Dinamismo social entre estudantes

Fevereiro 2, 2022 Atualidade, Concelho, Opinião
João Fernandes & Diogo Araújo

João Fernandes e Diogo Araújo são alunos do curso de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA) e convidados a escrever o artigo do mês de fevereiro no espaço da Intensify World. Iniciaram e deram seguimento a um projeto que venceu recentemente o prémio “Valor Santander/IPCA”.

João Fernandes

João Fernandes, 23 anos, aluno do curso de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA). Durante os meus anos académicos, sempre tive a ambição de desenvolver competências e aptidões não só a nível pessoal e profissional, mas também embutir essa vontade nos meus colegas.

No meu primeiro ano de faculdade, reparei quase imediatamente, que entre os alunos do meu curso havia falta de vontade de fazer algo para além das unidades curriculares. Visto isto, optei por ter uma atitude motivadora de forma a tentar criar nos meus colegas, a ambição de fazerem mais atividades enriquecedoras e que no futuro fosse uma mais-valia na sua carreira profissional e pessoal.

No final do meu primeiro ano de faculdade, ganhei uma perspetiva diferente em relação ao percurso académico e comecei a notar em certos pormenores que pareciam ser recorrentes todos os anos. Grande parte dos alunos não demonstra interesse em participar nas atividades extracurriculares de forma a adquirir espírito de trabalho em equipa e a sua componente social era muito baixa. Com isto, comecei a incentivar o trabalho em equipa, estimular o estudo em conjunto, assim como a criação de workshops para melhorar o aproveitamento em unidades curriculares. No entanto, o facto de eu criar esta iniciativas não foi suficiente pois havia na mesma uma taxa de participação baixa em atividades não organizadas pelo curso. Por essa razão idealizei atividades em que eles com pouco conhecimento adquirido, poderiam causar impacto social gigante na comunidade, alcançando assim uma capacidade critica de situações do foro escolar e melhorando o seu valor intrínseco.

Tendo participado em edições anteriores da oficina do brinquedo, eu percebi que esta era a atividade perfeita para motivar os alunos. Devido à pandemia, esta atividade tinha sido posta de parte por tempo indefinido.

A oficina do Brinquedo realiza-se à alguns anos, tendo como finalidade a adaptação de Brinquedos para crianças com incapacidade motora e/ou cognitiva. Contudo, eu e o Diogo, apercebemo-nos que este tinha potencial para ir além da finalidade acima referida, devendo abarcar iniciativas com maior impacto social ,para isso, envolver pessoas e associações externas ao IPCA.

Neste sentido, com o apoio da comunidade do IPCA, a Oficina do Brinquedo não vai apenas restringir-se à adaptação de brinquedos, mas vai envolver:

  • Campanha para angariação de brinquedos antigos e novos;​
  • Adaptação de brinquedos para crianças com deficiência motora e/ou cognitiva;​
  • Reparação de Brinquedos antigos/novos para doação;​
  • Elaboração de controladores de videojogos para pessoas com deficiência motora e/ou cognitiva;​
  • Elaboração de controladores de computador para pessoas com incapacidade;​
  • Aquisição de competências técnicas de modo que os adolescentes possam experienciar a Engenharia Eletrotécnica e o ensino superior;​
  • Desenvolver as competências técnicas, redes de contacto e aumentar a participação dos alunos de engenharia em eventos;​
  • Possibilidade de os alunos começarem a desenvolver projetos para ganhar experiência;​
  • Incentivar e demonstrar aos adolescentes da ASAS da possibilidade do ensino superior;
  • Ensinar os jovens da ASAS sobre os básicos das componentes técnicas da eletrónica possibilitando que estes possam arranjar emprego na área facilmente;
  • Dar a possibilidade aos jovens da ASAS fazerem a manutenção e consertar os brinquedos dos colegas mais novos, aumentando assim a sustentabilidade da instituição e o aperfeiçoamento das suas competências eletrónicas;
  • Elaboração e divulgação de um vídeo tutorial sobre adaptações de brinquedos/controladores de videojogos para que qualquer pessoa com pouco ou nenhum conhecimento eletrónico consiga aprender e elaborar controladores adaptados para os seus familiares e/ou amigos.

