Economia Barcelense apresenta pequenos sinais de crescimento após choque fortíssimo

Outubro 11, 2020 Atualidade, Concelho, Economia, Mundo, Opinião

Breve análise ao relatório trimestral “Norte Conjuntura”

Alexandrino Ribeiro

Os números não enganam! O COVID-19 deixou a sua marca devastadora na economia. Será necessário recuar vários anos para se encontrar uma contração económica tão violenta e acelerada como esta. Já se sente o início da recuperação económica, mas os próximos meses serão críticos. A economia barcelense também evidencia sinais de recuperação económica, mas continua a ser o parente pobre do Quadrilátero Urbano em termos económicos e financeiros.

A atividade económica do concelho de Barcelos registou uma contração assustadora no 2º trimestre de 2020, muito na linha do que se previa e do que aconteceu a nível regional, nacional e internacional. O relatório trimestral, recentemente divulgado pela CCDRN, “Norte Conjuntura”, relativo ao 2º trimestre de 2020, evidencia que abril foi o mês mais problemático ao nível dos efeitos da pandemia nas variáveis macroeconómicas: taxa de desemprego, exportações, importações e crescimento económico.



A contração da atividade económica teve forte impacto no crescimento do desemprego. No caso particular de Barcelos, no passado mês de abril, acentuou-se o crescimento desse flagelo que afeta já muitas famílias barcelenses. O concelho de Barcelos apresentou, mesmo, em abril, o pior desempenho mensal neste indicador económico entre todos os Concelhos que compõem o Quadrilátero Urbano (Barcelos, Braga, Famalicão e Guimarães). Apesar da elevada subida na taxa de desemprego, o mesmo só não se tornou ainda mais problemático fruto do recurso acentuado ao lay-off por parte de muitas empresas. No final do 2º trimestre de 2020 existiam cerca de 823 mil trabalhadores em regime de lay-off a nível nacional, dos quais uma larga percentagem localizados na região Norte do País. O término do regime de lay-off tenderá a colocar várias empresas em dificuldades para se manterem no mercado, fazendo-me prever mais uma subida do flagelo do desemprego num futuro próximo, com potenciais agravamentos de problemas sociais nas famílias e que se tornará importante dar resposta com um reforço das políticas e apoios sociais a diversos níveis.

Em termos setoriais, a pandemia apresentou diferentes impactos nos setores de atividade na região Norte. A generalidade dos setores sofreu uma forte contração nas horas efetivamente trabalhadas, com especial destaque para os do turismo, do alojamento e restauração que praticamente pararam durante o período da quarentena. Contudo, merece destaque a subida verificada em setores relacionados com a informática e comunicações, assim como as atividades administrativas e serviços de apoio, setores de atividade que foram fundamentais nos tempos de quarentena que atravessámos. Salienta-se, ainda, que o setor turístico, fortemente penalizado pela pandemia, apresenta já uma lenta retoma no final do 1º semestre, assente, fundamentalmente, nos turistas nacionais, mas ainda muito longe dos níveis de atividade registados antes da pandemia, como explicita o relatório “Norte Conjuntura”.

A quarentena e o confinamento deixaram, ainda, marcas significativas nas exportações, sendo esta a variável económica analisada a evidenciar a queda mais acentuada no 2º trimestre de 2020. Os resultados do relatório “Norte Conjuntura” evidenciam que o concelho de Barcelos continua a apresentar um volume de exportações muito abaixo dos restantes Concelhos do Quadrilátero Urbano. Qualquer um dos restantes Concelhos apresenta um volume de exportações que se situa acima do barcelense em cerca de mais do dobro. Esta é uma tendência que nos deve preocupar e que urge inverter, sendo importante, para tal, a implementação de políticas Municipais que visem atrair mais empresas, apoiem o empreendedorismo e permitam atrair mais projetos de investimento (nacionais e internacionais) para o Concelho de Barcelos. A criação e dinamização, à semelhança do que já acontece nos restantes Municípios do Quadrilítero, de uma Agência Municipal de Investimento e de um Regulamento Municipal de apoio ao investimento é uma urgência para que Barcelos não continue a ficar cada vez mais para trás em relação aos outros Municípios do Quadrilátero em variáveis económicas e financeiras como o volume de empregos, volume de exportações, orçamento Municipal por habitante, etc…Está mais do que na hora de se implementar políticas Municipais que ajudem o concelho de Barcelos a deixar de ser o parente pobre do Quadrilátero Urbano em termos económicos e financeiros.

Por: Alexandrino Ribeiro* (Professor no IPCA).

Foto: DR.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

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