Barcelenses Inspiradores: Fernanda Pereira

Setembro 21, 2019 Atualidade, Concelho, Cultura, Entrevistas, Opinião

A música era a influência do nosso barcelense inspirador da semana passada. Hoje, damos a conhecer Fernanda Pereira, que motiva e é motivada através das letras.

Se tiver interesse em participar ou em sugerir alguém inspirador para esta rubrica, escreva para o email: barcelensesinspiradores@outlook.pt.



Fernanda Pereira nasceu a 24 de junho de 1969, na freguesia de Alturas do Barroso, concelho de Boticas, e reside na freguesia de Arcozelo, concelho de Barcelos.

Casou a 24 de junho de 1995, na cidade de Barcelos, com um barcelense, e é mãe de dois filhos – João Pedro e Guilherme.

Iniciou o seu percurso escolar na Escola Primária de Alturas do Barroso. Com 10 anos, foi estudar para a sede de concelho – Boticas, onde ficava durante a semana e, com 15 anos, para a cidade de Chaves. Terminou o ensino secundário e iniciou-se no mundo do trabalho, através do programa “Ocupação dos Tempos Livres”, no Serviço de Finanças de Boticas. Foi ali que tomou conhecimento do concurso de acesso à função de escriturária nas conservatórias e cartórios notariais, tendo sido selecionada e colocada nos Açores, na Ilha de S. Jorge, nos Serviços Anexados de Velas.

Com 20 anos, ganhou a sua independência e autonomia. Foi um tempo maravilhoso, mas as saudades eram imensas, quer da sua mãe e restante família, bem como dos amigos, que tinham ficado do lado de cá do mar.

Daí que, logo que surgiu um concurso – Braga seria o alvo, concorreu para a Secretaria Notarial de Barcelos. Foi ali empossada – ainda com 20 anos – e nunca mais saiu desta cidade. Com a separação dos cartórios, escolheu o 2º Cartório Notarial de Barcelos.

Aquando da privatização do notariado, foi convidada pela notária daquele cartório a acompanhá-la na abertura do seu cartório privado, na cidade de Braga. Há exceção do trabalho prestado neste cartório, em Braga, todo o resto decorria e continuava a decorrer na cidade de Barcelos.

Regressou ao “público” e foi colocada na Conservatória do Registo Civil de Barcelos, onde se encontra até à presente data, exercendo funções no Front Office do Espaço Registos de Barcelos.

A sua formação superior aconteceu em Barcelos, no Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA). Assim, em 2010, regressou à Escola e, em 2013, terminou a licenciatura em Solicitadoria.

Mais tarde, principiou o mestrado em Solicitadoria, especialização em Contratos, tendo defendido o seu trabalho de dissertação para obtenção do grau de mestre em julho de 2018.

Desafiada a publicar este trabalho, surgiu o livro “A TITULAÇÃO DOS NEGÓCIOS – Aspetos Jurídicos, Fiscais e Registais”, publicado em junho de 2019, que a enche de orgulho, bem como aos seus orientadores, para com os quais terá para sempre uma dívida de gratidão.

A par da família, trabalho e estudos, há o associativismo e o voluntariado, que têm bastante relevo na sua vida quotidiana e se tornam em atividades muito gratificantes para si.

Esteve na constituição da “SOLICITIUS – Associação para a Promoção da Solicitadoria”, com sede em Barcelos e na qual mantém um cargo na direção da mesma.

É uma pessoa apaixonada pela vida, pela família, pelo trabalho, pela natureza e por esta cidade, que é a nossa cidade de Barcelos.



Quem és tu? Conta-nos quem és apenas como tu te conheces.

Eu sou a Fernanda, orgulhosamente transmontana, mas completamente integrada nesta cidade maravilhosa que é Barcelos e que me acolheu de braços abertos.

Vim para cá trabalhar em 1990, casei, tive filhos, estudei, integrei as várias Associações de Pais das Escolas por onde os meus filhos passaram, bem como o Conselho de Pais da Catequese de Santo António, onde atualmente sou catequista.

Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida”, Sócrates

Conheço-me desta forma, vivendo diariamente novos desafios. Desafios, inacreditavelmente, despontados em momentos aparentemente improváveis, mas que se têm relevados nos momentos certos.

Um dos desafios foi o meu regresso à escola, que surgiu em consequência da privatização do notariado. Explicitando, trabalhei cerca de 20 anos, no notariado, sendo os três últimos num cartório privado. Quando vim para a Conservatória, deixei de estar na minha zona de conforto. Seguiu-se um período de aprendizagem, incluindo uma formação de requalificação em registos. Esta formação, além de me ter proporcionado amizades para a vida, criando o grupo IRN Maio/2009, levou-me a perceber que estava na altura de fazer aquilo que não tinha feito, uma vez que comecei a trabalhar imediatamente ao término do ensino secundário – aprender e ter uma licenciatura.

