Vítor Oliveira, novo treinador gilista: “Temos pela frente um desafio muito grande”

Junho 1, 2019 Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo

Em entrevista à Gil Vicente TV, levada a cabo por Miguel Sá Pereira, o novo treinador do Gil Vicente FC, Vítor Oliveira, abordou o que pretende para o novo plantel gilista, para a nova realidade do clube barcelense, falou do seu passado e deixou um apelo aos sócios, simpatizantes e barcelenses em geral.



Vítor Oliveira já representou, noutros momentos da sua longa carreira, o Gil Vicente FC e isso pesou na sua decisão de aceitar treinar os gilistas. Essas duas passagens por Barcelos foram determinantes, por poder trabalhar onde gosta, algo que é muito importante quando se está a analisar as propostas que vão surgindo, na opinião do treinador. Outro motivo que o levou a aceitar este desafio foi poder treinar num “clube que há muito pouco tempo fazia parte do núcleo de clubes de 1ª divisão, daqueles clubes estáveis de 1ª divisão, para além de já o ter representado por duas vezes e que me marcou muito positivamente. É um regresso, não diria, às origens, mas é um regresso ao passado, que desejo, possa ser de sucesso porque temos pela frente um desafio muito grande, importantíssimo, não só para mim, para os jogadores, mas, fundamentalmente, para o clube”.

O histórico treinador vem para ajudar a recriar a identidade de 1ª Liga que o clube precisa. “O clube teve, durante anos, identidade de 1ª Liga. Era um clube perfeitamente sustentável em termos de 1ª Liga, já com muitas referências, que de um momento para o outro, e do nada, acabou por perder tudo isso. Fez uma ‘travessia longa do deserto’ e, agora, voltou à ‘luz da ribalta’. É evidente que essa passagem pelo deserto e esta volta rápida à luz da ribalta tem sempre os seus custos. Estamos aqui para tentar minimizar esses custos, para tentar, o mais rapidamente possível, ajustar e criar padrões de 1ª Liga para que possamos ser uma equipa que se possa manter por muitos e bons anos na 1ª Liga. Tarefa extremamente difícil, mas possível, com as pessoas que estão envolvidas em todo este projeto”.

Questionado sobre se seria este o maior desafio da sua carreira, Vítor Oliveira respondeu que pensa que “será o principal desafio da minha carreira. É um desafio tremendo. Muitos me disseram que não deveria assumir este risco. Mas alguém teria que assumir este risco, era precisa uma pessoa com muita experiência para assumir o risco que é constituir, praticamente, uma equipa nova. Transformar um clube que vem de uma época perfeitamente anormal, como a época passada. (…) É preciso mudar toda essa situação, rapidamente preparar uma equipa para jogar na 1ª Liga, um campeonato extremamente difícil. (…) Toda a estrutura tem que ser repensada, montada de novo, potencializada. Tudo isso tem os seus custos, demora o seu tempo e constitui um desafio extremamente difícil. O grau de dificuldade é tão elevado quanto aliciante e, provavelmente, foi essa situação que me seduziu a estar aqui, a dizer presente, a um pedido do Presidente do Gil Vicente, pessoa que muito prezo e que foi muito importante na minha carreira em tempos idos e não poderia responder de outra forma que não com a aceitação”.

O “objetivo é fazer uma equipa sólida”

Dizem os analistas e conhecedores que é nesta fase que se conquistam os grandes objetivos. Sobre o perfil do plantel que está a preparar, Vítor Oliveira salienta que estão “a definir um plantel, no plano teórico, que possa dar uma boa resposta em termos de 1ª Liga. Sabemos que não é fácil. Há equipas que têm tido uma continuidade grande na 1ª Liga e que vão formulando os plantéis com três, quatro, cinco jogadores, todos os anos, mas mantêm uma espinha dorsal que é extremamente importante. Isso não acontece com o Gil Vicente. Penso que o Gil Vicente será, até, caso inédito na nossa Liga. Penso que nunca aconteceu uma situação destas, de completa reformulação do plantel. Estamos a tentar conseguir e não é fácil, como é evidente. São muitos jogadores. Situações pontuais são fáceis de identificar e são fáceis de ir ao mercado e encontrá-las, até. Um plantel completamente novo é muito difícil de o fazer. Estamos atentos ao mercado, temos trabalhado muito. Os responsáveis por todo este trabalho não têm tido descanso. Já conseguimos alguns jogadores, vamos conseguir outros. Estamos a tentar misturar um plantel com jogadores experientes com alguns ainda em fase de formação, com outros que são novos, mas já com alguma experiência. Estamos a tentar misturar isto tudo por forma a conseguirmos o nosso objetivo que é fazer uma equipa sólida. O futebol é um desporto coletivo, onde a soma das individualidades é muito importante. Estamos a procurar as individualidades, que remem todos para o mesmo lado”.

