A minha vida em Portugal durante 11 meses

Outubro 13, 2019 Atualidade, Concelho, Cultura, Mundo, Opinião
Dominika Baraniecka

Qual é a ideia estereotipada de Portugal entre os estrangeiros? É um país bastante quentee, com praias incríveis, vinho, fado e saudade. Essas eram as únicas coisas que sabia antes de vir para cá. O meu nome é Dominika, sou da Polónia e nos últimos meses tenho sido voluntária na SOPRO, uma ONGD de Barcelos. Agora, e após estes meses a viver cá, já sei muito mais sobre Portugal.

Uma das coisas das quais tinha certeza antes de me mudar para Barcelos era que estava sempre sol e calor, aqui em Portugal, e que nunca chovia. Infelizmente, quando cheguei a Barcelos, em novembro, choveu torrencialmente por quase duas semanas. Eu fui descuidada ao ponto de levar comigo apenas vestidos de verão, e nada de casaco de chuva ou guarda-chuva…Esta foi a primeira de muitas surpresas que estavam para vir.

Outra surpresa (mas uma positiva) para mim foi que em Portugal as pessoas fazem pausa para almoçar e até saem do local de trabalho para se deslocarem até um restaurante. Na Polónia, é algo bastante incomum! As pessoas têm de levar o seu Tupperware e almoçar rapidamente entre as suas tarefas de trabalho. Não existe um local para descansar ou apreciar a refeição…Mais diferenças? Por exemplo, em quase todas as pequenas aldeias de Portugal existe um café. E o café aqui é de grande qualidade e muito barato!

Existem muitas mais diferenças, principalmente no contacto interpessoal. Algo de que tinha conhecimento antes de vir para Portugal, e que continua a surpreender-me, é o facto de os portugueses se cumprimentarem com beijos nas bochechas. Na Polónia, estranhos geralmente apertam as mãos ou até mesmo acenam um para o outro à distância. Apenas se dá beijos a membros da família ou a amigos. Essa é a razão de, por vezes, me sentir desconfortável quando conheço um novo português, visto que sinto que não os conheço o suficiente para lhes estar a dar beijos…Mas depois, lembro-me que é uma tradição aqui em Portugal e que a devia respeitar.

Outra coisa surpreendente é a reação que algumas pessoas de Barcelos tiveram à minha tentativa de falar com elas em Inglês. Algumas delas perguntaram-me se eu era de facto inglesa e quando lhes respondi “não” elas passaram a perguntar “então, porque estás a falar Inglês?”. Isto pode ser engraçado, mas pensei que os portugueses são tão apegados à sua língua que, por vezes, não pensam que outras pessoas, não da Inglaterra, usam essa língua franca para facilitar a comunicação.

Estas são coisas simples que fui encontrando no meu dia a dia e que me ensinaram uma lição importante. A lição é que cada país, e mesmo cada sociedade, tem as suas próprias tradições e estilos de vida, diferentes de outros. Às vezes pode parecer estranho, outras vezes é o oposto: as tradições parecem incríveis e emocionantes! Diferente não implica melhor ou pior. É extremamente enriquecedor apenas ver e experienciar como outras pessoas vivem as suas vidas.

Por: Dominika Baraniecka*

(Voluntária da SOPRO – Solidariedade e Promoção, em projeto de voluntariado desde novembro de 2018 até outubro de 2019)

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

[Note-se que esta notícia foi escrita em inglês pela Dominika Baraniecka e traduzida pela voluntária da SOPRO, Margarida Pereira.]

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