cargo na direção da mesma.

É uma pessoa apaixonada pela vida, pela família, pelo trabalho, pela natureza e por esta cidade, que é a nossa cidade de Barcelos.



Quem és tu? Conta-nos quem és apenas como tu te conheces.

Eu sou a Fernanda, orgulhosamente transmontana, mas completamente integrada nesta cidade maravilhosa que é Barcelos e que me acolheu de braços abertos.

Vim para cá trabalhar em 1990, casei, tive filhos, estudei, integrei as várias Associações de Pais das Escolas por onde os meus filhos passaram, bem como o Conselho de Pais da Catequese de Santo António, onde atualmente sou catequista.

Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida”, Sócrates

Conheço-me desta forma, vivendo diariamente novos desafios. Desafios, inacreditavelmente, despontados em momentos aparentemente improváveis, mas que se têm relevados nos momentos certos.

Um dos desafios foi o meu regresso à escola, que surgiu em consequência da privatização do notariado. Explicitando, trabalhei cerca de 20 anos, no notariado, sendo os três últimos num cartório privado. Quando vim para a Conservatória, deixei de estar na minha zona de conforto. Seguiu-se um período de aprendizagem, incluindo uma formação de requalificação em registos. Esta formação, além de me ter proporcionado amizades para a vida, criando o grupo IRN Maio/2009, levou-me a perceber que estava na altura de fazer aquilo que não tinha feito, uma vez que comecei a trabalhar imediatamente ao término do ensino secundário – aprender e ter uma licenciatura.

Mas o gosto pela aprendizagem não ficou pela licenciatura e depois de feito o exame de acesso à Ordem dos Solicitadores e Agentes de Execução (OSAE), inscrevi-me no Mestrado, Especialização em Contratos, com o objetivo da obtenção de grau de mestre. Relativamente ao trabalho da dissertação foi muito gratificante fazê-lo, porque abordei questões de que gosto e que integram a minha profissão, mas foi por outro lado muito penoso, quer para mim, quer para a minha família, perante quem me penitencio pelo tempo em que não lhes pude dar a devida atenção. Houve momentos em que pensei desistir, em que pensei que não seria capaz. Enfim, que não era possível. No entanto, o incentivo de muitos levaram-me até ao final. Ao longo do trabalho houve uma frase, que para mim foi inspiradora, da autoria de Nelson Mandela “Tudo é considerado impossível até acontecer.” Aconteceu, defendi o trabalho e obtive o grau de mestre. Seguiu-se um novo desafio, que foi a publicação do trabalho de dissertação. Foi publicado e o dia da apresentação do livro, no Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA), a minha casa, foi um dia repleto de emoções.

Mas “como a vida não vai parar”, este ano estou a fazer uma pós-graduação em Direito Notarial e Registal, em Coimbra.

À parte disto, vejo-me como uma pessoa extremamente sensível (sou caranguejo), de emoções fortes e à flor da pele, em constante crescimento…que aprecia os pequenos gestos e atitudes, valorizando cada vez mais o “ser/estar” e cada vez menos o “ter”.

O que fazes é uma extensão de quem és?

Sem dúvida. Em tudo o que faço coloco AMOR, que para mim é a base de tudo. Depois, se por um lado sou demasiado perfecionista (comigo, acima de tudo), por outro, sou tolerante e tento-me colocar sempre do outro lado.

De que forma impactas a vida do próximo?

Pois, isso já não sei. Uma coisa eu sei, nunca guardo nada na “manga”. Tudo o que tenho dou, levando a que nada se perca, seguindo desta forma um dos lemas de Madre Teresa “Tudo o que se perde é o que não se dá”. Daí o meu gosto pela “Partilha” que se traduz em “repartir com alguém”. Repartir ideias, conquistas, alegrias, conhecimentos…E nada melhor para o conhecimento, que quando o partilhamos que alegria alcançamos!

Foi o que aconteceu em resultado de ter oportunidade de dar aulas no IPCA. Foi uma das melhores experiências da minha vida, pois pude partilhar o que aprendi, quer academicamente, quer em resultado da prática diária. Nada mais gratificante!

É o que acontece quando participo em conferências, onde posso partilhar aquilo que vou sabendo, em resultado do estudo, investigação e prática diária.

A publicação do meu livro também tem este efeito. De uma forma simples, direta, mas com o rigor e linguagem jurídica como se pretende, ajudar as pessoas nas suas dúvidas diárias e relacionadas com a Titulação.

Se pudesses ter a atenção do mundo durante 5 minutos, o que dirias ou farias?

Colocava todas as pessoas de mãos dadas, para que o amor trespassasse entre elas e estabelecesse a paz necessária à tomada de boas decisões em prol da humanidade.  

Ao longo da tua vida, quem foram algumas das pessoas que mais te influenciaram?