Já tinha trabalhado com o Presidente do Gil Vicente FC, Francisco Dias da Silva, e esse facto contribuiu para aceitar este projeto. Para Vítor Oliveira, Francisco Dias da Silva “já deu provas mais do que suficientes, nos anos que esteve no futebol e fora dele, no Óquei. É uma pessoa competente, um dirigente de grande qualidade e consegue derrubar obstáculos com relativa facilidade. Para um treinador, ser suportado por uma estrutura comandada por Dias da Silva é sempre motivo de algum alento, de esperança e de confiança”.

“Todos os barcelenses vão corresponder”

A celebrar o seu 95º aniversário, sendo Barcelos o maior concelho de Portugal e o Gil Vicente FC o seu maior clube e este na 1ª Liga, será este o momento certo para os barcelenses dizerem presente? Para o treinador gilista, este é “momento certo, momento único e penso que todos os barcelenses vão corresponder. Todos eles sabem da injustiça que foi feita ao clube há uns anos atrás. Todos eles sabem da importância deste ano para o clube, da importância do clube para o desenvolvimento da cidade, a todos os níveis, e para o reconhecimento fora da cidade, do nome da cidade, dos símbolos da cidade, do seu crescimento. Por isso, penso que os barcelenses irão responder na plenitude e irão apoiar o seu clube, vão dizer presente, irão, de uma forma marcadamente bairrista, apoiar o seu clube nesta missão tremendamente difícil que vamos ter pela frente”, sendo que estão “sempre motivados para começar. As mudanças, normalmente, dão essa motivação e este desafio, que eu sei que vai ser um desafio absolutamente tremendo, vai ser um desafio para homens de ‘barba rija’, acaba por motivar mais, para que possamos enfrentar esta difícil tarefa com muita coragem, com muita determinação, com muita sabedoria e, fundamentalmente, com muito profissionalismo”.



Os adeptos podem ter um papel fundamental para o crescimento que a equipa e o clube têm que ter nos próximos anos? Vítor Oliveira afirma que “não podem…vão ter que ter. Este clube só pode crescer com o apoio dos seus adeptos. O campo do Gil Vicente foi sempre tradicionalmente difícil. Na 1ª Liga era um campo onde ninguém gostava de jogar e o apoio dos adeptos era sempre um fator que contribuía, enormemente, para a capacidade da equipa fazer uma oposição tão forte aos seus adversários. Nós contamos, esperamos, temos desejo que as pessoas apareçam em grande número, mas tenho quase a certeza que as pessoas irão corresponder, como corresponderam noutros anos. Penso que só, e apenas, a injustiça que foi feita ao clube, o sentimento de injustiça é que os afastou do apoio ao seu clube.

Entrando um pouco na intimidade no treinador, que não o queria ser na década de 80, olhando para o seu percurso e vê nele um orgulho enorme. “A minha ideia nunca foi ser treinador. Quando estava a acabar o futebol, faltava um ano para acabar engenharia eletrotécnica. A minha ideia era acabar o futebol, voltar à engenharia e seguir a via profissional ligada à engenharia. Surgiu um convite do Portimonense, na altura. Recusei na primeira fase, depois acabei por aceitar e em boa hora o fiz porque acabei por ter um percurso tremendamente positivo, que me marcou bastante, que me deu uma situação estável na vida, exatamente como me poderia dar a engenharia. E, fundamentalmente, estou naquilo que gosto. A minha grande paixão foi sempre o futebol e penso que foi uma boa opção, embora, na altura, não pensasse, minimamente, que pudesse enveredar por esta profissão”.

“O 12º jogador vai ser fundamental”

Quando foi divulgado como novo treinador do Gil Vicente, sentiu-se em Barcelos um carinho enorme dos adeptos, dos sócios, por si. Miguel Sá Pereira questionou-o sobre “que mensagem gostaria de deixar ficar para este momento de agregação?” Vítor Oliveira respondeu que “é muito importante. O 12º jogador vai ser fundamental. Nesta fase, com os obstáculos e desafios que o Gil Vicente vai ter pela frente, vamos precisar do 12º jogador, que nos irá acompanhar em casa e fora, por esses caminhos todos, pelos campos do nosso país. Vamos trabalhar com todo o profissionalismo que pudermos, com todo o conhecimento e sabedoria que pudermos transmitir ao plantel. Vamos exigir o máximo empenhamento e dignificação das camisolas do Gil. Vamos tentar tudo para lhes proporcionar grandes vitórias, grandes alegrias, para que eles possam sentir-se felizes a acompanhar o clube da sua terra”, ressalvando que será um “desafio tremendo, desafio terrível. Tenho consciência disso. Às vezes, as situações incómodas são as que nos fazem transcender, fazem-nos ir para além daquilo que nós pensamos que são os nossos limites, dão-nos alento, dão-nos coragem, dão-nos motivação e, se calhar, também foi à procura disso que vim até Barcelos”.

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