Comissário Europeu do Ambiente desmentido por produtores pecuários da União Europeia

Maio 12, 2020 Atualidade, Concelho, Economia, Mundo, Política

Em causa, declarações que associam a COVID-19 à criação intensiva de animais

Onze organizações do setor agropecuário da União Europeia (UE), lideradas pela COPA / COGECA e FEFAC, instaram a Comissão Europeia a desmentir as declarações falsas proferidas pelo comissário europeu do Ambiente, Virginijus Sinkevičius, que associam a propagação da COVID-19 à produção intensiva de animais.



Os parceiros da cadeia de produção pecuária da UE destacaram a contribuição essencial dos criadores de gado e agentes da cadeia de valor para garantir a segurança alimentar aos cidadãos da UE neste difícil período de gestão da crise provocada pela COVID-19 e o papel do setor pecuário para fornecer nutrição equilibrada a milhões de consumidores.

A plataforma de criação de animais da União Europeia solicitou à Comissão (DG SANTE) que reforçasse os esforços para fornecer informações com base em evidências científicas, disponíveis sobre o alto nível de biossegurança nas fazendas de criação de animais da UE, exigindo investigações e medidas adicionais.

Numa reunião conjunta com a AFCC, a 30 de abril de 2020, e após a recente comunicação pública do comissário europeu do Ambiente, Virginijus Sinkevičius, que estabelecia uma relação entre a COVID-19 e a produção intensiva de animais, a DG SANTE explicou que está a dialogar com os gabinetes do comissário europeu do Ambiente e a comissária europeia da Saúde e Segurança dos Alimentos, Stella Kyriakides, de modo a evitar futuras falhas de comunicação.

O Secretário-geral da COPA / COGECA, Pëkka Pesonen, sublinhou que a declaração do comissário europeu para o Ambiente foram um “golpe”, que pode destruir o que a DG SANTE e o setor pecuário construíram ao longo dos últimos 20 anos para garantir a segurança alimentar no setor pecuário, após a BSE e outras crises na segurança alimentar como as dioxinas, incluindo o conceito One-Heath.

De acordo com as onze organizações do setor agropecuário, a DG SANTE deve proteger e defender o seu trabalho anterior em prol da segurança alimentar e o setor pecuário deve fornecer evidências e informações claras sobre os altos níveis de padrões de alimentação e segurança alimentar, incluindo medidas de biossegurança implementadas na atividade de criação de animais e de toda a cadeia de valor.

A DG SANTE comprometeu-se a abordar a questão nas perguntas e respostas revistas dedicadas aos animais e ao COVID-19.

Os factos atualmente conhecidos sobre a produção de animais, seus produtos alimentícios e COVID-19 referem que, de acordo com o estado atual do conhecimento, os animais usados para a produção de carne não podem ser infetados com SARS-CoV-2 e, portanto, são incapazes de transmitir o vírus aos seres humanos pela via do consumo (fonte: BfR). Até ao momento, os resultados preliminares de estudos sugerem que aves e suínos não são suscetíveis à infeção por SARS-CoV-2 (fonte: OIE). Atualmente, não há evidências de que os alimentos sejam uma fonte ou via provável de transmissão do vírus (fonte: AESA) e que sugiram que animais infetados por seres humanos desempenhem um papel na disseminação da COVID-19. Os surtos humanos são causados pelo contato de pessoa para pessoa (fonte: OIE). Embora haja investigações em curso sobre uma possível origem animal do Coronavírus (SARS-CoV-2), a disseminação e o desenvolvimento da atual pandemia humana devem-se à transmissão de humano para humano. Não há evidências atuais de que os animais desempenham um papel na disseminação do COVID-19 (fonte: FAO).

Foto: DR.

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