Dos arrepios de Londres ao calor de Barcelos

Outubro 20, 2020 Atualidade, Concelho, Cultura, Mundo, Opinião
Christianne Daniel

Já alguma vez ouviste falar sobre alguém que pediu a demissão de um emprego que ainda está para começar? Foi uma das decisões mais loucas, mas ainda assim, emocionantes que já tomei. Há algo agradavelmente assustador em deixar tudo o que conheces para trás durante um ano. Quando tomei essa decisão, de me mudar para Portugal, durante um ano, tentei fazê-lo com o mínimo de expectativas possíveis para me permitir estar totalmente mergulhada na experiência.



Evidentemente, existem muitas diferenças entre Londres e Barcelos, sendo uma delas os preços maravilhosamente baixos do frango, que em Portugal custa 4,35€ e em Londres quase 9€; tal como podes imaginar, fiquei em êxtase. O tempo não passou de um sonho, parece a única semana de verão que temos em Londres, mas desta vez, durou um ano inteiro. Porém ao verdadeiro estilo britânico, assim que fica muito quente, eu reclamo, chamamos a isto de “Goldilocks Syndrome” – Síndrome Caracolinhos Dourados (Quando uma pessoa é excessivamente exigente quanto à procura da opção “perfeita” ou “certa” em qualquer situação, seja outra pessoa, lugar ou coisa, porque acredita que sempre terá um mar de opções para escolher). Aprendi, também, o quanto o clima afeta o meu humor, e embora tenha reclamado do calor, o sol faz-me querer aproveitar cada minuto da luz do dia e não tomá-la como garantida.

Um voluntária londrina nas “lides da terra”! (Foto: DR)

Há uma sensação completamente diferente quando vimos de uma grande cidade conhecida para uma muito mais pequena. Ao morar em Londres, segues uma rotina que consiste em dormir, comer, trabalhar e repetir este ciclo, podes acabar por nem socializar com os teus amigos e familiares. Eu passei um ano sem ver alguns dos meus amigos mais próximos por causa deste ciclo, mas em Barcelos existe um sentimento de união entre as pessoas locais. Quando o sol se põe, a família e os amigos reúnem-se e conversam acompanhados de uma cerveja ou um café. Cada vez que uso o autocarro, as senhoras mais velhas conversam com o motorista, sobre o seu dia, o clima, e como é obvio, o tópico global é…Coronavírus. Ver esta união foi lindo.

A única palavra que passou nos lábios de todos, inclusive nos meus, foi Coronavírus. Estar em Portugal, longe dos meus entes queridos durante uma pandemia foi difícil e assustador, além de que ter familiares com alguns problemas de saúde complexos foi muito preocupante para mim, e não ter nenhum familiar em Portugal foi difícil. Como o mundo parou, sou grata por ter a minha colega de apartamento e os meus amigos voluntários, é muito fácil para mim ir-me abaixo, mas mantivemo-nos ocupados e fomo-nos apoiando mutuamente. Conseguimos manter a nossa sanidade mental sã e continuamos com as risadas contínuas durante a quarentena, sendo por isso que lhes agradeço. Nunca esquecerei os meus dias de quarentena, em Portugal.

Nunca soube que Portugal tinha uma cultura de bebida tão grande, pensei que os britânicos gostavam de beber, mas estava muito enganada. Embora, quando o Portugal produz a melhor cerveja e vinho, tudo faz sentido. Quando estiveres no Norte, bebe como no Norte…Super Bock! Eu deveria ser a gerente de publicidade e entretenimento da Super Bock.

A oportunidade que tive de aprender um novo idioma foi algo que não pude tomar como garantido, apesar de todos os esforços da minha organização e das aulas de Português, tudo o que eu ainda sei é “Bom dia; Boa tarde/noite; Xau; Até já/logo/amanhã”, desculpa Elena 🙂 ! Apesar disto, a experiência que consegui adquirir é como nenhuma outra.

Christianne teve a oportunidade de apreciar belas paisagens portuguesas (Foto: DR)

No geral, a minha passagem por Portugal tem sido um montanha russa, muitos altos e muitos baixos, mas definitivamente, a melhor experiência que já tive, cheia de imensas memórias bonitas. Sempre quis morar no estrangeiro tal como trabalhar no exterior, agora eu posso, então fiz ambas as coisas. Se sonhaste, vai e vive, só não te arrependas, porque isso é pior.

Por: Christianne Daniel* (Voluntária na SOPRO, durante 1 ano, no Projeto Powerfull Volunteers)

Tradução: Ana Roriz (voluntária).

Fotos: DR.

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