The king is dead. Long live the king.

Setembro 27, 2018 Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião
Hugo Pinto

De volta às crónicas semanais do nosso Glorioso, esta semana começo pela retirada do nosso capitão, que abandona os relvados aos 37 anos de idade.



Ainda me lembro da sua chegada ao Benfica. Jovem, de 23 anos, titular da seleção de sub-23 do Brasil, foi imensamente criticado. Alto, tosco, rachão, cepo, foram alguns dos adjetivos com que foi brindado na altura. De facto, os seus 192 cm de altura não fazem dele o jogador mais ágil do mundo. Mas foi mostrando outros atributos. Normalmente, bem posicionado, foi mostrando uma fabulosa clarividência na leitura de jogo e, não raramente, soube impor o seu poderio físico para levar a melhor sobre os adversários. A sua altura, certamente, uma mais-valia.

Muitos centrais passaram pelo Benfica e jogaram a seu lado. Muitos e bons. Veja-se os casos de David Luiz e Garay, entre outros. Todos eles chegavam e partiam. Mas o nosso capitão permanecia. Como alguém disse um dia, foram 15 anos a vender centrais (parceiros, na defesa). De certa forma, porque todos brilharam mais, porque lá estava o vozeirão tão característico do capitão, a marcar o ritmo, a inspirar confiança.

Por isso, ontem, apesar da bonita cerimónia, ficou um sentimento de que faltou algo. E faltou. Ainda me lembro, em miúdo, da despedida do (infame) Michel Platini. Grande vedeta da altura, ídolo no seu país e no mundo. Substituído a minutos do fim da partida pelo próprio filho.  Ou mais recentemente, Rui Costa, aclamado e retirado de campo em braços. Todos eles abandonaram a arena como guerreiros, num jogo, num estádio cheio e num momento de apoteótica gratidão. E para Luisão, o guerreiro entre guerreiros,…uma cerimónia de “bate palmas”, com a família, amigos e staff do clube. Que tão pouco, meus senhores. Que avareza de gratidão, senhores diretores do SLB. Quanta insensibilidade, Zé Colmeia…Merecia mais. E melhor. Mas não. Foi antes: The king is dead. Long live the (new) king. Quem sabe, irão emendar a mão, ainda…Até ver.

Quanto ao último jogo, mais uma vitória. Um Benfica em crescendo de forma, facilmente venceu o Aves por 2-0. O jogo já é mais agradável de acompanhar e já se vislumbram lances de bom futebol. Muito graças a talentos como o de João Félix, que pratica um futebol de poeta. Mas não um rimador qualquer, saudosista e fatalista. Mais um Fernando Pessoa, escrevendo A Mensagem, anunciando o Império e o temerário Dom João II.  Azar dos azares (que o Glorioso, de vez em quando, bem precisa de ir ao Nhaga) antes do final do encontro este miúdo maravilha lesiona-se. Vai notar-se a tua ausência, João. Rápidas melhoras. Tu mereces e nós precisamos.

Ainda assim, continuo a registar que as vitórias surgem muito mais da qualidade individual dos jogadores, do que fruto de um ataque bem organizado, não indolente e não perdulário fruto de todo o movimento ofensivo, como seria desejável. E talvez dessa forma, se aproveitassem mais as quase incontáveis oportunidades que se criam ao longo de todo o jogo, talvez fossem 4 ou 5 golos, em vez de apenas 2.

Mas como diz o tio do outro: nunca pior!

E viva o Glorioso!

Por: Hugo Pinto*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

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