Município de Barcelos recusa adesão ao programa “vacinação local”

Outubro 21, 2020 Atualidade, Concelho, Opinião, Política, Saúde
Miguel Fernandes

A Câmara Municipal de Barcelos perdeu, uma vez mais, o comboio de boas políticas municipais a implementar. Num ano totalmente atípico, em que existe a possibilidade de o município garantir a vacinação gratuita a pessoas com idade igual ou superior a 65 anos, o executivo PS deixou escapar um protocolo que visa o alargamento e a diversificação dos locais de vacinação, como por exemplo, através da rede de farmácias comunitárias.  



O Ministério da Saúde garantirá o fornecimento de algumas vacinas para administrar nas farmácias, em condições de igualdade com os centros de saúde, permitindo assim abranger um maior território e promover a adesão à vacinação, evitando a sobrecarga do Serviço Nacional de Saúde (SNS), quer pela administração da vacina, quer por episódios de gripe que poderiam ser evitados com a vacinação. Contudo, a concretização do programa “Vacinação SNS Local” depende da decisão de cada município em promover a vacinação da sua população. 

Partindo de um exemplo concreto das vantagens que este programa poderia trazer aos barcelenses, particularmente aos que possuem idade igual ou superior a 65 anos. Na minha união de freguesias, Alheira e Igreja Nova, o centro de saúde local encontra-se encerrado, alegadamente por falta de pessoal administrativo. Caso o município tivesse aderido a este programa, o utente poderia deslocar-se a uma farmácia de proximidade, por exemplo Lijó, administrando sem custos a vacina da gripe. Se quisermos ser ainda mais abrangentes ou optar por outra alternativa à farmácia, podemos, à semelhança do que acontece noutros municípios, proceder ao agendamento da administração da vacina da gripe ligando para a junta da freguesia e, no(s) dia(s) agendados, o município disponibilizaria um enfermeiro para proceder à administração a este grupo prioritário.    

Como o Município de Barcelos não aderiu à iniciativa, uma franja da população tem de deslocar-se até à cidade para poder ser vacinada, expondo pessoas com uma saúde mais vulnerável a fatores de risco como a transmissão da COVID-19 ou condições climatéricas adversas, podendo originar outro tipo de doenças. Para além disto, existe uma dificuldade em agendar no centro de saúde e relembro a dificuldade de alguns idosos acederem aos transportes públicos, assim como, o seu receio em partilhar um espaço exíguo com outras pessoas, aumentando, uma vez mais, a probabilidade de transmissão da COVID-19.  

Assim, parece-me que teria sido útil para os cidadãos barcelenses que a Câmara tivesse aproveitado o protocolo e implementasse uma rede de administração de vacinas da gripe que permitisse uma maior cobertura territorial e adesão junto das populações, garantindo equidade na vacinação contra a gripe.  

As políticas municipais devem estar na vanguarda e melhor que ninguém devem colmatar as lacunas que existem no terreno e esmiuçar alternativas e soluções. O programa “Vacinação Local” foi uma iniciativa do Ministério da Saúde e da Associação Nacional das Farmácias, mas competia ao executivo municipal empenhar-se e realizar reuniões com as unidades de saúde locais e com as farmácias, ao invés de manifestar uma decisão negativa quanto à adesão ao programa.

Por: Miguel Fernandes* (Presidente da Comissão Política da JSD Barcelos)

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

Fotos: DR.

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