APROTURM envia propostas a António Costa e Silva para ajudar Turismo

Agosto 21, 2020 Atualidade, Concelho, Economia, Mundo, Política

Envio realizado no âmbito do Plano de Recuperação Económica de Portugal

A APROTURM – Associação dos Profissionais de Turismo do Minho enviou, ontem, a António Costa e Silva, coordenador do Plano de Recuperação Económica de Portugal, nomeado pelo Governo, um conjunto de propostas que, na sua ótica, poderão contribuir para uma melhor recuperação do setor do Turismo.



Em nota, a Associação refere que “vê com especial preocupação o futuro do turismo no Minho. A análise dos resultados do inquérito que promoveu entre 3 e 13 de maio inclusive, e as conclusões do Fórum que promoveu entre 23 de março e 7 de maio (que contou com a presença de especialistas e investigadores no mercado do trabalho, no investimento, nas agências de viagens, empresários da hotelaria e alojamento, restauração e animação turística e políticos locais ligados ao setor), vêm demonstrar a evidência de um setor frágil, constituído por micro e pequenas empresas dominantemente com menos de cinco trabalhadores”.

“Na fase que antecedeu a Pandemia do COVID-19, havíamos já apelado para a necessidade de se reforçar a capacidade das empresas ligadas ao turismo no Minho. Efetivamente, registávamos uma significativa ausência de profissionais licenciados nas empresas de turismo da região. Constatavam-se então, excelentes resultados para o turismo em Portugal e na Região Norte, mas não existiam políticas de reforço estratégico das empresas, quer pelo aumento da sua capacitação técnica e tecnológica, nem pelo reforço da capacitação do seu potencial humano. Os programas de apoio à empregabilidade de quadros superiores era praticamente ou quase inexistentes (limitando-se a medidas gerais sem qualquer visão estratégica para o reforço da capacitação em novas competências ao nível dos recursos humanos para o setor do turismo)”, continua.

A APROTURM lamenta que “a Entidade de Turismo do Porto e Norte havia entrado numa grave crise interna e, como tal, não tem tido a capacidade de atuar de forma estratégica na construção e apoio ao desenvolvimento de um tecido empresarial mais forte. O seu papel tem sido residual para garantir uma maior resiliência na ultrapassagem das dificuldades que as empresas do turismo, sentem no coração da sua atividade, arrastando toda a economia regional. A ausência de capacidade organizativa ao nível das estruturas associativas empresariais para apoiar o tecido empresarial do turismo da região minhota, surge como uma fragilidade relevante, impedindo os empresários de se sentir representados e defendidos ao mesmo nível que se encontram em outras regiões do país (exemplo do Algarve, onde o setor hoteleiro tem exigido medidas concretas de apoio ao setor). A brutal redução de negócio e a ausência de expectativas sobre o próximo futuro, apresentam cenários de forte preocupação, no aumento do desemprego no setor, na paragem dos projetos privados de turismo, no encerramento de empresas de turismo e na completa desorientação sobre o futuro do setor. O turismo internacional sofrerá os efeitos do despedimento em massa nas companhias aéreas, da crise económica que afetará os países emissores para Portugal, do aumento do desemprego e da queda do PIB nos diferentes países, a que acresce a incerteza relativa a uma segunda vaga da pandemia do COVID-19”.

A Associação lamenta, igualmente, “que, até à data, não tenham sidos realizadas reuniões de emergência por parte dos Conselhos Consultivos Municipais de Turismo para analisar a situação do setor ao nível de cada Concelho da região do Minho. A manter-se o estado atual de ausência efetiva de foco no relançamento da atividade do turismo e do redesenhar de novas abordagens ao relançamento do setor, completamente parado, receia-se uma crise prolongada e dolorosa na região. Dada a ausência de informação e dados reais sobre o estado do tecido empresarial do turismo na região, a APROTURM, receia que, no momento do redespertar para o relançamento da atividade, os profissionais do turismo se tenham desviado do setor, perdendo-se capacidade regional. Atualmente, muitos dos profissionais estão a confrontar-se com o encerramento de unidades de alojamento, de restauração, de animação turística e agências de viagens, gerando uma mais frágil oferta de serviço e produto turístico na região. A escassez de informação e de medidas não favorece uma atitude positiva por parte dos profissionais que receiam pelo futuro do turismo na região”, relevando, no entanto, “o esforço que Sua Excelência, o Presidente da República, e o Governo têm realizado para manter Portugal e o Minho numa caminhada prudente de desconfinamento e de reconquista da confiança”.

Assim, e no quadro de análise dos resultados do estudo que efetuou e das conclusões que produziu o Fórum sobre o PÓS-COVID-19 no Minho, a APROTURM apela “à necessidade de se implementar uma política focada no relançamento do setor que passará por:

1 – Criar uma Operação Integrada de Desenvolvimento para o Turismo da região do Minho, com meios para apoiar o efetivo reerguer do tecido empresarial, da empregabilidade e capaz de apoiar o desenvolvimento de uma estratégia de relançamento do turismo da região;

2 – Promover uma caracterização urgente do tecido empresarial, identificando o potencial instalado e conhecer o estado atual e futuro de capacidade de relançamento da atividade;

3 – Criar viveiros de microempresas para o setor do turismo, como forma de renovar e substituir as empresas que encerrarão a sua atividade;

4 – Reclamar a realização de reuniões, com carácter de urgência, dos Conselhos Consultivos de Turismo Municipais, para se analisar o impacto e situação efetiva do setor empresarial do turismo. Para se poder tomar consciência sobre o verdadeiro estado e capacidade do tecido empresarial do turismo para se recompor e se relançar em termos concelhios e regionais;

5 – Desenvolver um verdadeiro e estratégico programa de fomento da empregabilidade no setor do turismo regional, apoiando com financiamentos orientados à contratação de técnicos licenciados. (à semelhança ao programa implementado na oportunidade pelo saudoso Prof. Veiga Simão, designado ‘Jovens Técnicos para Indústria’ e que foi o melhor programa nacional de integração de quadros nas PME´s em Portugal);

6 – Apoiar a capacitação das estruturas associativas empresariais e profissionais para que possam contribuir para o relançamento do setor no acompanhamento das empresas ainda em funcionamento.”

Por fim, a APROTURM informa que se encontra “disponível para cooperar com as instituições públicas e privadas que pretendam contribuir de forma ativa para o relançamento e desenvolvimento do Turismo do Minho”.

Foto: DR.

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