Capítulo 33 – Uma visão geral sobre o jejum na alimentação diária

Julho 8, 2020 Atualidade, Concelho, Opinião, Saúde
Sara Barbosa

Atualmente, tenho-me deparado com imensas pessoas a questionarem sobre o jejum intermitente. Na teoria, esta é uma nova forma de se perder peso. Há muitas opiniões distintas, é verdade. Sendo este um artigo de opinião, vou dar a minha opinião de forma geral sobre este tema.



Teoricamente, com o jejum passa-se a “consumir mais gordura e emagrece-se mais rápido”. Contudo, o que determina a oxidação dos substratos energéticos é a intensidade da atividade física desenvolvida. Isto significa que começamos a queimar mais hidratos de carbono quando aumentamos a intensidade da nossa atividade física. E aqui surge a questão: é mais importante a queima de gordura ou de hidratos de carbono? Bem, como sabem, o mais importante na perda de peso é, efetivamente, o balanço energético diário negativo, ou seja, devemos gastar mais do que aquilo que ingerimos. O nutriente oxidado no momento não é o que determina a perda de peso. Claro que se ingerirmos muitos hidratos de carbono, de forma consecutiva e repetida, diariamente, a nossa insulina aumenta e, consequentemente, há um maior armazenamento de gordura devido ao facto de a oxidação da gordura ficar suprimida. Quando há oxidação de hidratos de carbono ou, de forma simplificada, açúcar, também é bom porque, consequentemente, também oxidamos mais gordura e é sinal que o nosso corpo se encontra fisicamente ativo.

Vou passar a citar um excerto retirado de um artigo publicado no jornal “Público”, redigido pelo nutricionista Pedro Carvalho:

«Em humanos a perda de peso é um processo muito mais comportamental do que fisiológico e que depende fundamentalmente da adesão a qualquer tipo de plano alimentar mais do que a composição nutricional do mesmo.»

«A diabetes tipo 2 é de facto reversível quando se perde peso seja “apenas” através de dieta, de cirurgia bariátrica e quando se ajustam os hidratos de carbono da dieta (seja a quantidade total seja a sua carga glicémica, independentemente da prática de jejum. Uma revisão de 11 estudos sobre jejum (de 12 a 20 horas) com duração de 4 a 8 semanas, demonstrou que o efeito do jejum intermitente é marginal na redução dos níveis de glicemia em jejum quando em comparação com a restrição calórica contínua. O que é o mesmo que dizer que o jejum de facto resulta, mas resulta de forma igual a uma dieta com o mesmo número de calorias, mas ingeridas com refeições de 3 em 3 horas por exemplo.»

Vou terminar este capítulo exatamente da mesma forma que iniciei o capítulo anterior.

Mais do que fazer dieta, mais do que fazer exercício físico, é importante tomar consciência de como podemos alterar o nosso estilo de vida. Nada deve ser radical, nem momentâneo. Deve sim, ocorrer mudança de hábitos alimentares de forma consciente e definitiva. Só dessa forma, existe, efetivamente, uma real transformação.

Por: Sara Barbosa*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

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