Há vitórias que custam caro, outras que saem com descontos!

Setembro 23, 2020 Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião
Vítor Sá Pereira

Olá, Leitores do BnH!

Antes de começar com a crónica, queria dizer que esta será a minha última.

Por motivos de ordem profissional, não poderei continuar com este espaço em que, nos últimos cerca de 4 anos, dei a minha opinião, sem qualquer tipo de receio, até porque a honestidade e frontalidade são valores que estimo e não consigo ser de outra forma.



Se fui agradável?…Talvez não! Se fui verdadeiro?…Totalmente.

Dois golos, uma assistência, 3-1 no arranque da defesa do título diante de um dos adversários mais cotados da Liga. Se Telles vai embora, só haveria melhor forma de despedir-se do Dragão se houvesse público nas bancadas a prestar-lhe a homenagem que merece.

Mesmo sem arrasar, o FCP mostrou segurança, consistência e maturidade para virar um resultado adverso, segurar o ímpeto adversário e sentenciar o jogo nos minutos finais.

Antes da bonança azul e branca, o temporal vindo do Minho!

Chuva, vento, frio…Tudo isto a juntar a uma pandemia que deixa o mundo em alerta e os estádios vazios. Seria difícil encontrar um cenário mais deprimente para aquilo que devia ser uma noite de festa, como são quase todos os arranques do campeonato.

A vibração deu lugar ao eco, mas nem por isso, a emoção deixa de se sentir, mesmo que remotamente.

Esta noite, os raios e coriscos começaram cedo para o campeão nacional, que, aos 20 minutos, começou a perder com uma «traição» de Castro, que nem festejou o seu regresso ao futebol português, sete anos depois, devido ao seu amor pelo FCP.

O que aconteceu antes disso, foi domínio portista. O que aconteceu depois, até ao intervalo, também. Com um pequeno interregno para o quase 2-0 bracarense, com um golo anulado a Ruiz, mal a bola foi ao centro, momentos depois de inaugurado o marcador.

Até que o campeão acordou antes do intervalo, dedicado a suprir a falta de eficácia antes de ouvir Conceição no balneário.

Aí, apareceu Telles, decidido a deixar saudades. Primeiro, num cruzamento a colocar a bola, «com a mão», na cabeça de Sérgio Oliveira; depois, a cobrar um penálti «à bomba», depois de Marega ter cumprido o seu papel de «cântaro que vai à fonte».

Conceição, sem o castigado Díaz e mais uma série de não inscritos, apostou nos rotinados e não apresentou reforços de início. O técnico portista escolheu um 4-3-3 para encaixar no 3-5-2 bracarense e manteve-o do início ao fim.

O Sp. Braga entrou na segunda parte afoito e só não empatou porque Ricardo Horta ficou deslumbrado na cara de Marchesín.

Conceição atrasava as substituições, mantendo, até ao limite, o 4-3-3 que lhe garantia um controlo maior do jogo. Até aos 5 minutos finais, fez apenas entrar Zaidu para o lugar de Sérgio Oliveira, já amarelado, puxando Otávio da ala para o meio. E quando Loum entrou com Taremi, aos 85m, o FC Porto não mexeu na estrutura – por exemplo, Corona saiu, mas Marega foi puxado para a direita.

Lá na frente, ficou Taremi ao meio, que, pela primeira vez que tocou na bola, sofreu o penálti com que Telles haveria de bisar e acabar com as dúvidas no resultado.

Uma bola nos pés do iraniano bastou para lhe perceber o critério e inteligência com que se move, obrigando o seu marcador direto a errar. Dos reforços, também Zaidu mostrou, sobre a esquerda, a sua «velocidade furiosa».

Tudo sob controlo, mesmo perante um Sp. Braga que, a espaços, mostrou qualidade e profundidade nas opções do plantel para manter os nossos Dragões em sentido quase até final.

Arrasar, não arrasou. Mas este FC Porto fez algo que o seu treinador gosta ainda mais: mostrou maturidade para vencer um dos jogos teoricamente mais difíceis deste arranque de Liga.

Há vitórias que custam caro, outras que saem com descontos!

Boa sorte para o FCP no Campeonato e Liga dos Campeões e que LFV esteja inocente…para bem de todos!

Desculpem qualquer coisinha!

Protejam-se e sejam felizes…sempre!

Por: Vítor Sá Pereira*.

[Nota do Diretor: Caro Vítor, é com emoção que escrevo estas poucas linhas para te dizer que és um dos que “fundou” este Jornal, que também é teu. Estás connosco desde o início, desde que iniciámos os espaços de opinião clubística! Farás sempre parte desta “família”. Já dizia Luís Vaz de Camões: “Que outro valor mais alto se alevanta». Mas ficarás sempre no nosso pensamento e julgo que o FC Porto e os portistas te agradecem pela defesa das suas cores ao longo destes últimos anos! Estamos-te – Barcelos na Hora –  muito gratos, grande Vítor Sá Pereira!!]

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

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