A escola e o medo

Outubro 14, 2019 Atualidade, Concelho, Cultura, Educação, Mundo, Opinião
Iara Brito

O regresso às aulas é um frenesim, tanto para os pais com a compra do material escolar, organização de novas rotinas, tanto para as crianças e jovens que enfrentem um novo ano letivo, novos professores, colegas, matérias e desafios.



A escola é um dos meios mais importantes para a socialização e desenvolvimento intelectual e pessoal de uma pessoa. Contudo, em alguns casos, o meio escolar transforma-se um enorme abismo, fonte de medo e sofrimento.

A violência escolar deve ser atacada de raiz. Os jovens agressores, hoje, podem ser os agressores adultos de amanhã; os jovens que são vítimas, hoje, podem continuar a sê-lo quando adultos ou tornarem-se também eles agressores. Assim, este problema deve ser solucionado, imediatamente, nas escolas para que não se perpetue o ciclo de violência. E isto também é formar.  

O Ministério da Educação quer “tolerância 0” a situações de violência no meio escolar. Infelizmente, poucas são as escolas sensibilizadas para esta problemática e as que o são, não possuem recursos (financeiros e/ou humanos) para intervir. Tenho perguntado a jovens quantas ações de sensibilização assistiram nas escolas? E a resposta é: nenhuma. O que é que a tua escola faz para evitar conflitos dos alunos? E a resposta mais comum é: “quando há alguma confusão, os envolvidos são chamados à Direção/GIPE (GIPE – Grupo de Intervenção Permanente na Escola).  

É bom que se tome ação quando já existe algum problema. Mas isso não é suficiente. A violência deve ser prevenida, não reprimida. É impossível admitir que alguém sofra violência causadora de danos físicos e/ou psicológicos num meio que devia ser de bem-estar. Perante a tolerância e o “fechar de olhos” dos adultos, os jovens recebem a mensagem de que a violência é um meio adequado e normal para solucionar as diferenças e conflitos que possam surgir entre nós e os outros.

Eu tive a sorte de fazer o ensino secundário numa Escola. Sim! Uma Escola com “E” maiúsculo. Além de nos incutirem que somos todos iguais apesar das diferenças (religiosas – como era o meu caso –, étnicas, idades, género, orientação sexual, aparência física, etc.), da parte dos professores havia valorização por cada aluno. A escola não tolerava situações de violência porque, ao mínimo sinal, alguém intervinha.

Todos temos uma criança/jovem próximo em idade escolar, por isso devemos estar alertas para que os nossos não sejam, nem agressores, nem vítimas. Meu jovem leitor, faz a tua parte como membro da comunidade escolar. Está atento a quem não tem as ferramentas para se defender sozinho e mostra-lhe que não está desamparado. Sê intolerante à violência.

Por fim, é importante evidenciar que os poderes políticos têm de custear a prevenção e a ação contra a violência escolar porque os jovens são o nosso futuro bem próximo. 

Bibliografia

Neto, A. A. L. (2005). «Bullying: comportamento agressivo entre estudantes». Jornal de pediatria81(5), 164-172.

Freire, A. N., & Aires, J. S. (2012). «A contribuição da psicologia escolar na prevenção e no enfrentamento do Bullying».

Lourenço, L. M., Pereira, B., Paiva, D. P., & Gebara, C. (2009). «A gestão educacional e o bullying: um estudo em escolas portuguesas». Interacções5(13).

Chrispino, Á. (2007). «Gestão do conflito escolar: da classificação dos conflitos aos modelos de mediação». Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro15(54), 11-28.

Rodrigues, P. A. G. D. N. (2017). «Agressão e vitimização em meio escolar: Contributos para a prevenção e intervenção».

Por: Iara Brito* (Criminóloga).

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

Fotos: DR.

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