3ª Conferência da APROTURM: as conclusões

Março 4, 2020 Atualidade, Concelho, Cultura, Economia, Mundo

No passado dia 19 de fevereiro, o Auditório da Biblioteca Municipal de Barcelos recebeu a 3ª Conferência da APROTURM – Associação dos Profissionais de Turismo do Minho, que teve como tema “O financiamento das startups e investimento na área do Turismo”, que contou com a presença e preleção de figuras ligadas ao setor do turismo, economia, política, entre outros.



José Pedro Ferreira, Presidente da Associação dos Profissionais de Turismo do Minho, salientou que esta associação está interessada em abrir novas frentes de empreendedorismo no setor do turismo e, por isso, entende que as Startups possuem um potencial relevante para o desenvolvimento do setor, constituindo um poderoso meio de iniciar projetos empresariais. Referiu, ainda, que se está na temática da criação de empresas de turismo sem ignorar a perspetiva de desenvolvimento e sua sustentabilidade. “As mudanças tecnológicas e sociais e as alterações no mundo laboral e económico exigem que se promovam novas atitudes perante contextos de incerteza constante”. Destacou o estudo recente da Global Entrepreneurship Monitor, sobre Portugal que salienta que a faixa etária com maior incidência de empreendedores está entre os 25 e os 34 anos, razão que leva a investir e a ver nos jovens um futuro risonho para Portugal no Turismo. “Uma problemática muito presente nos novos projetos é a necessidade de financiamento, sobretudo financiamento capaz de apoiar em tempo útil, na dimensão e longevidade certa, os projetos de turismo. São frequentes os colegas e finalistas das licenciaturas em gestão de atividades turísticas que ambicionam avançar para projetos empresariais e que se debatem com a falta de financiamento e/ou o desconhecimento da sua disponibilidade. O acesso ao sistema financeiro encontra-se ainda muito estruturado numa abordagem clássica de que os jovens, por não terem experiência de vida, constituem um risco em si próprios e, por isso, raramente são levados a sério quando contactam os bancos tradicionais. Naturalmente que a situação tende a mudar, mas até lá, muitos projetos ficam pelo caminho”, concluindo que se sabe que “a sociedade atual está baseada no conhecimento e valoriza o papel da inovação na medida em que, pela via do empreendedorismo, contribui para uma sociedade mais geradora de mais crescimento económico, de mais emprego e mais competitiva. É, pois, neste contexto, de estimular o empreendedorismo e inovação para o turismo sustentado que as startups podem, e devem, fomentar uma cultura de mudança e de criação de riqueza, que a APROTURM promove esta Conferência”.

José Beleza, Vereador do Pelouro do Turismo e Ambiente da Câmara Municipal de Barcelos, salientou que a dinâmica do turismo num território depende de muitos fatores, mas torna-se essencial a intervenção do poder público em articulação com uma dinâmica do setor privado da economia. O setor privado está interessado no seu desenvolvimento e pretende conhecer como vai ser exercido o poder público, na área do turismo, a nível local e quais as ligações regionais, nacionais e internacionais que se irão desenvolver. Pretende-se conhecer a política pública de turismo para o território de Barcelos no contexto mais emergente de ligação inter-regional e nacional. Num período em que Portugal desenvolve esforços para implementar um novo plano estratégico para o turismo, num horizonte temporal de sete anos, designado de “Turismo 2027”, importa compreender como se deverá colocar o município de Barcelos no que diz respeito à política pública para o turismo. Conhecendo-se já o historial de desenvolvimento de iniciativas com impacto no turismo local e conhecendo-se o papel do Posto de Turismo de Barcelos no apoio aos turistas, visitantes e operadores turísticos, torna-se também relevante o estudo dos dados produzidos com o registo dessa atividade para o debate de ideias que possam apoiar linhas força de negócios que se possam gerar com a criação de startups no turismo em Barcelos, sendo que o setor do turismo em Portugal está a contribuir, de forma sistemática, para a criação de infraestruturas importantes para a captação de novos segmentos de turistas, mas também a despertar a necessidade de os municípios se organizarem melhor para esse desígnio nacional já plasmado no programa do XXI Governo “Investir no planeamento participado da atividade turística através de um Plano Estratégico para o Turismo”, construindo-se, assim, um verdadeiro referencial estratégico para o desenvolvimento do turismo em Portugal, visto ser inegável o contributo que o turismo dá ao desenvolvimento local, quer pelo aumento da procura de serviços culturais e recreativos, quer pelo aumento de procura de bens e serviços locais que sustentam a experiência turística.