A minha mãe. Uma resiliente nata. Pensando que não sabe ler, nem escrever, porque não teve oportunidade, mas que consegue ter uma sabedoria de meter inveja a muitos diplomados.

Atualmente, que figuras de influência tomas como exemplo?

O “nosso” Papa Francisco. Um outro verdadeiro exemplo é a Madre Teresa de Calcutá. Revejo-me em todos os seus pensamentos. E de uma forma geral, todas as pessoas que, diariamente, fazem algo em prol do próximo. Mais que não seja, deixar-lhe um sorriso, uma palavra amiga…

Diz-nos um barcelense que te inspire.

Em vez de um, dois, que verdadeiramente são um. Pela sua forma de ser e estar, um casal de amigos, que são a família que escolhi, em Barcelos.

Como gostarias de ser recordada?

Alguém com uma preocupação constante em, diariamente, fazer mais e melhor. Que a minha maior satisfação era, com humildade e simplicidade, fazer tão pouco e tornar alguém feliz. Que sempre tive como influência uma das maiores figuras da humanidade – Madre Teresa de Calcutá, não permitindo que alguém saísse da minha presença sem se sentir melhor e mais feliz.

Por: Sandra Santos (Poeta e Tradutora) e Iara Brito (Criminóloga)*.

(* A redação do artigo é única e exclusivamente da responsabilidade das autoras)

Barcelenses Inspiradores: João Henrique Correia

Setembro 13, 2019 em Atualidade, Concelho, Cultura, Entrevistas, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora

A semana passada apresentámos a investigadora Cátia Cardoso. Esta semana será a vez de conhecermos João Henrique Correia, o conhecido músico barcelense. Se tiver interesse em participar ou em sugerir alguém inspirador para esta rubrica, escreva para o email: barcelensesinspiradores@outlook.pt.



João Henrique Correia, também conhecido como Art Breaker, tem 29 anos e nasceu em Barcelos. Técnico de Planeamento de profissão e apaixonado pela música. Já foi atleta sénior do Basquete Clube de Barcelos e, na música, trabalhou com alguns dos nomes mais altos do Rap em Portugal, tendo já pisado os maiores palcos da música portuguesa.



Quem és tu? Conta-nos quem és apenas como tu te conheces.

Nascido a 12 de fevereiro de 1990, um jovem que sempre teve objetivos claros onde quer que passou e por onde a vida me levou, tanto no desporto, como na música. Sou uma pessoa descontraída, apaixonada pela vida, solidário com quem realmente necessita, entre muitas outras virtudes e, claro, defeitos.

O que fazes é uma extensão de quem és?

Concordo. Tudo que nos acontece na vida vem sempre com um propósito! Em 2005, o meu avô faleceu e nunca consegui seguir em frente, sentindo sempre a ausência dele, levando comigo para todo o lado. No pensamento, no nome, no rosto, no coração e até em duas tatuagens. Em 2012, a vida também me pôs à prova para saber se era de “matéria forte”: dois dias depois de ter doado medula óssea, a 15 de dezembro, é-me diagnosticada uma doença autoimune no sistema neurológico, chamada esclerose múltipla. Muitas vezes me perguntam se tenho dores, se consigo viver com ela e até como lido com ela. Que remédio tenho eu que lidar bem com ela, não é? Já se tornou parte da família. 

De que forma impactas a vida do próximo?

Desde muito jovem, olhava sempre para os mais velhos como exemplos a seguir. Olhava para o meu avô materno, que veio de famílias humildes e o pai falecendo muito novo, teve que lutar pelos seus sonhos, construindo uma carreira de sucesso, profissionalmente, e uma família de valores com mulher e duas filhas, ou até mesmo o meu pai, um jovem que com 18 anos se manda para Beja, para a Força Aérea, e hoje em dia é uma das pessoas mais influentes da justiça nacional, tendo já sido aclamado de “Cristiano Ronaldo da Anticorrupção” pelo Correio da Manhã. Não poderia ter melhores valores, não é? Levei os valores que ambos me ensinaram para todo o lado, tanto no desporto, enquanto atleta do Basquete Clube de Barcelos, como na música, como sendo o “Art Breaker”. Cruzei-me com grandes jogadores, muitos deles eram meus ídolos quando mais jovem, mas mantive sempre a humildade que me ensinaram. Assim como na estrada, nos concertos com os mais diversos artistas! Desde Sam The Kid, Dealema, Richie Campbell, Valete, entre muitos, muitos outros. Foi uma caminhada muito bonita enquanto durou…

Se pudesses ter a atenção do mundo durante 5 minutos, o que dirias ou farias?