Mas o gosto pela aprendizagem não ficou pela licenciatura e depois de feito o exame de acesso à Ordem dos Solicitadores e Agentes de Execução (OSAE), inscrevi-me no Mestrado, Especialização em Contratos, com o objetivo da obtenção de grau de mestre. Relativamente ao trabalho da dissertação foi muito gratificante fazê-lo, porque abordei questões de que gosto e que integram a minha profissão, mas foi por outro lado muito penoso, quer para mim, quer para a minha família, perante quem me penitencio pelo tempo em que não lhes pude dar a devida atenção. Houve momentos em que pensei desistir, em que pensei que não seria capaz. Enfim, que não era possível. No entanto, o incentivo de muitos levaram-me até ao final. Ao longo do trabalho houve uma frase, que para mim foi inspiradora, da autoria de Nelson Mandela “Tudo é considerado impossível até acontecer.” Aconteceu, defendi o trabalho e obtive o grau de mestre. Seguiu-se um novo desafio, que foi a publicação do trabalho de dissertação. Foi publicado e o dia da apresentação do livro, no Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA), a minha casa, foi um dia repleto de emoções.

Mas “como a vida não vai parar”, este ano estou a fazer uma pós-graduação em Direito Notarial e Registal, em Coimbra.

À parte disto, vejo-me como uma pessoa extremamente sensível (sou caranguejo), de emoções fortes e à flor da pele, em constante crescimento…que aprecia os pequenos gestos e atitudes, valorizando cada vez mais o “ser/estar” e cada vez menos o “ter”.

O que fazes é uma extensão de quem és?

Sem dúvida. Em tudo o que faço coloco AMOR, que para mim é a base de tudo. Depois, se por um lado sou demasiado perfecionista (comigo, acima de tudo), por outro, sou tolerante e tento-me colocar sempre do outro lado.

De que forma impactas a vida do próximo?

Pois, isso já não sei. Uma coisa eu sei, nunca guardo nada na “manga”. Tudo o que tenho dou, levando a que nada se perca, seguindo desta forma um dos lemas de Madre Teresa “Tudo o que se perde é o que não se dá”. Daí o meu gosto pela “Partilha” que se traduz em “repartir com alguém”. Repartir ideias, conquistas, alegrias, conhecimentos…E nada melhor para o conhecimento, que quando o partilhamos que alegria alcançamos!

Foi o que aconteceu em resultado de ter oportunidade de dar aulas no IPCA. Foi uma das melhores experiências da minha vida, pois pude partilhar o que aprendi, quer academicamente, quer em resultado da prática diária. Nada mais gratificante!

É o que acontece quando participo em conferências, onde posso partilhar aquilo que vou sabendo, em resultado do estudo, investigação e prática diária.

A publicação do meu livro também tem este efeito. De uma forma simples, direta, mas com o rigor e linguagem jurídica como se pretende, ajudar as pessoas nas suas dúvidas diárias e relacionadas com a Titulação.

Se pudesses ter a atenção do mundo durante 5 minutos, o que dirias ou farias?

Colocava todas as pessoas de mãos dadas, para que o amor trespassasse entre elas e estabelecesse a paz necessária à tomada de boas decisões em prol da humanidade.  

Ao longo da tua vida, quem foram algumas das pessoas que mais te influenciaram?

A minha mãe. Uma resiliente nata. Pensando que não sabe ler, nem escrever, porque não teve oportunidade, mas que consegue ter uma sabedoria de meter inveja a muitos diplomados.

Atualmente, que figuras de influência tomas como exemplo?

O “nosso” Papa Francisco. Um outro verdadeiro exemplo é a Madre Teresa de Calcutá. Revejo-me em todos os seus pensamentos. E de uma forma geral, todas as pessoas que, diariamente, fazem algo em prol do próximo. Mais que não seja, deixar-lhe um sorriso, uma palavra amiga…

Diz-nos um barcelense que te inspire.

Em vez de um, dois, que verdadeiramente são um. Pela sua forma de ser e estar, um casal de amigos, que são a família que escolhi, em Barcelos.

Como gostarias de ser recordada?

Alguém com uma preocupação constante em, diariamente, fazer mais e melhor. Que a minha maior satisfação era, com humildade e simplicidade, fazer tão pouco e tornar alguém feliz. Que sempre tive como influência uma das maiores figuras da humanidade – Madre Teresa de Calcutá, não permitindo que alguém saísse da minha presença sem se sentir melhor e mais feliz.

Por: Sandra Santos (Poeta e Tradutora) e Iara Brito (Criminóloga)*.

(* A redação do artigo é única e exclusivamente da responsabilidade das autoras)

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