Depressão: uma doença silenciosa e fatal

Julho 10, 2020 Atualidade, Concelho, Mundo, Opinião, Saúde
Marisa Marques

A depressão consiste numa perturbação mental muito comum no ser humano e caracteriza-se por ser uma perturbação emocional persistente que afeta negativamente a forma como a pessoa se sente, pensa e age. Provocando, por sua vez, sentimentos de tristeza e/ou perda de interesse, nomeadamente, nas atividades habituais do quotidiano e diminui de forma significativa a capacidade funcional da pessoa, quer ao nível profissional, quer ao nível social.



No contexto atual, a existência do vírus COVID-19 constituiu uma ameaça para a saúde, quer a nível físico como psicológico, considerando-se urgente e emergente, uma atitude.

De fato, estamos a viver uma situação de instabilidade emocional significativa, em que os sentimentos de angústia, tristeza, depressão, raiva, medo, bem como, outras alterações, dominarão o nosso dia a dia. Como consequência, prevê-se que haverá uma forte tendência a desvalorizar a sintomatologia depressiva, uma vez que a mesma poderá uma forte tendência a ser confundida com a tristeza e esgotamento, o que dificultará que a depressão seja diagnosticada.

A depressão é o “trilho” doloroso que induz a um sofrimento intenso, conduzindo, em casos extremos, ao suicídio. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2015, cerca de 300 milhões de pessoas tinham diagnóstico de depressão, sendo, por isso, classificada como uma das principais causas de morte. Em Portugal, a realidade não é diferente da restante situação mundial, estima-se que haja cerca de um quinto da população (22,9%) com sintomatologia depressiva.

Atualmente sabe-se que a depressão é considerada a doença que mais contribui para as mortes por suicídio, com um índice bastante elevado, falamos de 800 mil situações por ano em todo o mundo. Apesar de ainda ser um assunto tabu da nossa sociedade, o suicídio encontra-se entre as 10 principais causas de morte em Portugal e em todo o mundo. No nosso país, anualmente, suicidam-se cerca de 1000 pessoas, no entanto, desde o início da pandemia, o número de suicídios tem aumentado drasticamente, assunto que está nas primeiras páginas dos noticiários, tal como os números de infetados por COVID-19.

No entanto, é mais fácil olhar para o lado e mascarar esta realidade, do que nos comprometermos.

Todos temos o dever de estar alertados e informados sobre a depressão e as suas consequências para unir esforços e ajudar quem se encontra em sofrimento, por isso, todas as atitudes são preciosas quando se suspeita que alguém possa estar depressivo e com pensamentos suicidas.

O importante, numa primeira fase, é tentar entender o que está a acontecer e quais os sentimentos associados. Não tenha medo de perguntar à pessoa porque se sente triste, deprimida e se está a pensar em suicídio (desistir de algo). Sendo que é improvável, para não dizer impossível, que a depressão passe por si só, torna-se fundamental que o primeiro passo seja aceitar que precisamos de ajuda e, consequentemente, procurar ajuda dos profissionais de saúde mental (Psicólogos e Psiquiatras).

A depressão, tal como as doenças físicas, precisa de ser tratada. Em todos os casos, o recurso à psicoterapia é fundamental e, em casos mais específicos, deve-se complementar o tratamento com a utilização de psicotrópicos.

Lembre-se que a grande maioria das pessoas deprimidas melhora substancialmente com um tratamento apropriado. De uma forma geral, os quadros depressivos de intensidade moderada a grave são tratáveis com a conjugação da Psicoterapia Cognitivo-Comportamental e a Medicação. Sendo que em casos ligeiros serão intervencionados com Psicoterapia Cognitivo-Comportamental.

Reforço o alerta: se conhecerem alguém que possa ter uma perturbação de humor, o mais importante a ser feito é aconselhar-lhe a procurar ajuda. Não devemos minimizar a depressão, antes pelo contrário, devemos ser ativos na procura de uma resposta.

A Saúde Mental é um assunto sério: Sem Saúde Mental Não Há Saúde.

Por: Marisa Marques* (Psicóloga Clínica e da Saúde).

Imagens: DR.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

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