Dizia para aproveitarem a vida ao máximo, cada minuto, cada segundo, da melhor maneira! Arrependo-me de bastante coisa no meu passado, de coisas que não fiz, de coisas que não disse e a quem não disse! Apercebi-me disso aquando do diagnóstico da minha doença. Encontrei muitos “amigos”, que em vez de me ajudar, deitavam-me abaixo. Patrões que não souberam lidar com a minha doença, nem tão pouco saber entendê-la…a esclerose múltipla nunca foi, nem é, nem nunca será, um problema para mim. Mudar, mudaria a mentalidade das pessoas!

Ao longo da tua vida, quem foram algumas das pessoas que mais te influenciaram?

Na minha família, o meu avô materno e o meu pai. E para quem me conhece bem, o amor da minha vida…a minha avó materna! Na música, a vida fez-me juntar, tanto profissionalmente, como na amizade, três grandes pessoas: Fuse, dos Dealema; Zulu, dos Quartel 469; e o DJ Flip, também dos Quartel 469! O Nuno (ou Fuse, como preferirem), é como se fosse um irmão mais velho! Tive o prazer de ter trabalhado e acompanhado na sua “Caixa de Pandora”! O Zulu é, basicamente, como se fosse o meu “Guru”, tanto no Rap, como na vida do dia a dia, tendo sempre bons conselhos e palavras que irei levar para toda a vida! O Flip, como um irmão! Um grande DJ, um grande fotógrafo, mas acima de tudo, um coração do tamanho do universo!

Atualmente, que figuras de influência tomas como exemplo?

Atualmente, tenho como figura a minha avó! Uma mulher com 79 anos que já percorreu meio mundo e nunca pára! Desde Rússia aos Estados Unidos, passando pela Índia, Síria, Israel, entre muitos outros países pelo mundo fora. É um exemplo para os mais novos e deixa aquele sentimento de “quando for mais velho quero ser como ela…”

Diz-nos um barcelense que te inspire e porquê.

Hugo Vieira! Não tenho dúvidas disso! Um jovem de uma família humilde, vindo de Galegos, que já passou por muito, mas tem sempre aquele sorriso na cara que o caracteriza! Já tive o prazer de me cruzar e de estar algumas vezes com ele, e reparar que tem um coração tão, mas tão grande, que não há como descrever!

Como gostarias de ser recordado?

Como um gajo porreiro! Não pedia mais que isso…

Por: Sandra Santos (Poeta e Tradutora) e Iara Brito (Criminóloga)*.

(* A redação do artigo é única e exclusivamente da responsabilidade das autoras)

Barcelenses Inspiradores: Cátia Cardoso

Setembro 7, 2019 em Atualidade, Concelho, Cultura, Entrevistas, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora

A rubrica Barcelenses Inspiradores tem dado a conhecer figuras barcelenses que, pelo seu modo de vida, ideações, conquistas, trabalho e talento, deixam-nos a todos orgulhosos. Esta semana damos a conhecer a investigadora Cátia Cardoso.

Se tiver interesse em participar ou em sugerir alguém inspirador para esta rubrica, escreva para o e-mail: barcelensesinspiradores@outlook.pt.



Cátia Cardoso nasceu em 1994 e é natural de Barcelos. Licenciada em Gestão do Património (2016) pela Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto. Pós-graduada em Comunicação, Arte e Cultura (2017) pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho. Em 2019, terminou o Ciclo de Mestrado em Património, Artes e Turismo Cultural pela Escola Superior de Educação do P. Porto com a tese cujo o tema era “Memória e Identidade: Novos Paradigmas da Olaria e Figurado de Barcelos”. Em 2018, integrou a equipa de Investigadores Estudantes do INED – Centro de Investigação & Inovação em Educação da ESE|P.PORTO num projeto dedicado à cerâmica – “Cerâmica: Memórias, Matérias e Modos – património material e imaterial” (Grupo de investigação: Cultura, Artes e Educação). Tem desenvolvido os seus trabalhos de investigação e dissertação em temas relacionados com a Olaria e o Figurado de Barcelos, os meios tecnológicos e sociais. Hoje prepara-se para se candidatar a Doutoramento na mesma área de intervenção: a Olaria como um símbolo de identidade nacional.



Quem és tu? Conta-nos quem és apenas como tu te conheces.

Quem sou? Como me conheço? Sou uma amante das artes, da cultura, das cores, da pintura, da escultura, das paisagens, do património, da natureza. Reinvento-me todos os dias…sinto que sou uma Cátia diferente todos os dias! Por vezes, questiono o meu próprio conhecimento, mas sei que a minha essência continua lá. Tem dias que sinto que posso ser tudo. No meu círculo familiar e de amizades sou dedicada e atenta. Comigo própria sou sempre alerta, perfecionista e exigente – mas faço disso um ideal de vida. Deposito um pouco de mim em tudo o que faço.

O que fazes é uma extensão de quem és?

