A Consulta de Crise Psicológica na Infância e Adolescência – Um Recurso Útil?

Setembro 17, 2021 Atualidade, Concelho, Saúde

A prevalência de perturbações emocionais e do comportamento na infância e adolescência
tem sido fortemente estudada e, embora os valores variem consideravelmente, estima-se que
10 a 20% das crianças tenham um ou mais problemas de saúde mental.

Segundo a Associação Americana de Psiquiatria da Infância e da Adolescência (AACAP) uma em
cada cinco crianças apresenta evidência de problemas mentais e esta proporção tende a
aumentar. De entre as crianças que apresentam perturbações psiquiátricas apenas 1/5 é que
recebe tratamento apropriado. As perturbações psiquiátricas da infância e da adolescência
trazem grandes encargos à sociedade, quer em termos humanos quer financeiros, e muitas
delas podem ser precursoras de perturbações na idade adulta.

A área da Psiquiatria da Infância e da Adolescência é uma especialidade médica que assegura a
prestação de cuidados e intervenções diferenciadas na área da saúde mental à população de
idade pediátrica (inferior a 18 anos). O seu campo de intervenção abrange um espectro
alargado de atividades que englobam:


• Ações de promoção e prevenção universal e seletiva, com o objetivo de reduzir fatores
de risco/ vulnerabilidade e aumentar fatores de proteção;


• Estratégias de prevenção e intervenção precoce, para casos com os primeiros sinais de
perturbação;


• Avaliação diagnóstica e tratamento, para aqueles que apresentam já uma perturbação
definida;


• Programas de cuidados continuados e reabilitação psicossocial, para situações com
sequelas em resultado de uma perturbação.


Assim, a atividade do Psiquiatra da Infância e Adolescência envolve a promoção da saúde
mental, a avaliação, diagnóstico e definição de estratégias terapêuticas para situações de
perturbação mental e também a intervenção preventiva em grupos de risco. No entanto este
trabalho, apenas desenvolve-se com a articulação de outras especialidades, como a Pediatria e
a Psicologia da Infância e da Adolescência.


Dada a grande diversidade dos quadros psicopatológicos encontrados na infância e
adolescência exige-nos, enquanto profissionais de saúde, a ter uma elevada diferenciação
permitindo o diagnóstico e a implementação de intervenções adequadas às várias etapas do
desenvolvimento, não só porque cada uma delas apresenta um grupo de patologias específicas
dessa faixa etária, mas também porque a expressão sintomática de uma determinada
patologia se pode manifestar de forma distinta ao longo do desenvolvimento.


No entanto a escassez dos psicólogos, nomeadamente nas consultas de crise/ emergência,
impede que em muitos casos se possa proceder à necessária intervenção psicoterapêutica, nas
diversas modalidades, levando a um excedente (por vezes desnecessário) recurso a
psicofármacos, cada vez mais elevado. Salientando-se que a intervenção psicofarmacológica
deve ser, sempre que possível evitada, e quando utilizada devemos enquadrada numa
resposta multidisciplinar e em casos em que os recursos psicoterapêuticos não conseguem
atuar por si só.


O diagnóstico de situações psicopatológicas e de risco e a implementação atempada de
estratégias preventivas e terapêuticas deve, pois transformar-se numa prioridade. Sendo cada
vez mais prioritário a Consulta de Emergência / Crise Psicológica na Infância e Adolescência
juntamente com a Consulta de Crise Psiquiátrica.

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