Entreter Pessoas Online e Offline

Novembro 1, 2021 Atualidade, Concelho, Opinião
Nelson Ferreira

Nelson Ferreira, mais conhecido por Zé Laustibia no mundo do espetáculo, é natural de Braga e é uma referência no mundo da animação online e ao vivo. Agora com 37 anos, tendo começado aos 27, com dois projetos que lhe deram bastante projeção na área do entretenimento em portugal. A sua personagem de nome Zé Laustibia é referencia no mundo dos casamentos, e como Nelson no projeto do Youtube “NãoQueresNada”, ambos os projetos marcaram o humor em Portugal em áreas diferentes, mas tudo começou online.

Em setembro de 2011 era criada uma personagem no Facebook no qual se atribuiu o nome de Zé Laustibia, ainda sem uma ideia definida de qual seria o papel dessa personagem, já se sabia que era algo direcionado com piada. Mas em conversa com mais três amigos sobre o assunto, criou-se uma segunda ideia já com algo definido, os “NãoQueresnada”, que acabaram por criar analises a vídeos cómicos e paródias musicais. Poucos vídeos depois a personagem Zé Laustibia começou a criar vídeos de dança que atingiram bastante sucesso em Portugal e no Brasil.

E pouco a pouco os dois projetos ganharam visibilidade, ambos na área na comédia, mas sem nenhum de nós ser comediante na altura, eramos 4 amigos, o João o Filipe o Jorge e Eu que tinham uma boa interação e eramos naturais a falar entre nós nos vídeos, parecendo “conversas de café”.

Até que em 2017 criamos o primeiro episódio da “Batalha das Piadas Secas” no canal Youtube dos NãoQueresNada, logo aí foi um tremendo sucesso a nível nacional, toda a gente via e devorava os nossos episódios, semanalmente lançávamos um episódio entre 5 a 10 minutos que atingia milhares de visualizações instantâneas. E mesmo sem grande parte da equipa ter grande experiência em contar piadas ou ser humorista, a ideia vingou.

E a meu ver porque é que a ideia foi um sucesso que se auto sustentou por dois anos e meio?

Vivemos numa era cada vez mais digital, e em que as redes sociais tem um grande papel, e praticamente toda a gente tem um telemóvel e vê conteúdos em todo o lado. E para isso os conteúdos têm que ser curtos e diretos. E o humor por cá em Portugal era feito por verdadeiros artistas de standup na altura, que criavam também conteúdo para a internet, mas que eram “engolidos” pelas dezenas de youtubers que produziam conteúdo não tão completo a nível de humor, mas que eram apelativos visualmente e eram interativos. Penso que viemos um pouco unir as duas partes com as nossas piadas secas.

Primeiro porque toda a gente conhece uma piada seca, ou tem uma piada favorita que guarda para contar em um jantar ou convívio, que de ser tão seca, consegue colocar todos a rir, mesmo não tendo piada nenhuma. Ou seja, o publico gosta destas piadas porque são curtas e a maior parte fáceis de decorar e contar, sem ter grande experiência no assunto.

O segundo ponto foi a edição dos vídeos, mesmo não tendo uma resolução e uma qualidade de imagem ao nível dos youtubers portugueses, era sem dúvida apelativa, colocávamos zoom em partes que eram importantes, efeitos de vídeo a saltar na imagem consoante o que se passava. E como gravamos em estúdio, o som, era claro limpo e com qualidade, se calhar o que tinha mais qualidade no vídeo. Não parece, mas perceber a piada logo ajuda na fluidez no vídeo. E uma característica na edição que era trabalhosa e que era a “cereja no topo do bolo” da parte da edição de vídeo era as legendas, podiam ver os nossos vídeos mesmo sem som, ou tendo algum problema auditivo, algo que na altura era raro se fazer cá em Portugal, legendar os conteúdos do Youtube. Chegamos a receber elogios de pessoas sobre o trabalho que tínhamos a legendar os vídeos, e que como eram surdo-mudas, tinham conteúdo português de Portugal legendado.

E o por último o que resultou mesmo, e que é a base, sermos quatro amigos que contam piadas e reagem as mesmas piadas de um modo natural.
Acho que este é o ponto que revolucionou na altura a maneira de ver as piadas secas. Porque grande parte das piadas eram retiradas da internet, algumas eram alteradas para caber no tema dos episódios e também tínhamos algumas criadas por nós. Mas muitas eram já conhecidas, mas as nossas reações ao entender ou a não entender as piadas eram extremamente engraçadas. Porque o frente a frente que usávamos nas piadas obrigava a olhar olhos nos olhos, e a reação saia naturalmente. E depois cada um de nós tinha gostos diferentes das piadas, e o que acontecia era que um se ria muito, outro não se ria outro colocava as mãos na cabeça e até ia as lagrimas.

A combinação de isto tudo fez com tivéssemos criado mais de 50 episódios, e todos acima das 100 mil visualizações. Viemos de 900 subscritores até aos 150 mil subscritores no Youtube em menos de um ano. E acabamos por lançar dois livros de piadas secas nos últimos 3 anos.

E o Zé Laustibia?

O Zé Laustibia durante os últimos 10 anos esteve em paralelo com os NãoQueresNada, mas saiu do Youtube e foi mais para as atuações ao vivo. Passei pela rádio onde aprendi a comunicar, festas populares onde contava umas piadas e acabei nos eventos, nomeadamente os casamentos. Vivo da animação desde 2017 e aprendi muito com as pessoas nos últimos 10 anos, porque não tive formação para o efeito, mas usei partes que já usava no projeto da batalha das piadas secas. A naturalidade no humor que faço, com piadas pequenas e muito improviso. Apesar de não ser artista de standup, uso o humor de forma diferente, de uma forma faseada e muito improvisada, por isso a área dos casamentos é a que gosto mais de trabalhar, pois as pessoas estão prontas para se divertir, mas também não querem ser incomodadas, por isso sempre que tenho um evento, vejo as pessoas com quem estou a interagir, tento perceber até que ponto posso contar piadas e o tipo de piadas que uso. E tento muita das vezes fazer com que a pessoa com quem falo ou conto, faça parte da piada.

Divertir sem chatear!

Em ponto de resumo nesta parte do humor seja online, seja offline. O que resulta para mim e que vejo que é cada vez mais utilizado é o que sai natural e direto. Para isso é preciso fazer uma análise para quem nos queremos dirigir e ir adaptando o conteúdo  mediante com quem estamos a lidar, e tentar não forçar, pois a quem nos dirigimos pode se sentir incomodado e isso não é de todo o pretendido.

Por: Nelson Ferreira

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