MESA e associações de pais pedem ao Ministro programa nacional de transformação digital na Educação

Abril 13, 2020 Atualidade, Concelho, Educação, Mundo, Política

O MESA – Movimento Escolas Sem Amianto, em conjunto com diversas associações de pais, movimentos, sindicatos, individualidades e outras entidades da sociedade civil, remeteu ao Ministro da Educação uma carta aberta a solicitar a criação de um programa nacional de transformação digital na Educação.



O documento, do qual o MESA é o primeiro signatário, sublinha a desigualdade no acesso a equipamentos informáticos – computadores, tablets, smartphones – e à Internet em casa das famílias dos alunos portugueses, como um abismo digital gritante e bem mais amplo do que muitos pensariam.

A carta, que revela números recolhidos juntos de vários agrupamentos de escolas espalhados pelo país, aponta que, numa hora de emergência como a que vivemos, estas desigualdades limitam o acesso universal à Educação prevista na Constituição da República Portuguesa e impedem que parte dos alunos consiga acompanhar as atividades letivas quando as aulas presenciais não são possíveis.

“Esta é uma excelente altura para, reconhecendo os erros do passado e procurando não repetir, recomeçar a aposta nas modernas tecnologias enquanto ferramentas de democratização do conhecimento, do acesso à informação e do combate à iliteracia digital, preparando melhor todos os alunos para o futuro que é já o presente de muitos”, apela André Julião, coordenador do Movimento Escolas Sem Amianto (MESA).

“Importa seriamente pensar em mudanças. Aproveitemos este momento para perceber que emerge a criação de um programa educativo abrangente, estruturado e reforçado pelos benefícios que a era digital proporciona. Há que criar soluções para que a inexistência de um computador em casa não exclua o aluno do seu percurso escolar. É imprescindível que se comece a pavimentar um terreno onde o ensino não dependa das condições económicas ou sociais dos alunos. Só desta forma podemos ter uma escola para todos!”, refere, por sua vez, Mariana Pereira, representante e porta-voz do MESA no norte do país, a zona mais afetada pela pandemia.

“É certo que ninguém aprende a ler e a escrever à distância e a presença física nas escolas não deve nunca ser substituída pelos canais digitais, dado ser o maior garante da redução das desigualdades entre alunos, no entanto, como complemento e fator enriquecedor do ensino, urge agora, mais do que nunca, pensar a sério num programa nacional de democratização das novas tecnologias, quer por via do acesso a equipamentos, quer por via da universalização da Internet”, adianta André Julião.

“Com toda a certeza que pais, alunos e professores unirão esforços para obter os melhores resultados possíveis neste 3º período, onde o ensino será à distância. No entanto, é ilusório considerar que este método, nos moldes que nós temos, pode substituir o processo de ensino-aprendizagem que decorre nas aulas presenciais. As limitações existentes fazem com que este formato de ensino não seja sólido e as matérias não fiquem consolidadas. Se queremos um ensino à distância, temos que criar condições para que o acesso à Internet e a recursos digitais seja transversal nas famílias portuguesas: uma escola pública, num estado social, no século XXI”, refere, por seu turno, Mariana Pereira.

O programa sugerido pelos signatários deverá permitir, igualmente, desmaterializar o acesso à informação e ao conhecimento, reduzindo o peso que os livros em papel ainda têm no ensino presencial. E, simultaneamente, prever alternativas não presenciais, nomeadamente para alunos e professores com mobilidade reduzida, com doenças crónicas ou em ambiente de internamento hospitalar ou domiciliário, como já acontece em vários projetos-piloto espalhados pelo país.

Foto: DR.

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