“Cancro da Mama em tempos de pandemia”

Janeiro 22, 2021 Atualidade, Concelho, Mundo, Opinião, Saúde
Dra. Maria José Novais

Maria José Novais, natural e residente em Macieira de Rates, sócia n. º 75 da Associação Intensify World, é Médica Especialista em Medicina Geral e Familiar é a convidada para escrever o artigo de opinião do mês de Janeiro no nosso espaço. No âmbito da componente “Educação” da associação Intensify World a Dra. Maria José Novais irá partilhar algumas informações relativamente ao cancro da mama.

O cancro da mama é o cancro mais frequente na mulher. É um dos cancros mais temidos e com maior impacto na vida da mulher, tanto a nível físico como emocional, atingindo fortemente a sua autoestima. Apesar do enorme progresso na prevenção feito nas últimas décadas, estima-se que uma em cada nove mulheres irá desenvolver cancro da mama ao longo da sua vida. É a causa mais frequente de morte na faixa etária entre os 35 aos 55 anos de idade na União Europeia. Em todo o mundo, a cada 20 segundos uma mulher é diagnosticada com cancro da mama e a cada minuto alguém morre devido a esta doença. Contudo, mais de 85% destas doentes podem ser curadas, se diagnosticadas numa fase precoce e adequadamente tratadas.

Estes dados sublinham a importância de um investimento contínuo na educação, informação e investigação nesta doença. É inquestionável que o investimento na pesquisa e desenvolvimento de novos tratamentos desempenham um papel fundamental na melhoria da sobrevida destes pacientes, mas é igualmente importante a fomentação da instrução e conhecimento geral sobre o cancro da mama.

2020 será sempre recordado como o ano do início da Pandemia COVID-19, que levou à paralisação de inúmeros serviços e atos de rotina importantes. Os exames de rastreio oncológico são um desses graves exemplos: houve uma diminuição muito significativa de exames de rastreio do cancro da mama, do colo do útero e colo-rectal, o que provocou uma preocupante diminuição dos novos diagnósticos de cancro. Tal facto não significa que deixou de haver cancro, mas que serão diagnosticados numa fase mais tardia e grave da doença.

São conhecidos alguns fatores de risco para o cancro da mama, muito associados aos estilos de vida e a características reprodutivas inerentes à vida moderna e ocidentalizada da mulher. O aumento da idade, primeira menstruação precoce (11 a 14 anos), menopausa tardia (acima dos 55 anos), história familiar de cancro da mama, nunca ter engravidado, primeira gravidez depois dos 30 anos e tratamentos com terapia hormonal de substituição são fatores de risco não modificáveis que aumentam a predisposição para esta doença. Contudo, existem outros fatores de risco que são modificáveis, tais como o excesso de peso, o sedentarismo e a ingestão de álcool, que também aumentam o risco de cancro da mama. É por isso fundamental adotar um estilo de vida saudável, praticando exercício físico, ter uma alimentação equilibrada e não consumir bebidas alcoólicas, pois estas mudanças comportamentais podem reduzir o risco de vir a desenvolver a doença.

Existem ainda alterações para as quais deve estar alerta, nomeadamente a existência de um nódulo palpável, retração da pele ou do mamilo, espessamento cutâneo, escorrência mamilar sanguinolenta, mudança no tamanho ou forma da mama ou da aréola. Em caso de deteção de algum destes sinais deverá contactar de imediato o seu médico assistente.

O rastreio do cancro da mama tem como objetivo a realização de um diagnóstico precoce para que o tratamento melhore a sua evolução. Segundo o Programa Nacional para as Doenças Oncológicas da Direção Geral de Saúde, deve realizar-se a mamografia de 2 em 2 anos a todas as mulheres com idades compreendidas entre os 50 e 69 anos. Nas restantes faixas etárias, deverá ser ponderado com o Médico Assistente a necessidade de rastreio, tendo em conta eventuais sinais ou sintomas, fatores de risco ou história familiar de cancro da mama. A mamografia vai permitir visualizar se existem nódulos ou outras alterações na mama ainda antes de estas poderem ser palpadas ou sentidas pela mulher. É um exame pouco invasivo que utiliza uma dose de radiação mínima sem riscos para a saúde e é essencial para o diagnóstico desta doença. 

O combate ao cancro deve ser uma prioridade contínua, que não pode ficar em segundo plano face à pandemia COVID-19. Apesar de um diagnóstico de cancro da mama ser devastador, não é uma sentença de morte. Partilhe as suas dúvidas com o seu Médico, siga as suas recomendações e adote um estilo de vida saudável. Prevenir o cancro da mama é o primeiro gesto para o vencer!

Por: Dra. Maria José Novais (Médica Especialista em Medicina Geral e Familiar)

Imagem: DR

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

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