Miguel Mendes, Gestor de cliente no Turismo Portugal, na Direção de Gestão do Conhecimento – Apoio ao Empresário, referiu que Portugal é um dos destinos mais competitivos e sustentáveis do mundo e, como tal, constitui um espaço de empreendedorismo de excelência. O gestor apresentou a Estratégia do Turismo de Portugal até 2027, onde destacou os eixos estratégicos para impulsionar a economia, que passa pela criação das condições necessárias à incubação e aceleração de startups e ao desenvolvimento de novas ideias de negócio associadas ao turismo. Salientou que o programa FIT – Fostering Innovatiion in Tourism, constituído por quatro Eixos de ação. A saber: Fomento da Inovação no Turismo; Apoio à internacionalização das Empresas; Transferência do Conhecimento para as Empresas; e Colocação da Inovação e Digitalização na Agenda dos Organismos Internacionais. Apresentou, também, o NEST – Centro de Inovação do Turismo, que tem como missão promover a inovação e a tecnologia na cadeia de valor do turismo, apoiando o desenvolvimento de novas ideias de negócio, a experimentação de projetos e a capacitação das empresas na transição digital, assim como apresentou, a Rede de Incubadoras ligadas ao turismo como meio de contacto e de obtenção de boas práticas por parte dos empreendedores que se encontrem a consolidar os seus projetos. Miguel Mendes efetuou uma breve apresentação dos sistemas de incentivos atualmente em vigor e que podem ser melhor detalhados nas delegações do Turismo de Portugal (Sistema de Incentivos Portugal 2020 – Empreendedorismo Qualificado e Criativo nomeadamente a Linha de Apoio à Qualificação da Oferta).

Pedro Magalhães, Diretor de Negócio da IFD- Instituição Financeira de Desenvolvimento, que é uma instituição grossista com a missão de facilitar o acesso ao financiamento a PME e midcaps portuguesas, em especial de longo prazo, apresentou os serviços da IFD, nomeadamente as Linhas de Negócio / Instrumentos Financeiros, das quais salientou: Linha de crédito intermediado a bancos portugueses para financiamento de PME e midcaps, com prazo de até 15 anos e até 4 anos de carência; Capital que consta da seleção de 15 gestores de fundos de capital de risco e 64 business angels. “Financiámos o Fundo 200M, com os quais co-investimos em projetos de seed, early stage, startup e séries A e B. Fazemos parceria com a FEI através da Portugal TECH, um fundo de fundos de capital de risco para investimento em empresas de base tecnológica em Portugal” referiu. Mas ainda há a Oferta IFD e Resultados para capitalização de empresas. A IFD assume-se como uma entidade com capacidade para apoiar os financiadores diretos aos projetos de stratups e/ou empresas que, existentes no mercado, pretendam avançar para novos negócios e investimentos.

António Marto, Presidente do Fórum Turismo, que tem como missão promover o acesso a diferentes fontes de informação, bem como o desenvolvimento e aplicação de pesquisa profissional no campo das viagens e turismo, apoiar os esforços de investigação das diferentes temáticas do setor ao nível do planeamento e enquadramento técnico-jurídico, fomentando redes de conhecimento e publicações sobre temas da atualidade, referiu que o Fórum Turismo pretende criar oportunidades para a interação dos diferentes stakeholders através da realização de conferências, congressos e outros eventos de âmbito nacional einternacional, assim como, articular e promover estudos e parcerias de âmbito profissional com asuniversidades, sendo também um dos seus compromissos.“A visão do Fórum Turismo consiste em, através do debate conjunto, dar uma voz às opiniões dosprofissionais do setor do turismo no que diz respeito a temas atuais e relevantes para a indústria. OFórum Turismo, valoriza o poder do conhecimento e da voz conjunta como ferramenta de mudançae melhoria constantes”, salientou, tal como o fez sobre a importância da Bolsa de Empregabilidade no Turismo, que o Fórum Turismo promove.A Bolsa de Empregabilidade é um evento impulsionado pelo Fórum Turismo que promove aempregabilidade na área do Turismo e das Viagens. Destinando-se a jovens à procura da primeira oportunidade ou a profissionais em busca de um novo desafio. Em três edições, a Bolsa deEmpregabilidade contou com a presença de 120 empresas participantes e onde foram trocadascerca de 14.000 ofertas de trabalho.

Fotos: APROTURM.

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