Ansiedade, as crianças e a escola …

Maio 4, 2022 Atualidade, Concelho, Opinião

Ansiedade, as crianças e a escola …

Alguma ansiedade é normal, mas esta não perturba o funcionamento das crianças. Saiba ajudar e também quando deve procurar ajuda.

A ansiedade é uma emoção e um mecanismo de defesa que acontece por antecipação de estímulos ou situações desagradáveis ou de perigo. Quando a ansiedade é dirigida a um estímulo específico é referida como receio ou medo. A emoção protege-nos e é normal, quando está enquadrada no contexto correto. Por exemplo, olhamos para os lados antes de atravessar numa passadeira, por receio de sermos atropelados.

A ansiedade passa a ser um problema e, portanto, uma perturbação de ansiedade, quando um estímulo neutro ou inofensivo é entendido como potencialmente perigoso e as reações que provoca interferem com o dia-a-dia. A ansiedade normativa, ou seja, aquela que não afeta o funcionamento e é de curta duração, pode ocorrer em contexto de avaliações ou mudanças na nossa vida.

Embora uma maior ansiedade seja normal em momentos de avaliação, mudança de escola ou de turma, entre outras situações relacionadas com o contexto escolar, cerca de 5% das crianças têm perturbações de ansiedade que devem ser avaliadas e acompanhadas.

A perturbação de ansiedade social é um dos subtipos das perturbações da ansiedade. Caracteriza-se por uma ansiedade ou receio marcados em situações em que alguém é exposto ao possível escrutínio por parte de terceiros. É esta a perturbação de ansiedade que muitas vezes está subjacente ao stress no momento das avaliações escolares.

Neste caso, as crianças têm medo e evitam interações que avaliem o seu desempenho, porque acreditam que os outros as vão avaliar negativamente. As mudanças de escola ou de turma também podem provocar sintomatologia ansiosa.

Neste caso são sobretudo quadros de ansiedade generalizada, que se manifestam em crianças que têm tendência para preocupação, com uma ampla variedade de possibilidades negativas, de que algo de mau vai acontecer.

Além de evitarem os testes ou até de se recusarem em frequentar a escola, as crianças com perturbações da ansiedade manifestam muitas vezes sinais físicos, por exemplo:

  • Dor de cabeça;
  • Dor de barriga;
  • Perda de apetite;
  • Dificuldade em engolir;
  • Dificuldade em respirar;
  • Insónia.

Como devem os pais ajudar?

As perturbações de ansiedade podem ser hereditárias. Costuma até dizer-se que, quer através dos genes quer do comportamento, a ansiedade circula nas famílias.

A atitude dos pais e o que transmitem às crianças é muito importante:

  • Salientem que o seu amor por elas não depende dos seus resultados escolares;
  • Evitem comparar resultados escolares com o de irmãos/colegas;
  • Salientem que valor das crianças como pessoas não depende dos seus resultados escolares;
  • Evitem expressões como “assim nunca vais chegar a lado nenhum”;
  • Refiram que os testes e outras avaliações são a forma de se perceber se estão a reter a informação transmitida na escola, que é importante para crescerem saudáveis e equilibrados;
  • Salientem que o erro permite a evolução, referindo, por exemplo “hoje correu mal, não faz mal… faz parte do processo, aprendemos e amanhã correrá melhor”;
  • Elogiem o processo, e não apenas o resultado final;
  • Ensinem que a mudança faz parte da vida (as estações do ano mudam, os dias da semana mudam, o dia e a noite, o ser humano evolui desde bebé até velho), as mudanças são naturais e acarretam aspetos positivos e negativos aos quais todos temos de nos adaptar;
  • Salientem que a mudança pode trazer novas pessoas, novos contextos, novas possibilidades de crescimento.
  • Refiram que não temos de gostar de toda a gente, nem toda a gente tem de gostar de nós.

Quando é necessário procurar ajuda profissional?

Contudo por vezes a ajuda dos pais não é o suficiente, sendo necessário ajuda diferenciada.

Quando os sintomas de ansiedade alteram o funcionamento da criança, por exemplo com recusa em ir à escola, sintomas exagerados para a situação, sofrimento emocional e/ou físico, deve ser procurada ajuda profissional.

A psicoterapia constitui o tratamento de primeira linha nestas situações, podendo ser necessária a associação com psicofarmacologia.

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