Claro que sim, sem qualquer dúvida – como disse, sou sempre eu em todas as minhas tarefas, sejam elas a nível profissional, pessoal ou académico. Pretendo deixar uma marca, quanto mais não seja de “uma chamada de atenção” para o que realmente é importante. Sei que as pessoas me veem exatamente assim, por extensões (e acho que as separo muito bem), em diferentes situações e momentos, no entanto, quero que me reconheçam como sendo sempre eu própria. É difícil adaptarmo-nos a todas as situações e por isso sei que a vida é um processo de descoberta, de aprendizagem, diria mesmo.

De que forma impactas a vida do próximo?

Isso de impactar pode ser entendido de várias formas, será sempre trabalhoso impactar a vida dos outros, principalmente de outros que me possam ser mais distantes. De qualquer forma, trabalho para isso – o próprio trabalho que realizo em relação ao Figurado de Barcelos e à Olaria é sempre visto, por mim, como uma forma de chegar à sociedade, ao próximo, aos próximos recetores de um legado Barcelense tão precioso e “recentemente” classificado e reconhecido. É isso que quero que entendam, que a cultura e o património cultural, em constante mudança, influenciam a nossa identidade.

Se pudesses ter a atenção do mundo durante 5 minutos, o que dirias ou farias?

Em cinco minutos podemos dizer muita coisa e certamente alertaria para a consciencialização cultural, para a sustentabilidade da Cultura (a sustentabilidade não está só associada ao meio ambiente), para a preservação da cultura e das tradições que definem o nosso País e a nossa Cidade. É para isso que tenho trabalhado ao longo do meu percurso académico – é preciso que mais gente se preocupe com o que é realmente nosso, com o que é de Barcelos e com o que é de Portugal. A nossa Cidade (que cresce todos os dias ao nível dos eventos, por exemplo), precisa de mais quem a valorize, de mais quem a viva e a entenda em todas as suas dimensões. Menosprezamos o nosso património “sem dó, nem piedade”. O que será da nossa história sem as nossas marcas, sem o nosso trabalho, sem o nosso interesse, sem a tradição, o popular e o cultural? Fica a questão…

Ao longo da tua vida, quem foram algumas das pessoas que mais te influenciaram?

Em 25 anos…destaco a minha família! Pelo apoio e, claramente, pelo incentivo em seguir os meus sonhos. Recordo-os a eles por não me julgarem por não ter feito a Faculdade em Direito, Engenharia ou Medicina e optar por um curso que me preenche e que sei que um dia me dará voz – esta foi uma escolha que sempre entenderam e sei que da qual têm muito orgulho. Alguns professores, que ao longo do meu caminho acreditaram em mim e me fizeram crescer a todos os níveis. E a alguns amigos, que apesar de poucos, estão (e estiveram) presentes em todas as minhas conquistas.

Atualmente, que figuras de influência tomas como exemplo?

Tantas…é quase impossível escolher uma – gosto de personalidades fortes e que me inspirem a ser melhor. Em Portugal, admiro o trabalho de alguns artistas plásticos, curadores, o trabalho de alguns profissionais da museologia e das artes…

Diz-nos um barcelense que te inspire e porquê.

Tal como na questão anterior, será difícil escolher só um…no geral e dado o meu último trabalho de investigação, todos os artesãos de Barcelos, os do Figurado, principalmente, pela inspiração que são, pelo trabalho que desenvolvem…e se tivesse de eleger um ou dois…claro que Júlia Côta é uma figura incontornável no ponto de vista da produção e do conhecimento que carrega, apesar de nunca ter estudado; mas, pelas histórias com que me cruzei, Júlio Alonso e João Ferreira são realmente duas pessoas das quais dificilmente me esquecerei.

O trabalho dos artesãos de Barcelos é importantíssimo, na medida em que são eles que guardam a tradição, carregam-na, prontos a transmiti-la. Mas falta ainda muito quem se possa interessar por ela. O trabalho que desenvolvem, certificado em muitos casos, comporta a história de uma região, assim como as vivências que lhe estão associadas…Temos bons Barcelenses “guardiões” de Tradição e Cultura.

Como gostarias de ser recordada?

Como alguém feliz! Como alguém que lutou para fazer a diferença por aquilo que também é seu por direito, por sucessão – o legado do Artesanato Barcelense e os seus enredos. A imaterialidade é de quem a vive e eu sei que tive a sorte de a ter vivido. A matéria ficará por cá para contar novas histórias no futuro. Gostava de ser recordada como alguém que sempre fez e faz o que gosta, como uma lutadora atenta! Mas mais do que ser recordada, gostava que se recordassem da emergência em preservar o nosso Património .

Por: Sandra Santos (Poeta e Tradutora) e Iara Brito (Criminóloga)*.

(* A redação do artigo é única e exclusivamente da responsabilidade das autoras)

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