O alargamento da Oficina do Brinquedo à dimensão do ensino da eletrónica e da reparação aos jovens da ASAS visa responder a uma necessidade que detetamos: capacitar os jovens com dificuldades socioeconómicas, que são um pouco esquecidos pela sociedade devido a já não serem crianças, e mostrando-lhes também que a sociedade se importa com eles e que lhes fornece as ferramentas necessárias para que qualquer pessoa ,independentemente do seu trajeto de vida, possa ter sucesso académico e boa integração profissional..

É neste contexto que decidimos ensinar os jovens das ASAS a fazer reparações eletrónicas, podendo-lhes abrir a porta a um emprego na área (sabemos bem que esta é uma área carenciada) fornecendo assim a independência e estabilidade económica que muitos anseiam ter, bem como a possibilidade de conhecerem o ensino superior e que existem mecanismos de apoio (bolsas) caso ingressem no ensino superior e que o conhecimento é uma arma muito poderosa que lhes possibilitará chegar mais longe.

Para alem disto, permitimos que na ASAS, estes jovens possam fazer a manutenção ou reparações eletrónicas o que lhes permite ganhar autoestima, respeito por eles próprios bem como ajudarmos a instituição a ser mais sustentável.

Relativamente a APAC e a ASAS, estas instituições mostraram-se extremamente apoiantes dos nossos projetos, demonstrando a APAC interesse nos controladores de consola que esta a ser elaborado por mim e também propôs outros projetos que os alunos poderiam fazer de modo que estes pudessem ganhar currículo e ajudando assim a comunidade.

Sendo muito importantes os objetivos acima referidos, julgo que o principal objetivo da Oficina do Brinquedo é permitir aos alunos do curso de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores desenvolver competências adquiridas colocando-as ao serviço do outro, satisfazendo as suas necessidades e também aprofundar competências que serão importantes para o futuro, designadamente, para ingressar no mercado de trabalho.

O que pretendo com este projeto é demonstrar que os alunos de EEC e do IPCA querem ajudar as pessoas com soluções eletrotécnicas, e que estas possam permitir que todos, independentemente das suas características e necessidades, possam delas beneficiar. Com o valor de 1700 euros ganho no Prémio valor Santander/IPCA pretendo financiar a adaptação de comandos para jovens da APAC bem como financiar outros projetos.

No entanto admito que nada disto seria possível sem ajuda dos meus colegas, mas especialmente de um, o Diogo Araújo, o qual vai continuar com esta iniciativa para o ano e continuar a incentivar e cativar alunos para participarem.

A educação e o conhecimento transformam realidades e faz de pessoas, cidadãos.

Diogo Araújo

Sou o Diogo Araújo, tenho 22 anos e frequento o curso em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA). O João ao visionar as minhas capacidades de comunicação e aptidões, pediu para dar continuidade ao seu projeto, onde contribui significativamente no mesmo.

Desta forma, cativei os alunos do curso a participarem nas atividades extracurriculares, fazendo com que adquirissem um espírito de trabalho e um aumento na sua componente social. Com isto, realizei workshops de forma a melhorar o aproveitamento das unidades curriculares, assim como a criação de salas de estudo coletivas, permitindo assim uma melhor aprendizagem aos alunos.

Com a realização da Oficina do Brinquedo, com a ajuda do João, sendo esta embarcada num impacto extrínseco, envolvendo associações externas ao IPCA, permitiu aos alunos do curso em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, desenvolverem capacidades, de comunicação e entreajuda ao relacionarem-se diretamente com os jovens da ASAS.

Com isto pretendo dar continuidade ao nosso projeto, dando uma maior dimensão e alcançando uma maior panóplia de pessoas.

O meu projeto de final de curso, por sua vez, contribuirá num projeto dedicado única e exclusivamente para as instituições da ASAS e da APAC, que permitirá, a inclusão de um jogo por realidade aumentada, de forma a ajudar os jovens das instituições. Desta forma, pretendemos a criação de um elo de ligação entre a instituição académica e as instituições externas.

Por: João Fernandes & Diogo Araújo

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